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Defesa Civil sinaliza moradias interditadas em áreas de risco em Santos

9 de março de 2020
16h 57

Sete dias após o forte temporal que atingiu a Cidade, os morros continuam em estado de alerta para deslizamentos e a Defesa Civil está retornando às moradias consideradas sob risco para sinalizar os imóveis interditados com marcação em spray e adesivo. Enquanto isso, a Prefeitura se prepara para iniciar ainda nesta semana a reconstrução e recuperação das regiões afetadas. O pagamento do auxílio-moradia, partilhado entre Estado e Município, deve começar até o fim do mês.

Desde a noite da última segunda-feira (2) e madrugada de terça (3), a Defesa Civil registrou 250 ocorrências, sendo que muitas ainda estão sendo atendidas.

“A Defesa Civil já está realizando esse trabalho de retornar às moradias interditadas, mas, independente disso, peço a todos que não voltem para suas casas. Está sol, o tempo melhorou, mas elas não devem retornar”, frisou o prefeito Paulo Alexandre Barbosa, que nesta segunda-feira (9) esteve na escola Terezinha Calçada Bastos, no Morro São Bento, unidade que abriga famílias provisoriamente.

Pela manhã, geólogos, técnicos da Defesa Civil, da Secretaria de Infraestrutura e Edificações (Siedi) e da Cohab visitaram moradias já interditadas, fazendo marcação com spray, em forma de X. Atualmente, cerca de 250 casas estão indicadas para remoção. “E nesta tarde começaremos a adesivá-las para mostrar que foram desocupadas e estão oficialmente interditadas”, explicou o coordenador da Defesa Civil, Daniel Onias.

Ele frisou que, mesmo após o tempo melhorar, as encostas dos morros estão sujeitas a novos deslizamentos, já que a drenagem nestes locais ainda está comprometida. “É muito importante que as pessoas continuem atentas aos sinais de alerta, como água barrenta, trincas e rachaduras no solo e postes e árvores inclinados”.

Onias afirmou que todas as áreas dos morros são preocupantes e foram afetadas com mais ou menos ocorrências. “Há ocorrências de grande magnitude até mesmo no Monte Cabrão e Mantiqueira, na Área Continental”. Ele também falou sobre uma área no Ilhéu Baixo, na Zona Noroeste, onde uma pedra preocupa moradores da Rua Francisco Lopes Rúbio. “A orientação é para que as pessoas deixem aquelas casas”.

Conforme explicou o coordenador da Defesa Civil, uma boa parte das pessoas não poderá voltar em definitivo porque as moradias foram seriamente afetadas. Após avaliação futura, se o órgão decidir que há imóveis que podem ser liberados, os moradores serão informados.

AUXÍLIO-MORADIA

 

Atualmente, 275 famílias desabrigadas estão cadastradas para o recebimento do benefício, que será de R$ 600 (valor que será dividido entre Município e Estado). Uma quantia complementar de R$ 1.000 também será paga para que essas famílias possam suprir necessidades básicas imediatas.

“Todas as pessoas que preencherem os requisitos receberão o auxílio-moradia. Se surgirem novas famílias no cadastro, também serão contempladas. Estamos em contato com o Governo do Estado e a expectativa é de que até o final do mês tudo esteja resolvido. Enquanto isso, a Prefeitura vai prover toda a infraestrutura a essas famílias, com alimentação e acomodação”.

Um dos abrigos provisórios para vítimas das chuvas, a escola Teresinha Calçada Bastos conta atualmente com 19 famílias, sendo 54 pessoas. Em visita à escola, o prefeito Paulo Alexandre conversou com vítimas do temporal, explicando que a liberação do dinheiro é prioridade. “Também estamos negociando com o Governo do Estado a reconstrução dos espaços e obras de habitação. É nossa prioridade absoluta”.


Na última quinta-feira (5), o Governo do Estado liberou R$ 50 milhões para intervenções emergenciais nas cidades afetadas pelas chuvas (Santos, São Vicente e Guarujá). Os trabalhos incluem construção de muros de arrimo, contenção de encostas, entre outras obras. Do total, Santos receberá R$ 15 milhões

 

EXPECTATIVA

Moradores da Rua Santa Marta, no Morro São Bento, Alana Ferreira, 26 anos, a mãe Josenira, 46, e o tio Jocielmo, 38, vivem na expectativa de uma solução. “Não deu tempo de tirar nada de casa, mas estamos vivos e aqui a estrutura é muito boa”.

A UME Terezinha Calçada Bastos foi inaugurada no dia 8 de fevereiro e é uma escola infantil com 133 vagas, do berçário à pré-escola. “Fizemos algumas adaptações e ela oferece toda a estrutura necessária a essas famílias, porque trata-se de uma situação emergencial. Nosso papel é acolher e verificar a situação de cada uma delas”, explicou a secretária de Educação, Cristina Barleta.

 

PREVISÃO DO TEMPO

 

Com tempo bom e temperatura em torno de 25°C, a Cidade não registra chuva nas últimas 72 horas, mas o Plano Preventivo de Defesa Civil de Santos ainda opera em nível especial de alerta. Há previsão de algumas pancadas de chuva ainda para esta segunda-feira (9), em pontos isolados, mas sem longa duração e sem volumes expressivos. A previsão do tempo para os próximos dias não aponta avanço de nenhum outro temporal, com baixa chance de chuva no meio da semana.

 

Informações em tempo real sobre os serviços relacionados às chuvas.