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Turziani lida com segurança de milhares de famílias

18 de outubro de 2019
12h 28

Quando se formou em Engenharia Civil, aos 53 anos, José Carlos Turziani da Silva, hoje com 60, não imaginava que, logo depois, deixaria a Subprefeitura da Zona Noroeste para trabalhar em uma área tão importante para a segurança de milhares de famílias de Santos. Coordenador de Riscos Naturais e Tecnológicos da Defesa Civil, ele atua diretamente em ações de prevenção que exigem persistência, agilidade e, sobretudo, capacidade de lidar com situações perigosas ou trágicas.

Turziani é servidor público há 27 anos. Ingressou na Prefeitura como motorista, foi para o Departamento de Obras e, depois, começou a trabalhar na Subprefeitura da ZN logo que ela foi criada, em 1993. Hoje, coordena atividades estratégicas em casos de incêndio, deslizamentos de terra ou de blocos rochosos e desabamentos.

“Quando tem um incêndio, por exemplo, sou chamado para avaliar as moradias, quantas foram atingidas e o risco de outras entrarem em colapso. Depois, ajudamos a remover as famílias e levá-las para um local seguro. Quantificar as residências incendiadas é complicado quando são palafitas, moradias de madeira de vários tamanhos e sem divisão”, explica.

A coordenadoria também é acionada para os morros até mesmo por moradores que pressentem algum risco. “Na verdade, avaliamos os riscos permanentemente. Temos 17 morros onde moram cerca de 35 mil pessoas”. Em áreas de risco alto e muito alto como encostas, são 4 mil sob a responsabilidade de Turziani. Por isso, seu trabalho é de sentinela.

Com a proximidade do verão e da temporada de chuva, também faz parte das atividades do coordenador bater de porta em porta, conversando com moradores sobre a importância de estarem alertas a qualquer sinal de risco, como trincas nas paredes, água barrenta e árvores inclinadas.

E quem pensa que a equipe do coordenador é acionada apenas nestes casos está enganado. Ataque de abelhas e cãozinho abandonado também estão entre as ocorrências registradas pela coordenadoria.

DESAFIOS

Perguntado sobre seus maiores desafios, ele aponta que os atendimentos de incêndio são sempre difíceis, destacando o caso de uma marcenaria tomada pelo fogo no Paquetá, onde a Defesa Civil descobriu o armazenamento de fosfeto de alumínio, produto que liberou gás tóxico ao entrar em contato com o fogo. “O que nos assustou foi ver que uma marcenaria jamais deveria armazenar um produto químico, ainda mais um altamente tóxico. Nós descobrimos isso às 4h da madrugada”.

Mas Turziani frisou que conter ocupações irregulares é a maior de todas as suas preocupações. “As pessoas ocupam áreas sem saber e depois não querem sair. Muitas pensam que nada vai acontecer com elas, mas não é verdade. Elas escavam encostas e contribuem para antecipar as coisas”.

Apesar dos desafios e do estado permanente de monitoramento, ele comemora a marca de 0 mortes, desde 2000, em deslizamento nos morros. “O mais gratificante é quando conseguimos identificar uma situação, remover a família, indicar obras para minimizar os riscos e ver que ela está sendo realizada. Meu trabalho é o de ajudar a prevenir vidas”.

Para Daniel Onias, coordenador da Defesa Civil, o perfil de Turziani se destaca por estar de acordo com as necessidades da função. ‘’Ele tem longa experiência, mas ressalto a presteza e a dedicação a qualquer hora, seja em situações críticas como em trabalho preventivo, que é essencial’’.