Oficinas focam em geração de renda e apoio a pacientes da Saúde Mental em Santos
Linha, agulha e retalhos de pano. Costurar fuxicos tem sido uma terapia para Viviane Pereira, 39 anos. Ela é uma das integrantes da oficina promovida pela Seção de Reabilitação Psicossocial (Serp) da Secretaria de Saúde de Santos. A atividade proporciona a chance de aprender um ofício, gerar renda e, acima de tudo, auxiliar no tratamento de pacientes com algum tipo de transtorno mental.
Simone foi diagnosticada como bipolar, depois de enfrentar uma depressão, e encontrou nas oficinas - também faz parte do grupo de encadernação - o caminho para dias melhores. “Ajuda financeiramente. Não é muito, mas o que vem é bem-vindo. Mas me ajudou muito mesmo no dia a dia, porque acaba me ocupando e também me sinto capaz e útil”. O resultado foi considerado tão bom por ela que acabou incentivando a irmã, Luciana Pereira da Cruz, 31 anos, a também fazer parte do programa. Ela também tem transtorno bipolar e, além de fuxico, participa da oficina de bijuteria. “Aprendo e dou aula também de bijuteria. Gosto de passar o que sei para as outras pessoas. É bom dividir com os outros. É um talento que tem que ser dividido”.
Com o apoio do programa, Luciana se sente em condições de partir para a conquista de um sonho: ter uma casa própria. “Quero voltar a trabalhar. Acho que as bijuterias podem ajudar. Tanto que minha filha, de 11 anos, começou a vender os acessórios na escola e já quer montar uma lojinha”.
USUÁRIOS DO CAPS
A Serp atende usuários encaminhados pelos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) do Município. Atualmente, são cerca de oito a nove alunos por turma. As aulas duram duas horas e ocorrem ao longo da semana. Além das oficinas de fuxico, encadernação e bijuterias, os pacientes podem optar por atividades como costura, bordado, crochê e jardinagem, explica a chefe de seção, Simone Domingos de Andrade. “Nosso objetivo é realizar oficinas com foco na geração de trabalho e renda, algo que possa proporcionar autonomia e protagonismo para eles”.
Os trabalhos realizados pelos pacientes são vendidos em feiras e eventos promovidos por entidades na Cidade. O dinheiro arrecadado é revertido para os alunos. “Sempre que somos convidados, participamos. Dia 7 de maio, por exemplo, estaremos no Colégio São José (Avenida Ana Costa, 373), das 14 às 20 horas. A Codevida também é um parceiro nosso e, uma vez por mês, expomos nossos produtos lá. Temos também uma lojinha na entrada da sede”, conta Simone.
TERAPIA
A chefe de seção da Serp destaca que, apesar do foco na capacitação, as oficinas são uma estratégia terapêutica. “Nós vemos o quanto a organização dos eventos, o fazer parte, decidir juntos, dividir o dinheiro arrecadado nas exposições é importante para eles e traz um empoderamento, que é o fator principal de tudo isso”.
Há ainda os projetos Terra (manutenção de praças adotadas por empresas) e Cantina & Saúde que ficaram paralisados devido à pandemia da covid-19 e estão para ser retomados.
A Serp atende na Avenida Conselheiro Nébias, 267. Interessados em formar parcerias para a exposição de produtos podem ligar para o 3221-1875 ou enviar e-mail para serp-pms@santos.sp.gov.br.