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Simpósio da dengue trouxe informações importantes para a saúde de 33 cidades

Publicado: 1 de março de 2002
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Os pequenos municípios do Interior paulista foram os mais beneficiados com o I Simpósio de Controle da Dengue, realizado ontem (1), em Santos, na medida que receberam informações importantes sobre o trabalho desenvolvido em cidades com bastante experiência no controle da doença. A Secretaria Municipal de Saúde de Santos (SMS) mostrou em data show a série de ações que vêm sendo desenvolvidas ao longo dos últimos meses pela Prefeitura, conseguindo impedir que a epidemia tomasse um contorno mais grave, tal como ocorre hoje no Rio de Janeiro. Essa foi a avaliação do simpósio, realizado no Mendes Convention Center, formulada pelo presidente do Conselho de Secretários Municipais de Saúde e titular da Pasta de Saúde de Marília, médico José Enio Servilho Duarte. Ele elogiou a iniciativa de Santos que proporcionou a troca de experiências entre secretários e técnicos da Saúde de 33 cidades paulistas, enfatizando que o caminho para vencer a epidemia passa pelo trabalho conjunto e o envolvimento da sociedade como um todo. Esse é o caminho certo. Na mesma tecla bateu o subsecretário de Saúde da Capital, Pedro Dimitrov, que representou o secretário Eduardo Jorge, que não pode comparecer ao evento, na medida que coordenou um Fórum (também sobre dengue) na Capital paulista. O encontro de secretários e técnicos da Saúde reuniu no Mendes cerca de 250 pessoas, entre elas a alta cúpula da Sucen no Estado, Luiz Jacintho da Silva (superitendente) e Carmen Glasser, (diretora técnica) que reafirmaram a posição do órgão em não realizar mais no Estado a pulverização pesada (fumacê) em razão do desastre representado pelo uso indiscriminado dos inseticidas, que criaram resistência aos mosquitos vetores da dengue. Carmen Glasser da Sucen confirmou que será feita na Baixada Santista a substituição do Cipermetrina (do grupo piretróides) pelo Malathion (do grupo do organofosforados), embora esse último inseticida também já registre resistência dos Aedes aegypti, em torno de quase 50%. Participaram ainda do simpósio representantes do Ministério da Saúde/Funasa, da Anvisa, e do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado e Instituto Adolfo Lutz. A técnica Gizelda Katz, do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE), passou noções importantes sobre as diferenças entre dengue clássica, febre da dengue hemorrágica e choque da dengue hemorrágica e os critérios que o órgão usa para determinar quando se trata da forma mais grave da doença. No momento, o CVE analisa sete novos casos de suspeita de dengue hemorrágica no Estado, quase todos da Baixada Santista. O órgão informou que em todo o Estado já foram apontados quatro casos positivos dengue hemorrágica, um deles de Santos, dois de Campinas e um da Capital, sendo um caso importado, com isolamento do vírus tipo 3, adquirido no Rio de Janeiro. O secretário Estadual de Saúde, José da Silva Guedes (que se encontra fora do País), foi representado pelo diretor da DIR XIX, José Ricardo Di Renzo, que também elogiou a iniciativa da Prefeitura de Santos, na busca de um trabalho integrado, e fez questão de enfatizar que cabe, a cada município comandar as ações no controle da doença, enquanto os outros órgãos auxiliam na tarefa. A SMS pretende agir também no Porto de Santos, área que antes estava restrita ao controle da Sucen e Anvisa. EXAMES SOROLÓGICOS Um dos aspectos importantes do I Simpósio sobre a Dengue realizado ontem em Santos, foi a definição clara de vários pontos polêmicos no controle da epidemia, de acordo com as normas preconizadas pelo Ministério da Saúde, Sucen, Instituto Adolfo Luz e CVE. Um desses pontos é o impedimento do uso do fumacê pela Sucen. E também houve esclarecimento sobre a decisão das autoridades da Saúde estaduais, entre elas, a representante do CVE de que haverá a suspensão dos exames de sorologia para dengue, realizados pelo Adolfo Lutz, quando os municípios, que enfrentam a epidemia, apresentarem a proporção de 300 casos por 100 mil habitantes. Santos já registra mais de 800 casos, e tem como cota máxima de exames l.200. Os serviços de Saúde devem fazer os diagnósticos com base nas exames clínicos, sendo que a sorologia fica restrita para casos graves de dengue, com manifestações hemorrágicas e outros sintomas graves. Para efeito de epidemiologia, segundo explicou Gizelda Katz, do CVE, não há necessidade de exames sorológicos em toda a população que apresentar sintomas da dengue, o que traz uma sobrecarga ao Adolfo Lutz, na medida que já se sabe que existe a epidemia. O bom atendimento médico ao paciente e as ações de bloqueio é que são importantes, disse. Os agentes de Saúde e Sucen, com base nos casos suspeitos, fazem a busca de criadouros nas áreas de infestação e pulverização costal. As notificações devem continuar a ser feitas de forma imediata, enfatizaram as autoridades, lembrando que quando o município mascara essa realidade, diminuindo os números da epidemia, traz conseqüências sérias para a própria população. Foi destacada a importância de grande vigilância nos suspeitos de casos importados que podem representar a chegada do vírus 3, considerado de maior virulência. MUNICÍPIOS REIVINDICAM MAIS VERBAS PARA A DENGUE O Executivo e o presidente do Conselho Estadual de Secretários Municipais de Saúde, José Ênio Servilha Duarte, que também representou ontem o conselho nacional (Conasems) reivindicaram, durante a realização do I Seminário de Controle da Dengue, o envio de mais verbas por parte do Ministério da Saúde. Santos recebe R$ 2,00 por habitante, pelo programa PPI-ECD do Ministério da Saúde, o que dá uma média de R$ 74 mil mensais, ou R$ 880 mil ano, para o controle de várias endemias e outras doenças transmissíveis, mas seria importante que esses recursos fossem aumentados diante da gravidade da epidemia no Estado. O Município gastou no ano passado cerca de R$ 3 milhões com o controle da doença, segundo o Secretaria de Saúde. Na avaliação de José Ênio, o montante repassado em média para os municípios pela Pactuação Integrada no Combate de Endemias é em torno de R$ l,80 por habitante. O ideal é que esse valor fosse aumentado em 40% e nesse sentido é que todos os secretários de Saúde devem estar trabalhando, lembrou. O representante do Ministério da Saúde presente ao encontro, José Antonio de Rezende, argumentou que o Governo Federal investe R$ l milhão e 300 mil diariamente para cuidar da dengue em todo o País. Admitiu, porém, que a situação da epidemia é preocupante e disse que o ministério está sempre aberto para novas discussões. MUTIRÃO NOS CEMITÉRIOS ACONTECE HOJE (2) A fim de eliminar criadouros do mosquito Aedes aegypti, a Prefeitura, por intermédio da Coordenadoria de Saúde Coletiva, ligada à Secretaria Municipal de Saúde (SMS), realiza, hoje (2), um mutirão nos três cemitérios públicos de Santos: Areia Branca, Filosofia e Paquetá. Com início previsto para as 8h30, a iniciativa vai envolver a participação de 120 agentes de controle da dengue, responsáveis pela distribuição de areia e panfletos à população que visitar as necrópoles. No total, serão dados 1.500 saquinhos, equivalentes a 15 metros cúbicos de grãos. Entre as orientações passadas aos visitantes está a de evitar levar bromélias às sepulturas, porque esse tipo de planta necessita de bastante água para sobreviver, tornando-se criadouro do inseto. A limpeza dos vasos de flores será feita por 30 funcionários da Secretaria de Obras e Serviços Públicos (Seosp), que irão recolher também outros recipientes que acumulem água parada. O mutirão inclui, ainda, um trabalho de consciência junto aos floricultores. A eles, será recomendado não vender copos com flores artificiais, já que o gesso é colocado apenas até a metade do receptáculo, o que cria condições de acúmulo de água no restante do mesmo. Neste caso, a solução é cobrir o copo inteiro com gesso. A Secretaria de Saúde está solicitando também às pessoas que têm familiares sepultados nos cemitérios locais para que participem do mutirão, aproveitando para fazer a limpeza geral das campas, colaborando assim para eliminar criadouros do Aedes aegypti.