Oficina em Santos preserva tradição cultural do bordado português
Manter viva uma tradição passada de geração em geração e valorizar uma importante expressão da cultura portuguesa. Esse foi o propósito da oficina de bordado da Ilha da Madeira, realizada neste sábado (22), na Vila Criativa Vila Nova, na Praça Rui Ribeiro Couto. A atividade reuniu pessoas interessadas em conhecer a técnica e ampliar o contato com uma manifestação cultural que faz parte da história da comunidade madeirense em Santos.
Mais do que aprender pontos e desenhos, os participantes tiveram a oportunidade de conhecer aspectos da história do bordado madeirense e português, marcado pela delicadeza, riqueza de detalhes e identidade própria. Com os materiais disponibilizados no local, a oficina proporcionou um momento de aprendizado, troca de experiências e valorização dos saberes tradicionais.
À frente da Associação Luso-Brasileira de Beneficência Madeirense (Alma), Maria Vieira Sardinha veio de São Paulo especialmente para ministrar a oficina. Para ela, a iniciativa representa uma oportunidade de compartilhar conhecimentos e manter viva a tradição do bordado madeirense.
“Viemos ministrar esta oficina com muito carinho e com o propósito de compartilhar um pouco da cultura e da tradição madeirense. O bordado faz parte da nossa identidade e é muito importante que esse conhecimento continue sendo transmitido para novas gerações. Para nós, estar em Santos, onde existe uma comunidade madeirense tão forte e uma história tão bonita ligada à Ilha da Madeira, é uma grande alegria”.
CONHECIMENTO QUE PASSA DE GERAÇÃO PARA GERAÇÃO
Entre as monitoras também estava a moradora do Morro do São Bento, Maria Carmina d Andrade Sebastião, 76 anos, que carrega no cotidiano uma tradição que aprendeu ainda na infância. Filha de Isabel da Paixão Fernandes de Andrade – uma das integrantes da União das Bordadeiras e natural de Campanário, na Ilha da Madeira – ela aprendeu a arte do bordado desde criança e hoje celebra a oportunidade de compartilhar esse conhecimento.
“Aprendi a bordar ainda criança com a minha mãe, que trouxe essa tradição da Ilha da Madeira. É uma lembrança muito especial da minha família e da minha história. Hoje, poder ensinar e passar esse conhecimento para outras pessoas é uma alegria muito grande. A gente não pode deixar essa tradição acabar, é preciso continuar ensinando para que ela permaneça viva”, disse.
Segundo Maria Carmina, o bordado madeirense é uma arte que exige delicadeza, paciência e dedicação, já que cada peça é confeccionada cuidadosamente e pode levar bastante tempo para ficar pronta. “É uma arte muito delicada e que exige bastante paciência. A confecção é demorada porque cada detalhe precisa ser feito com cuidado. Mas todo esse tempo vale a pena quando vemos a peça pronta. É um trabalho que carrega história, dedicação e muito carinho”, completou.
TRADIÇÃO PRESENTE NA CIDADE
A relação entre Santos e a Ilha da Madeira é antiga e ganhou força com a chegada de imigrantes madeirenses entre o final do século 19 e o início do século 20. Muitos deles se estabeleceram nos morros da Cidade, especialmente no São Bento, levando consigo costumes, saberes e manifestações culturais que passaram a integrar a identidade santista. Entre essas heranças estão o bordado, a música e as danças folclóricas.
Ao longo dos anos, entidades e grupos ligados à comunidade madeirense contribuíram para a continuidade dessas manifestações, mantendo vivas práticas que atravessaram gerações. Ao reunir participantes em torno do bordado, a oficina criou um espaço de aprendizado e convivência, mostrando que a preservação de uma tradição também depende da oportunidade de ensinar e compartilhar esses conhecimentos com novas gerações.
Mais do que ensinar uma técnica artesanal, a atividade valoriza memórias, histórias e saberes que continuam fazendo parte da vida cultural da Cidade. “Participar da oficina foi uma oportunidade de conhecer mais de perto uma tradição tão bonita e que faz parte da nossa história. O bordado exige atenção, paciência e dedicação, mas também proporciona muita satisfação. É muito bom poder aprender, trocar experiências e contribuir para que esse conhecimento continue sendo compartilhado”, falou a funcionária pública aposentada, Carminda de Mesquita, 70 anos.
A ação contou com a realização e o apoio de instituições ligadas à comunidade luso-brasileira e à preservação da cultura da Ilha da Madeira, fortalecendo os vínculos históricos entre Santos e a cultura portuguesa. A iniciativa também teve caráter solidário. Os participantes foram convidados a contribuir com 1 kg de alimento não perecível, destinado a pessoas em situação de vulnerabilidade, unindo a valorização cultural à solidariedade.
Esta iniciativa contempla os itens 4 e 8 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU: Educação de Qualidade. Conheça os outros artigos dos ODS
Fotos: Carlos Nogueira