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Agosto Lilás: projeto Marias da Penha garante acolhimento e informação em Santos

Publicado: 27 de agosto de 2026 - 14h19
Atualizado: 27 de agosto de 2026 - 14h20

Caterina Montone

Já ouviu falar na teoria do girassol? Quando tudo parece nublado, os girassóis se voltam uns para os outros em busca de luz e energia compartilhada. É a partir dessa ideia que pode ser definido o Marias da Penha, projeto da Secretaria de Educação (Seduc) que, desde 2022, promove acolhimento, informação e diálogo entre mulheres do Morro da Penha, em Santos.

A iniciativa ganha ainda mais significado durante o Agosto Lilás, mês de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher.

Realizados mensalmente na UME Orlando Adegas (Rua Quatro, 80), os encontros reúnem mulheres da comunidade para conversar sobre violência e outros temas do universo feminino. A ação também é aberta a todas as mulheres da comunidade, mesmo àquelas que não têm parentes matriculados na unidade, e não há limite de participantes.

Em um ambiente de escuta e acolhimento, o projeto busca ampliar a rede de apoio e mostrar que falar sobre o assunto também é uma forma de prevenção, um espaço de informação, apoio e a certeza de que ninguém precisa atravessar os momentos difíceis sozinha.

PRÊMIO

Em 2025, inclusive, o Marias da Penha conquistou o 1º lugar na categoria Entidade Pública do Prêmio #Rompa TJSP/Apamagis, promovido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) em parceria com a Associação Paulista de Magistrados (Apamagis).  

IMPACTO POSITIVO

A ideia surgiu após palestra sobre violência doméstica que despertou em Juliane Baroni, então diretora da UME Orlando Adegas, a reflexão sobre o papel da escola na construção de uma sociedade mais consciente desde a primeira infância. “Por que esses meninos, que são educados e criados por nós, mulheres, quando crescem, tornam-se os nossos algozes? Então, passei a estudar o tema da violência de gênero”, contou ela, atual chefe de Seção da Educação Infantil.

O que começou como uma ação pontual ganhou força nos primeiros meses. Com o apoio da Unidade de Saúde da Família, do Conselho dos Direitos da Mulher, de profissionais da educação e de parceiros, são realizadas palestras, atividades culturais e práticas pedagógicas voltadas às crianças de 4 meses a 5 anos. Com o tempo, o projeto passou a envolver toda a comunidade escolar, fortalecendo vínculos com as famílias e ampliando a participação das mães.

Para Juliane, o maior desafio foi incorporar a iniciativa à sala de aula, indo além dos debates com as moradoras da comunidade. “Como trabalhar essa temática, que é tão desafiadora, com crianças tão pequenas? A estratégia se baseou na valorização dessas mulheres e, principalmente, daquelas que fazem parte da convivência das crianças. As professoras tiraram fotos das mães e as espalharam pela sala de aula, na altura das crianças. E algo que parece tão simples trouxe reações inusitadas: crianças com a mão na foto, às vezes sorrindo, às vezes chorando de saudade”.

O Marias da Penha já foi incorporado ao Projeto Político-Pedagógico (PPP) da escola, tornando-se uma ação permanente. 

SERVIÇO

Para informações sobre a data do próximo encontro e outros detalhes, basta ligar para (13) 3213-4871.

 

Esta iniciativa contempla os itens 4, 5 e 16 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU: Educação de Qualidade, Igualdade de Gênero e Paz, Justiça e Instituições Eficazes. Conheça os outros artigos dos ODS

Fotos: Raimundo Rosa