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Projeto Cidade Essencial provoca reflexão sobre inclusão e pertencimento em Santos

Publicado: 7 de novembro de 2026 - 11h39

Uma cidade vai além de ruas, edificações e suas belas paisagens. Ela se reconhece mesmo através das histórias, dos encontros e das pessoas que dão vida a cada espaço. Foi a partir dessa reflexão que Santos promoveu a quarta edição do projeto sociocultural Cidade Essencial promoveu, na noite desta sexta-feira (6), com uma roda de conversa no Teatro Rosinha Mastrângelo (Av. Senador Pinheiro Machado, 48, Vila Mathias). 

O encontro reuniu diferentes olhares sobre os desafios da convivência em sociedade e o papel de cada cidadão na construção de uma cidade mais inclusiva, diversa e acolhedora. Com mediação da jornalista Isabela Marangoni, o debate teve a participação de outros jornalistas como Arminda Augusto e Ronaldo Vaio, além da médica infectologista e clínica geral Elisabeth Dotti, e também, da advogada Patrícia Gorisch. Entre os assuntos abordados estiveram as diferenças sociais entre as regiões de Santos, a acessibilidade, o acolhimento de migrantes e refugiados, a moradia e a importância da comunicação para aproximar as pessoas.

Sobre o diálogo como instrumento de transformação, Ronaldo Vaio destacou que um debate relevante não precisa necessariamente terminar com respostas definitivas, mas deve estimular a reflexão. “Um debate nunca traz soluções. Pelo contrário, se é um debate bom, você sai com mais perguntas. E, ao sair com mais perguntas, vai procurar essas respostas, às vezes até dentro de você mesmo”. Ele também ressaltou o papel da comunicação na construção de uma cidade essencial. “A comunicação é fundamental para que você apare as arestas e consiga falar a mesma língua nas diferenças que os seres humanos têm”, completou.

PROJETO TAMTAM

Idealizador do projeto e diretor-geral do TAMTAM, Renato Di Renzo destacou que a proposta do Cidade Essencial é criar espaços de encontro para que diferentes pessoas compartilhem experiências, memórias e expectativas sobre Santos. “Não é uma reunião de queixas, mas, pelo contrário, são os nossos olhares sobre a cidade”, explicou. Para ele, a iniciativa também busca dar visibilidade a pessoas e histórias que nem sempre encontram espaço para serem conhecidas pelo público.

Arminda Augusto destacou a iniciativa do Projeto de promover discussões que provocam a sociedade a olhar para questões nem sempre presentes no debate público cotidiano. Segundo ela, a proposta do encontro é justamente tirar as pessoas da zona de conforto e estimular novas perspectivas.

“O TAMTAM tem essa característica de provocar esse tipo de evento com temas disruptivos. A grande virtude é sair da caixa e fazer a gente parar e pensar, questionar o que é essencial”. Para Arminda, iniciativas como essa deveriam ocorrer com mais frequência na Cidade.

IDENTIDADE

Já a médica Elisabeth Dotti trouxe lembranças de sua trajetória em Santos para refletir sobre identidade e pertencimento. Ao recordar experiências de infância, como as travessias a nado e os encontros entre moradores, ela destacou a força das relações comunitárias na construção da identidade santista.

Ela também lembrou momentos importantes da história local, apontando o caráter pioneiro de movimentos sociais e iniciativas de reconhecimento da diversidade. Em sua avaliação, a população precisa recuperar o entusiasmo e o envolvimento com a vida da Cidade. “Falta gás, falta ânimo. Acho que a gente precisa voltar a ter aquele movimento, alguma coisa que faça despertar o santista que a gente é”, afirmou.

Outro ponto levantado na conversa foi a reflexão sobre para quem a cidade está sendo construída. Patrícia Gorisch chamou a atenção para as diferenças entre a região da orla e os bairros da Zona Noroeste, destacando que moradores de diferentes partes do Município nem sempre compartilham as mesmas oportunidades e experiências. “Tem criança da Zona Noroeste que nunca viu a praia. Onde é que as pessoas se conectam?”, questionou. Ela também levantou temas como acesso à moradia e ampliação do acolhimento às pessoas com deficiência, migrantes e refugiados.

PROGRAMAÇÃO

Reunindo manifestações artísticas, oficinas, literatura e encontros que valorizam a diversidade cultural e humana do Município, a quarta edição do Cidade Essencial continua até 29 de novembro, com atividades culturais gratuitas em diferentes espaços de Santos.

Um dos destaques será o espetáculo teatral Nô Caminho: Cantos e Trilhas à Beira da Saudade, no dia 18 de novembro, às 19h30, no Sesc Santos (R. Conselheiro Ribas, 136, Aparecida). A montagem reúne mais de 50 participantes, com idades entre 8 e 83 anos, com e sem deficiência, em uma apresentação que combina música, poesia e histórias de vida.

A programação também inclui oficinas gratuitas no Teatro Rosinha Mastrângelo, sempre às 13h: Tudo Vira Música, com Zero Beto, neste sábado (7); contação de histórias, com Camila Genaro, no dia 14; e cinema, com André Azenha e Paula Azenha, no dia 28. As atividades exigem inscrição prévia, conforme orientações da organização.

Entre 7 e 29 de novembro, o Centro de Cultura Patrícia Galvão recebe uma exposição de fotografias históricas que retratam os 37 anos de trajetória artística do Projeto TAMTAM.

O encerramento será em 29 de novembro, às 17h, na Casa das Culturas (Rua Sete de Setembro, 49, Vila Nova), com o sarau Nossas Vozes, reunindo poetas santistas e participação musical de Beto Soares. Todas as atividades têm entrada gratuita, com recursos de acessibilidade conforme as características de cada programação.

Fotos: Carlos Nogueira

Essa iniciativa contempla o item 4 (Educação de Qualidade) dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Conheça todos os artigos dos ODS