Seu navegador não possui suporte para JavaScript o que impede a página de funcionar de forma correta.
Conteúdo
Notícias

Dia da Síndrome de Down: com a força da amizade, santista ganha fôlego nos treinos e na vida

Publicado: 21 de março de 2026 - 9h58
Atualizado: 21 de março de 2026 - 11h02

VEJA A PROGRAMAÇÃO E AS INICIATIVAS DA PREFEITURA

 

Caterina Montone

Aos 44 anos, Anderson Gomes encontrou na amizade o impulso que transforma sua rotina - e traduz, na prática, o tema do Dia Mundial da Síndrome de Down de 2026, celebrado neste sábado (21): “Amizade, Acolhimento, Inclusão… Xô Solidão!”. É ao lado do inseparável amigo Leandro Alves, de 33, que ele compartilha treinos, afeto e uma parceria que vai além das palavras, construída no cuidado e no pertencimento diário.

Tudo começou em 2006, quando Anderson, que tem Síndrome de Down, praticava natação em outro equipamento e conheceu Leandro, ou “Kaká”, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA). As diferenças que muitos insistiam em enxergar entre eles foram justamente o que os uniu. Hoje, a parceria é mais conhecida como “anjos da guarda” ou, de forma carinhosa, “café com leite”. Mas, como o próprio Anderson resume, do seu jeito: “ele é meu melhor amigo”.

Mesmo com a falta de palavras, o carinho entre os dois se traduz em abraços apertados, apertos de mão e telefonemas rápidos - sinais de uma comunicação única, resumida ao amor. É na Vila Criativa da Penha que essa amizade se fortalece ainda mais, especialmente às terças e quintas-feiras.

“Dou aula para eles há três anos e a relação com a turma sempre foi ótima, principalmente com o Anderson, que tem o jeitinho dele, às vezes mais introspectivo. Mas o calor dos colegas transforma o humor dele. A presença dele melhora o ambiente. Tem dias em que o abraço dele me salva, e a amizade dos dois me inspira. Ele também pode confiar em mim”, afirma Kaio Prestjord, professor de musculação da unidade.

Quem também acompanha de perto essa evolução, e é sempre recebida com abraços e passos de dança inusitados, é a professora de ritmix, Danny Martins. Na fileira da frente das aulas, Anderson e Leandro dão um verdadeiro show ao lado das demais alunas. “Já nos apresentamos algumas vezes no Teatro Municipal e foi maravilhoso. Quando estão juntos, eles animam todo mundo. Se soltam com a turma, que os ama. Temos também uma amizade especial”, conta.

ACOLHIMENTO

Como o tema definido pela Down Syndrome International propõe, a solidão não é apenas estar sozinho - é não pertencer. E é justamente nas aulas de ritmix e musculação que Anderson encontra pertencimento: colegas, além de Leandro, que o acolhem, sentem sua falta e demonstram cuidado quando ele não comparece.

A mãe, Valnice Gomes, de 65 anos, o acompanha em todas as atividades. Mais do que relação materna, os dois compartilham uma amizade marcada por cumplicidade. Após tantas experiências, ela destaca que foi na Vila Criativa que o filho encontrou acolhimento verdadeiro. “Fico emocionada ao lembrar dos primeiros dias e de tudo que passamos juntos. Existem lugares que falam de inclusão, mas onde ainda se vive a solidão. Aqui, o Anderson é recebido na porta e incentivado a subir ao palco para se apresentar com os outros”.

Uma das colegas, Maria Celina Martins, de 75 anos, reforça esse sentimento. É na dança que trocam olhares de admiração, embalados pela música e celebração coletiva. “Ele chegou até nós para nos iluminar. Além da amizade com o Leandro, a aula ganha ainda mais significado com a energia dele. Sou feliz por tê-lo na turma. É uma alegria que faz falta quando ele não está”.

PROGRAMAÇÃO

Para celebrar o tema deste ano, que aborda inclusão e pertencimento, Santos promove, no dia 28 de março, a partir das 13h30, a Parada de Conscientização da Síndrome de Down “Juntos contra a Solidão”. Com faixas educativas voltadas ao público no trânsito, atrações culturais e opções de lanches, o evento promete transformar a Praça das Bandeiras, no Gonzaga, em um espaço de inclusão e celebração.

“Não apenas nesta data, mas de forma contínua, queremos chamar a atenção da sociedade para a importância de promover espaços que fortaleçam o pertencimento social dessas pessoas no Município. Por meio de políticas públicas e iniciativas, incentivamos a interação humana e social, mostrando o verdadeiro sentido da inclusão”, destacou Cris Zamari, coordenadora de Defesa de Políticas para Pessoas com Deficiência (Codep), da Secretaria da Mulher, Cidadania, Diversidade e Direitos Humanos (Semulher).

INICIATIVAS

Seja por meio da arte, do esporte, da autonomia ou da educação, pessoas com Síndrome de Down contam com espaços e iniciativas gratuitas que refletem a mensagem do tema de 2026 :

A Prefeitura garante a inclusão de pessoas com deficiência nas salas de ensino regular, ao lado dos demais alunos. Atualmente, a Secretaria de Educação (Seduc) contabiliza 1.973 estudantes com deficiência nas 86 UMEs. Além disso, mantém parceria com 13 entidades subvencionadas de educação especial, que atendem 1.427 crianças, jovens e adultos.

Polo de Empregabilidade Inclusivo (PEI)
O PEI tem como objetivo inserir pessoas com deficiência no mercado de trabalho, além de oferecer suporte às empresas para contratação. O atendimento é realizado mediante agendamento, exclusivamente pelo WhatsApp: (13) 99140-9528.

Escola de Surfe Adaptado
Santos, berço do surfe, foi pioneira ao inaugurar, em 2020, a Escola Pública de Surfe Adaptado, localizada no Posto 3 (Gonzaga). A iniciativa, com mais de 30 anos de história, oferece aulas gratuitas e adaptadas, realizadas semanalmente em grupos de três a quatro alunos.

Projeto TamTam
Referência em inclusão, diversidade e saúde mental, o projeto multidisciplinar recebe fomento mensal da Prefeitura e oferece cursos de literatura, poesia, Libras, teatro, costura, jazz, balé clássico, dança contemporânea, musicalização e coral. Para mais informações sobre vagas, o contato pode ser feito pelo WhatsApp: (13) 99121-6907.

Virada Inclusiva
Realizada na primeira semana de dezembro, a iniciativa aproxima o mundo artístico das pessoas com deficiência, com programação diversificada em celebração ao Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, em 3 de dezembro.

Vilas Criativas
Espalhadas por diferentes regiões da Cidade, oferecem atividades que estimulam a socialização e a coordenação motora.

SOBRE A SÍNDROME DE DOWN

A condição é causada por uma alteração genética. Pessoas com Síndrome de Down - também chamada de trissomia do cromossomo 21, ou T21 - possuem 47 cromossomos em suas células, em vez dos 46 habituais. A data do Dia Internacional da Síndrome de Down, que integra o calendário brasileiro desde 2022, não foi escolhida por acaso: o dia 21 do terceiro mês faz referência à trissomia do cromossomo 21.

 

Esta iniciativa contempla os itens 10 e 16 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU: Redução das Desigualdades e Paz, Justiça e Instituições Eficazes. Conheça os outros artigos dos ODS 

Fotos: Carlos Nogueira