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Alunos instalam placas em sítios arqueológicos do Centro de Santos

10 de outubro de 2019
15h 27

MARIA ESTELA GALVÃO


A sensação de estar num lugar antes visto apenas por fotos antigas, que remetem a muitos cenários de Santos hoje completamente diferentes, foi sentida pela estudante Thuanny Aparecida Ferreira de Oliveira, do 9º ano da UME Edmea Ladevig. Nesta quarta-feira (9), ela e outros alunos percorreram o Centro de Santos para instalar placas informativas em oito locais considerados verdadeiros sítios arqueológicos, concluindo um trabalho de pesquisa e leitura

‘’Muitas pessoas não sabem como tudo isso era antes. Eu andei de bonde no Festival do Café pela primeira vez e pude conhecer um pouco da história do Centro. Isso me despertou a atenção. Quero fazer faculdade de História’’, contou a aluna, de 15 anos.


O grupo visitou o Centro acompanhado pelo professor de História da escola, Luiz Antonio Canuto dos Santos, e da historiadora da Secretaria de Educação (Seduc), Adriana Negreiros. ‘’O Centro é um local educativo e queremos que esse trabalho seja o embrião de um projeto maior’’, explicou Canuto.


Adriana lembrou que muitos dos achados arqueológicos foram descobertos entre 2008 e 2009, durante as escavações para ampliar a linha do bonde turístico. ‘’A obra foi supervisionada pelo arqueólogo Manoel Gonzalez, que foi catalogando tudo que descobriu’’.

O especialista se recorda bem dos achados daquela época. ‘’Foram mais de 5 mil itens catalogados. Encontramos muita coisa interessante no local da antiga Igreja Matriz, descobrimos as fundações da primeira Cadeia Velha, a segunda estrutura da Santa Casa na Praça dos Andradas, alguns cemitérios e até um curtume perto da subida do Monte Serrat. Todos os locais foram registrados como sítios arqueológicos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).’’



VISITAS



O roteiro dos alunos incluiu o Conjunto do Carmo, na Praça Barão do Rio Branco, com duas igrejas dos séculos 16 e 18. A escavação trouxe à tona 12 esqueletos humanos e muitos artefatos, que foram encaminhados ao Centro de Estudos Arqueológicos (Cerpa) do Município.

Para o aluno Guilherme dos Santos Delmino, impressiona saber que debaixo de tantas construções no Centro há muita história. ‘’É curioso’’. E Rodrigo de Almeida França concorda: ‘’Comparar fotos antigas e ver que muita coisa não existe mais desperta a minha atenção’’.


Os estudantes também estiveram no Outeiro de Santa Catarina, onde vários objetos foram encontrados, na década de 80, como pregos, dobradiças de portas e cachimbos, já que o local foi esconderijo de escravos.

Outro ponto foi a primeira Igreja Matriz de Santos, do século 18. Ela ficava no antigo Largo da Matriz (atual Praça Teles) e foi demolida em 1908 para a expansão da Praça da República. Historiadores afirmam que lá podem estar os restos mortais de Braz Cubas, fundador da Vila de Santos. ‘’Sabemos apenas que ele foi enterrado no altar na igreja, mas isso não significa que seus restos mortais estejam no local’’, frisa Adriana.

Os alunos também instalaram placas no local da primeira Cadeia Velha de Santos, de 1697, que ficava ao lado da Igreja do Carmo e cujas bases foram evidenciadas durante a escavação. Onde ficava a antiga Igreja São Francisco de Paulo, erguida em 1760 na subida do atual Monte Serrat, junto com as instalações da Santa Casa de Misericórdia, os alunos conheceram a história da edificação demolida em 1950 para a obra da nova Santa Casa, no Jabaquara.


O roteiro incluiu ainda a atual Cadeia Velha, na Praça dos Andradas, a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, em frente à Praça Rui Barbosa, e a antiga Igreja da Misericórdia do Campo, a primeira da Vila de Santos.