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Arte a céu aberto: legislação a favor dos grafiteiros

Publicado: 19 de setembro de 2017
12h 54

Proporcionar um momento de reflexão ou tirar um sorriso em meio à correria do dia a dia de uma pessoa.

A arte do grafite se mistura à cena urbana e, está cada vez mais presente no dia a dia da Cidade. Em Santos, a manifestação artística tem respaldo legal há pouco mais de um ano. Por meio da Lei Complementar 945, os grafiteiros da Cidade podem expressar seus talentos, quando o objetivo for valorizar o patrimônio público ou privado.

Para isso, é necessário o consentimento do proprietário, locatário ou arrendatário do bem privado e autorização do órgão competente no caso de bem público.

E os artistas estão aproveitando essa legislação para fazer boas parcerias com a Prefeitura. A campanha Essa Boca Não é Lixo, estabelecida no ano passado, é um desses exemplos.

Para conscientizar o descarte correto de lixo, cinco artistas grafitaram, em 75 bocas de lobo pela Cidade, dizeres contra o acúmulo de lixo no local.

RETORNO

“A proposta teve um retorno muito positivo. Artistas da Capital que participaram do projeto se surpreenderam com a reação das pessoas. Enquanto estavam grafitando, a população abordava e parabenizava. A ideia do artista é sempre chamar a atenção da população”, explica Erico Bonfim, um dos idealizadores do projeto. Para ele, a expressão de arte contribui para a democracia e para a conscientização social. “Eu pinto por expressão artística, não por alguma intenção comercial, nem para transgredir a Lei. A sociedade é composta pela diversidade de ideias, e um desenho feito com respeito agrega positivamente à sociedade”, comenta Bonfim.

TALENTO

Phillipe Bittencourt, 32 anos, o Piuí, é hoje diretor de arte e tem uma agência de comunicação. Despertou a paixão pela criação a partir dos grafites, aos 12 anos. “Na escola, um amigo comentou que na Capital tinha um monte de grafite pelas ruas. Compramos revistas especializadas, fomos para São Paulo para ver os desenhos. Começamos juntos, eu e o Shesko, hoje bastante conhecido entre os grafiteiros”.

Piuí conta que, no início, foi difícil ter o reconhecimento do talento. “A gente tentava pedir autorização para grafitar, mas como não existia grafite em Santos, as pessoas associavam com pichação. Hoje em dia somos contratados para grafitar casas, lojas, restaurantes. Estamos evoluindo na valorização da arte e os grafiteiros precisam usar a lei em nosso favor”.

HISTÓRIA

Alguns relatos apontam que a arte existe desde o Império Romano, mas seu aparecimento oficial se deu em 1970, em Nova Iorque. As marcas deixadas nas paredes evoluíram com técnicas e desenhos feitos com spray. O que se vê hoje, em todo o mundo, são grandes painéis artísticos pintados a céu aberto.

Foto: Raimundo Rosa