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Único homem do grupo, Jeferson se destaca na Companhia Santista de Balé

23 de março de 2019
11h 00

VAGNER DANTAS

 

“Nossa, um menino fazendo balé?”. Nos últimos sete anos, Jeferson da Silva Souza teve de ouvir esta mesma pergunta inúmeras vezes. “Até hoje as pessoas se espantam. Mas curto o quanto elas ficam curiosas para saber mais sobre o caminho que escolhi”. O bailarino era bem novo quando decidiu acompanhar a irmã mais nova nas aulas de balé da Escola Livre de Dança, em Santos. “Ela havia dito à minha mãe que não queria fazer balé sozinha. Então decidi ir com ela”, comentou.

A caçula ficou apenas um ano dançando, mas Jeferson não parou mais. “No início só meus pais sabiam que eu fazia balé, mas aos poucos fui perdendo o receio. Agora tudo é mais natural”, conta o rapaz.

Atualmente com 20 anos, é o único homem do grupo de 15 bailarinos da Companhia Santista de Balé Secult, que no próximo dia 27 embarca para a Holanda, onde participa do AmsterDans International Competicion, um dos principais festivais de dança do país europeu. Ele é um dos cinco remanescentes do grupo que há três anos esteve em Berlim, no festival Tanzolymp, na primeira viagem internacional da companhia.

Filho de uma família de quatro irmãos, o jovem tem no pai, o mecânico Carlos Souza, e na mãe, a diarista Mônica Oliveira, seus maiores incentivadores. “Olho para eles e vejo que mais do que me apoiar, eles acreditam em mim de verdade. Isso me dá muita força”.

O amor dos pais aliado a muita aplicação fez Jeferson se destacar na Escola Livre de Dança, e há quatro anos entrou para Companhia Santista de Dança Secult. O ingresso no grupo fez com tivesse mais convicção de que a dança era o seu caminho. Porém, tudo ficou ainda mais nítido após a montagem do espetáculo Eu Acredito!, em 2017. “Senti uma emoção muito grande na estreia. Depois daquela noite, sabia que o meu destino era dançar”.

  

A dança como aprendizado de vida

 

Fazer parte de uma companhia trouxe a Jeferson mais foco, disciplina e ensinamentos preciosos. “Passei a aprender com o erro do outro. Quando eu vejo uma colega sendo corrigida, penso: eu também posso estar errando. Procuro levar estas pequenas lições para minha vida”.

Quem tem a oportunidade de ver de perto uma performance do jovem tem a certeza que sua aplicação não é apenas uma questão de boa retórica. No momento da ação, o bailarino - assim como todo grupo da Companhia Santista de Dança - se entrega à coreografia numa intensa mistura de precisão, força e talento.

A sequência de Vozes Caladas - criada pela coreógrafa Laura Moeckel, e que será apresentada em palcos europeus - poderia vir acompanhada do alerta: “não tente fazer isso em casa”. São quatro minutos de dança de tirar o fôlego.  

“A coreografia exige tudo de nós, principalmente do físico”, comentou o jovem, que tem algumas ataduras nos pés e as dores nas costas como companheiras mais próximas. “Com o tempo a gente entende o valor do treino. Quando chega na hora da apresentação, você se sente mais pronto, pois ensaiou com todo empenho”. Na Holanda, Jeferson também fará um solo.

 

Cada passo de uma vez

 

Depois de retornar da viagem à Europa, Jeferson pretende seguir se dedicando à dança. Ao falar do futuro, ele traz à tona outro ensinamento do balé: mais importante que o tamanho do salto é a precisão do passo. “Desejo continuar minha carreira, mas sabendo exatamente onde vou pisar.  Tudo que envolve arte no Brasil é mais difícil e, por outro lado, a gente também não pode se deslumbrar”.

Outro traço da humildade e da maturidade surge quando é questionado sobre o que ele diria a um menino que gostaria de fazer balé. Primeiro retruca: “Sou jovem demais para dar conselhos”. No entanto, depois de pensar um pouco, diz: “O balé é mundo de sacrifício. Vai doer muitas vezes. Mas a satisfação que você tem quando se apresenta, e quando você vê o que um grupo de pessoas pode fazer, unido, faz tudo valer a pena”.   

 

Fotos: Susan Hortas

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