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Setembro Verde: sensibilização de famílias é um dos destaques de jornada sobre doação de órgãos

16 de setembro de 2019
17h 28

Sensibilização para aumentar a doação de órgãos e tecidos e agilidade no diagnóstico de morte encefálica para evitar a parada cardiorrespiratória e viabilizar os transplantes. Esses foram alguns dos destaques da primeira Jornada Santista de Doação de Órgãos, ocorrida nesta segunda-feira (16), na Santa Casa de Santos. A ação integrou a programação especial da campanha Setembro Verde, promovida pela Prefeitura.

A situação atual dos transplantes no Brasil foi abordada pelo superintendente do Hospital do Rim e membro do Conselho Consultivo da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, José Osmar Medina, que falou do trabalho criterioso realizado no país, que necessita ser divulgado à sociedade para ajudar na conscientização.

O Brasil é o segundo país no mundo em número de transplantes realizados e o primeiro, por meio do SUS, que faz patrocínio deles e ainda fornece medicamento para vida toda do paciente. “Esse é o sistema mais justo, até que o do sistema americano e de outros países”, diz o médico especialista.

A solidariedade, como uma característica da população brasileira, é positiva para auxiliar no crescimento de autorizações das famílias dos possíveis doadores. “Se você conhece alguém que foi transplantado, você vê que o sistema funciona. Os órgãos são alocados para o primeiro da fila, independentemente da condição cultural ou socioeconômica. A chance do transplante dar certo hoje é de 95% para rins e córneas. Para coração, fígado e pulmão, um pouco menos, mas ainda assim vale a pena, porque o transplante restitui a pessoa, a capacidade física, sexual e profissional dela”, explica Medina.

ATITUDE

Como fazer isso? É simples: basta as pessoas expressarem de maneira informal o desejo de ser doador. “A família sempre entende e é até uma forma da pessoa continuar ‘viva’ após a morte, contribuindo com a sociedade”. Pelo levantamento, as recusas de famílias ocorrem porque a pessoa não expressou nada em vida, lembrando que não há dogma religioso que impeça a doação.

De acordo com o coordenador da Central Estadual dos Transplantes, Francisco de Assis Salomão Monteiro, a recusa familiar é ainda elevada: 40% negam a doação dos órgãos e tecidos do ente querido. “É um número bem alto. As pessoas precisam saber como é todo o processo para se sentirem seguras e autorizar”.

Esta conscientização, aliada à maior rapidez no diagnóstico precoce da morte encefálica, torna mais fácil a doação de órgãos ser um sucesso. “Porque o processo de retirada dos órgãos precisa ser concluído antes que o comprometimento da função cardíaca se torne irreversível”, comenta o coordenador Salomão Monteiro.

Atualmente, a lista de espera para conseguir um rim no Estado é de 14.500 pessoas; para córnea, 2.814; fígado, 800 pessoas; coração, 196; pulmão; 99; pâncreas, 40; pâncreas/rim, 400. “A viabilização de doador não acontece com a mesma rapidez que entram novos pacientes que precisam de transplantes. E o tempo de espera para rim, por exemplo, é de dois anos e meio”, comenta o coordenador Francisco.

OUTROS DESAFIOS

Apesar do sistema ser organizado no Brasil, Medina citou o desafio da disparidade geográfica, com infraestrutura ainda pouco desenvolvida em alguns estados, diferente do que ocorre em São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Pernambuco e Ceará, por exemplo. “Com um sistema bem estruturado como o nosso, a chance de ser transplantado é maior. Para melhorar isso, trabalhamos na capacitação de pessoas para diminuir essa disparidade e na criação de um programa mais efetivo”, complementa o médico Medina, do Hospital do Rim.

Sobre a participação da Baixada Santista nessa política de transplantes, Medina salienta que, mesmo todos os pacientes ainda sendo transplantados na Capital, a região possui um sistema de captação de órgãos efetivo. “O Irmã Dulce (Praia Grande) e a Santa Casa são alguns dos hospitais bastante dedicados ao diagnóstico de morte encefálica e na notificação de potencial doador. Funciona muito bem”.

DEPOIMENTO

Um dos beneficiados pelo transplante de rim e que participou da jornada foi Claudio Trotti. Ele passou quatro anos e meio em fila de espera, hemodiálise três vezes por semana e em cada dia, quatro horas na maca. Feliz por estar vivo e por completar dois anos de nova vida neste último domingo (15), falou para a plateia, num breve resumo do que foi o período de espera. “É ruim demais. A injeção colocada na gente é do tamanho de um prego, muito grossa. E um dia sim, um não, você tem que encarar essa injeção. Mas passou, glória a Deus”.

SERVIÇO

As pessoas interessadas podem tirar dúvidas sobre o assunto e auxiliar a sociedade a ser beneficiada com os transplantes pelo Santos Portal, onde há uma lista com os principais questionamentos. Pelo último levantamento da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), em março deste ano havia 33.984 pacientes na lista de espera para receber órgãos e tecidos no Brasil - 15.701 apenas no estado de São Paulo.