Seminário destaca o trabalho de Santos na prevenção dos eventos climáticos extremos
Izabely Liberado
Sistemas de monitoramento e previsão meteorológica e oceanográfica ajudam a Defesa Civil de Santos a antecipar situações de risco e emitir alertas à população diante da possibilidade de ressacas, tempestades e chuvas intensas. O trabalho permite avaliar cenários com antecedência e orientar moradores e órgãos públicos para reduzir danos provocados por eventos climáticos extremos.
Esta estratégia foi destaque no 1º Seminário de Sistemas de Monitoramento e Previsão de Eventos Climáticos Extremos na Zona Costeira: Porto e Cidade, realizado nesta quinta-feira (27) na Universidade Santa Cecília (Unisanta). O encontro reuniu especialistas e representantes de diferentes setores para discutir ferramentas e estratégias de enfrentamento aos impactos das mudanças climáticas na região costeira.
DEZ ANOS DE PARCERIA
A programação também marcou os dez anos de parceria entre o Núcleo de Pesquisas Hidrodinâmicas (NPH/Unisanta) e a Defesa Civil de Santos, além dos dez anos de trabalho conjunto do núcleo com a Praticagem de São Paulo.
A vice-prefeita Audrey Kleys destacou a importância da integração regional para ampliar a prevenção. “O El Niño já está batendo às nossas portas. Reunir todos os segmentos para pensar em prevenção e em como minimizar os impactos nos torna mais fortes. Com os nove municípios presentes, podemos trocar experiências, entender o que já está dando certo e fazer com que essas medidas sejam adotadas o quanto antes. Assim, conseguimos construir um futuro mais seguro para todos”.
PREVENÇÃO
De acordo com o coordenador da Defesa Civil de Santos, Daniel Onias, a parceria com o NPH surgiu da necessidade de ampliar a capacidade de antecipação diante de ressacas severas que provocaram impactos significativos, como a registrada em 2016.
“As informações fornecidas pelo Núcleo permitem que a Defesa Civil emita alertas antecipados e avise a população por diferentes canais, para que as pessoas possam se prevenir e evitar locais de risco”.
EVOLUÇÃO
A partir da integração entre pesquisa e poder público, os dados produzidos pelo NPH passaram a contribuir para o trabalho preventivo. As informações permitem acompanhar a evolução de fenômenos como ressacas, chuvas intensas e tempestades, além de subsidiar a emissão de alertas e a orientação da população.
“Com as mudanças climáticas, esses eventos extremos- tanto oceânicos, as ressacas, quanto meteorológicos, as tempestades, chuvas mais intensas- são mais frequentes e mais intensos. Então, temos que nos antecipar, ter informações mais precisas para divulgar para a população e para nos anteciparmos aos eventos e evitar os danos, os prejuízos e principalmente feridos e mortos”, destacou Onias.
MONITORAMENTO E PREVISÃO
A coordenadora do NPH/Unisanta e da Sala de Situação da Baixada Santista, Alexandra Sampaio, explicou que o trabalho combina dados de monitoramento com modelos de previsão meteorológica e oceanográfica.
A equipe atua diariamente na integração das informações produzidas com as Defesas Civis e os municípios da região.
O sistema reúne dados sobre nível do mar, ondas e chuva e os cruza com previsões meteorológicas e oceanográficas. Dessa forma, são produzidas informações antecipadas para os quatro dias seguintes, posteriormente comparadas com os dados registrados em tempo real pelos sensores.
“Fazemos continuamente esse exercício de previsão, observação e validação para que possamos melhorar cada vez mais”, explicou Alexandra.
As informações dão suporte à atuação preventiva da Defesa Civil, permitindo avaliar cenários, planejar ações e orientar a população e outros órgãos públicos diante da possibilidade de eventos extremos.
DEZ ANOS DE PARCERIA E NOVOS DESAFIOS
O seminário também marcou uma década de parceria entre o NPH, a Defesa Civil de Santos e a Praticagem do Porto, oportunidade para avaliar os avanços obtidos e discutir os próximos desafios, especialmente diante de um cenário de mudanças climáticas que exige cada vez mais integração, planejamento e capacidade de resposta.
A reitora da Universidade Santa Cecília, Sílvia Ângela Teixeira, ressaltou a importância da união entre ciência, poder público e instituições. “Há três décadas, nascia uma parceria que se fortaleceu ao longo dos anos entre universidade, poder público, praticagem e instituições da região. Uma união que tem a ciência como instrumento para compreender, monitorar e, principalmente, prevenir os impactos dos eventos extremos”.
PORTAL
Para mais informações sobre previsão do tempo e ações da Cidade para enfrentamento e redução dos impactos das mudanças climáticas, acesse www.santos.sp.gov.br/climasantos.
Esta iniciativa contempla o item 13 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU: Ação Climática. Conheça os outros artigos dos ODS
Fotos: Raimundo Rosa