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Crianças ocupam praça no Centro de Santos para brincar

28 de maio de 2019
16h 30
dois artistas fazem malabarismo com crianças sentadas acompanhando o espetáculo #pracegover

Andressa Luzirão

Muito barulho, gritos de euforia, gargalhadas e palmas. Não era uma comemoração, tampouco uma manifestação. Eram cerca de 150 crianças ocupando a Praça Mauá (Centro de Santos), nesta terça-feira (28), para algo que lhes é de direito: brincar.

A apropriação do espaço público por alunos da escola municipal Mário de Almeida Alcântara e do Centro Social Marista Lar Feliz marcou o Dia Mundial do Brincar, celebrado em 28 de maio, provocando a reflexão sobre a importância de se divertir ao ar livre.

Simultaneamente, outros quatro espaços da Cidade – praças do BNH, do Sesc (Aparecida) e da Paz Universal (Castelo) e a Lagoa da Saudade (Morro Nova Cintra) - também foram ocupadas, sobretudo, pela alegria, totalizando a participação de cerca de 800 estudantes de várias unidades municipais de ensino. A atividade integrou a programação da Semana Mundial do Brincar, que segue até domingo com diversas ações nas escolas da rede municipal e em parques e espaços públicos, realizadas pela Prefeitura e em parceria com universidades.

BRINCADEIRAS

Na atividade desta terça (28), na Praça Mauá, a garotada se divertiu em circuito de movimentos, rodas cantadas, gol caixote, entre outras brincadeiras coordenadas por estudantes de educação física da Unimes e pelo Coletivo Circo Lúdicos.

Entre tantas crianças estava Kauã Xavier da Silva, 8 anos, da escola Mário, encantado ao fazer malabares com uma peça de boliche. “Gosto de circo”, disse ele. Outro aluno, José Vanderson Sousa Silva, 8, do Morro da Penha, também adorou. “Nunca tinha vindo nessa praça”. Para Anna Júlia Rodrigues Ferreira, 8, “foram várias brincadeiras legais. Prefiro brincar na praça do que no celular”.

Resgate do movimento

A atividade contou com a presença do prefeito Paulo Alexandre Barbosa. “É a oportunidade de as crianças brincarem, que é o mais importante nessa fase. O grande objetivo é vê-las mais felizes, interagindo e socializando”.

O brincar livre, o resgate das brincadeiras de rua e a importância da ocupação dos espaços públicos na infância foram destacados pela chefe da Seção de Educação Infantil, Fabiana Riveiro, da Secretaria de Educação (Seduc). “Aqui é movimento, correr, pular, subir, descer, abaixar. A sociedade emparedou as crianças e esses espaços não são por elas ocupados. Cada vez mais, as gerações estão tirando suas crianças dos espaços públicos. Então, a Semana do Brincar nasceu desse questionamento: o que a sociedade e as políticas públicas têm feito com a infância?”.

Durante a Semana do Brincar, as escolas de Educação Infantil, Fundamental e Educação de Jovens e Adultos (EJA) do Município se debruçam sobre o brincar nos cinco cantos do Brasil. “Foi feita pesquisa dessas brincadeiras e, a cada dia da semana, os alunos estão vivenciando brincadeiras de cada região, comungando com a temática que a Aliança para a Infância trouxe, que é o brincar que abraça a diferença, a diferença cultural”, acrescenta Fabiana.

EXPOSIÇÃO

Até domingo (28) pode ser conferida, no saguão do Paço Municipal, exposição do trabalho desenvolvido pela Seduc nas unidades de ensino que atendem crianças de zero a 6 anos, focado no resgate de brincadeiras com materiais não estruturados e da natureza (como pedras, folhas e caixas) e os parques sonoros.

“O intuito é conscientizar de que não há necessidade de gastar muito para as crianças brincarem e que esses materiais são ricos para desenvolver a imaginação e promover várias aprendizagens. É preciso tirar as crianças das salas de aula e ocupar esses espaços externos das unidades. É educação infantil e não ensino infantil”, disse Josefa Nascimento, umas das professoras de educação infantil da rede, responsável pela exposição. A Semana Mundial do Brincar é promovida pela Aliança pela Infância, movimento internacional por uma infância digna e saudável.

 

Audiência Pública faz reflexão sobre uso de praças para brincadeira e lazer

 

 

Como parte da programação das Semanas Municipal e Mundial do Brincar, foi realizada na tarde desta terça-feira (28), na Câmara Municipal, audiência pública com o tema Praças de Brincar         . Representantes de diversos setores da Prefeitura, vereadores, instituições de ensino, organizações sociais, entidades subvencionadas, gremistas da escola municipal Avelino da Paz Vieira, jovens vereadores (projeto Câmara Jovem) e membros da comunidade participaram da discussão.

De acordo com a coordenadora da comissão de educação do Fórum da Cidadania, Marise Teixeira Cabral, órgão que propôs a audiência, este é um momento de mobilização pela infância e pelo desenvolvimento das crianças e adolescentes. “É necessário que as pessoas se apropriem dos espaços públicos e os utilizem para o lazer e o brincar. Muitas crianças não contam com ambientes em casa para este fim, e, ao ar livre, existe o contato com a natureza, além da interação com as outras pessoas. Esta audiência tem o propósito de jogar luz neste assunto e contribuir para as melhorias de nossas praças”.

A vereadora Audrey Kleys, que presidiu a audiência, falou sobre a necessidade de criação de áreas e opções para o lazer. “Os espaços públicos podem e devem ser ocupados para brincadeiras. Devemos pensar juntos e usar a criatividade para resgatar na sociedade a essência do brincar”, completou.

Durante o encontro a professora e mestre da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Unisantos, Cláudia Braga, e a aluna do último ano do curso Cintia Gonzaga, falaram sobre a importância das praças e locais destinados para às brincadeiras tradicionais. Além disso, 19 alunos de 5 anos, do Centro Social Marista Lar Feliz entregaram um manifesto sobre o espaço que gostariam que existisse na região central para o lazer. Os pequenos também deixaram cartazes alusivos à Campanha Defenda-se, da Rede Marista, que trata da luta contra o abuso e a exploração sexual infantojuvenil.

Para a chefe da seção de educação infantil da Secretaria de Educação, Fabiana Riveiro, Santos tem o título de Cidade Educadora e neste conceito, a educação não se faz apenas dentro da escola,

PRAÇAS

Santos conta com 208 praças. Segundo o representante da Secretaria de Serviços Públicos, Costábile Di Gregório Filho, os locais passam por manutenção periódica, no entanto, muitos sofrem com vandalismo. “Estamos fazendo a substituição da iluminação das praças por lâmpadas de led, projetos de revitalização (nove projetos prontos) e 15 locais também serão contemplados com acessibilidade e novos brinquedos”.  

 

Fotos: Rogério Bomfim

Galeria de Imagens

exposição de brinquedos no paço #pracegover

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