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Mães atípicas vivem tarde de autocuidado e acolhimento na Casa da Mulher de Santos

Publicado: 27 de maio de 2026 - 13h38
Atualizado: 28 de maio de 2026 - 12h32

Caterina Montone

Toda estrutura precisa de uma base forte para permanecer de pé. E, quando essa base é formada por mães que dedicam a vida inteira aos filhos, também é preciso lembrar de cuidar de quem sustenta tudo. Com esse olhar, a Casa da Mulher de Santos (Vila Mathias), em parceria com o Instituto Autismo Brasil, promoveu, terça-feira (26), uma tarde de autocuidado dedicada a mães atípicas. 

A ação integrou as homenagens de maio e a campanha Toda Mãe Importa, promovida pela organização social sem fins lucrativos. Busca lembrar às mães atípicas da importância de também olharem para si mesmas, já que muitas acabam deixando de se enxergar como mulheres para assumirem exclusivamente o papel de cuidadoras, sem uma rede de apoio. 

O evento ofereceu diversos serviços em parceria com instituições da Cidade. Enquanto as crianças eram acolhidas em um espaço recreativo pela Clínica-Escola do Autista, as mães puderam participar de sessões de massagem, limpeza de pele, maquiagem e design de sobrancelhas, em parceria com a Nespro, além de escovação e manicure oferecidas pelo Instituto Embelleze. A programação também contou com atividades de coloração pessoal, sessão de fotos e rodas de conversa sobre autoestima e bem-estar.

“É uma parceria importante do Instituto com a Casa da Mulher, que promove eventos para mães que precisam resgatar a dignidade, a autoestima e a vivência da maternidade, mostrando a elas que há vida e mulheres dispostas a ouvi-las. Queremos que elas e seus filhos se sintam acolhidos, sem a preocupação de não terem com quem deixá-los, ajudando também a romper o isolamento social”, ressaltou a secretária da Mulher, Cidadania, Diversidade e Direitos Humanos (Semulher), Nina Barbosa.

“Pesquisa aponta que mais de 80% são mães solo e que mais de 92% dos cuidadores de pessoas com deficiência são mulheres. Ou seja, se acostumaram a não serem cuidadas. Decidimos começar justamente por um lugar para o qual ninguém estava olhando: a base, a estrutura dessa família, que é essa mãe. Porque, se não cuidarmos da fundação, esse prédio, essa obra, desmorona”, completou a presidente do Instituto, Fabíola Souza.

RESGATE

Mônica Almeida, 34 anos, havia acabado de fazer as sobrancelhas pela primeira vez em três meses. Para muitas mulheres, pode parecer apenas vaidade. Mas, para a mãe de duas crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) - uma delas com nível 3 de suporte -, o autocuidado, aliado à limpeza de pele, maquiagem e colorimetria, representava um resgate da própria essência e da vontade de voltar a se olhar no espelho.

“É nesses momentos, em que deixamos um pouco de lado a tarefa de cuidar do outro, que conseguimos nos enxergar novamente. Estou me achando linda, mas o mais importante, para mim, foi voltar a aprender a me comunicar com outras pessoas além da minha família. No início, me senti travada porque nós, mães atípicas, acabamos ficando muito fechadas em casa”, afirmou a moradora do Jabaquara.

O evento da campanha  é uma realização do Instituto Autismo Brasil, com apoio da Secretaria da Mulher, Cidadania, Diversidade e Direitos Humanos (Semulher) e da Casa da Mulher, além do patrocínio da Autoridade Portuária de Santos e do Governo Federal, por meio do Ministério de Portos e Aeroportos.

Esta iniciativa contempla os itens 3, 4 e 16 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU: Saúde e Bem-Estar, Educação de Qualidade e Paz, Justiça e Instituições Eficazes. Conheça os outros artigos dos ODS

Fotos: Carlos Nogueira