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"Santos mudou minha vida", diz paratleta de olho em Tóquio

Publicado:
16 de abril de 2021
10h 25
vanessa está ajoelhada no chão ao lado da bicicleta adaptada. #paratodosverem

Esta é a quinta matéria da série sobre atletas de Santos que tentam vagas para Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio, marcados para os meses de julho, agosto e setembro deste ano

THADEU AGUIAR

 

A virada da vida

A paratleta santista Vanessa Cristina de Souza (Fupes), 30 anos, corre contra o tempo para disputar os Jogos Paralímpicos, que acontecem de 24 de agosto a 5 de setembro, em Tóquio, no Japão. Com a credencial de ser a melhor maratonista em cadeira de rodas do País, ela precisa garantir a vaga em meio às incertezas causadas pela pandemia de covid-19.  Mas, com o sorriso no rosto e muita confiança, está pronta para superar qualquer obstáculo até conquistar seu grande sonho: trazer a medalha para Santos.

Vanessa é hoje uma das principais atletas do mundo na sua categoria, após vencer maratonas internacionais como a de Los Angeles (Estados Unidos), Sevilha (Espanha), Lisboa (Portugal), além de provas como a Meia-Maratona de São Paulo e a São Silvestre. Tantos pódios já lhe renderam o prêmio de Melhor Atleta das Américas, dado pelo Comitê Paralímpico das Américas.
A busca pelo índice para Tóquio esbarra na falta de competições interrompidas pela pandemia. "Em Sevilha fiquei a 37 segundos da marca. Não pude participar da prova em Londres por causa da pandemia. Então precisamos aguardar uma competição", explica. Caso isso não seja possível, Vanessa pode obter a vaga por indicação do Comitê Paralímpico Internacional, por estar entre as 10 melhores do ranking mundial. "A ansiedade atrapalha, mas me fortaleci muito nesse período de pandemia e agora me concentro apenas em treinar e estar pronta para conquistar essa medalha inédita para a maratona paralímpica feminina".


SANTOS MUDOU MINHA VIDA


Aos 24 anos, Vanessa, residente em Praia Grande, sofreu um acidente de moto a caminho do serviço, em Santos, onde trabalhava como garçonete, precisando amputar a perna esquerda. "Eu estava internada há dois dias e sentia muita dor.  Aceitei muito rápido, desde o momento que o médico falou que eu sofria risco de morte", conta.

A partir daí, começou uma transformação em sua vida. "Oito meses após o acidente, quando já estava com uma prótese, um professor me viu em um ponto de ônibus e perguntou se eu conhecia o esporte adaptado e foi quando eu me interessei e fui conhecer o Projeto Fast Wheels, no Ginásio Rebouças, em Santos. Fui recebida com muito carinho, conheci meu técnico Eduardo Leonel e tive meu primeiro contato com a cadeira de rodas, aprendi a andar junto com as crianças".  Não demorou muito para verem o talento da paratleta que, com muito treino e incentivo, começou a brilhar nas competições.

"Santos é minha casa. Veio para mudar minha vida", conta a velocista.  "Nunca imaginei que o acidente poderia transformar minha vida para melhor. Eu não praticava esportes e hoje já viajei sete países, sou reconhecida mundialmente e muito feliz com tudo que vem acontecendo na minha vida", diz. "Eu acredito que Deus não dá algo que você não possa suportar. Se me perguntarem se eu queria voltar para quando eu tinha duas pernas, eu respondo: não quero", completa. 

Foto: Isabela Carrari