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Santistas começam a ser testados em estudo que identifica quem já contraiu covid-19

1 de maio de 2020
17h 04

O operador de empilhadeira Sidionir Mazagão, 63 anos, morador do Saboó, testou negativo para covid-19 na manhã desta sexta-feira (1º), dia inicial da primeira etapa de uma pesquisa científica que vai identificar, por amostragem aleatória via sistema computadorizado, o percentual de moradores da Baixada Santista que já tiveram contato com o novo coronavírus, identificando anticorpos. O objetivo é auxiliar as decisões dos municípios nos aspectos de saúde, social e econômico.

Sidionir é um dos 581 santistas que vão passar por testes rápidos nesta fase do estudo, que prossegue até domingo (3) e já apresentará resultados na segunda-feira (4).

Ele e a esposa Clarice, de 59 anos, estão isolados socialmente desde a decretação da quarentena. De férias antecipadas, o casal não teve nenhum sintoma da covid-19. “Agora que fiz o teste, estou mais tranquilo. Aprovo a medida da Prefeitura de isolamento porque neste momento é o único remédio”.

A dona de casa Rosa Maria Ferreira Galacho Lopes, 66 anos, igualmente foi testada e teve resultado negativo. Ela também reside no Saboó e, assim como Sidionir, não apresentou sintomas da Covid-19. “Sou favorável ao isolamento e estou aliviada de não ter tido a doença”.

 

Procedimento

O teste é semelhante ao de glicemia: com uma lanceta descartável, agentes comunitários de saúde e enfermeiros fazem um pequeno furo na polpa do dedo anelar para extrair o sangue. Quinze minutos após o sangue e a substância reagente serem colocadas no teste, sai o resultado. Se aparecer uma barra horizontal ao lado da letra T, significa que a pessoa já desenvolveu anticorpos para o novo coronavírus.

Todos os profissionais foram treinados. Eles estarão com equipamentos de proteção individual descartáveis (máscara, gorro, óculos, avental) e identificados com crachá.

O munícipe receberá um termo com todas as informações acerca da pesquisa e um número de telefone para tirar dívidas. Caso aceite contribuir voluntariamente com o estudo, deve assinar o documento. Somente após este consentimento, a coleta é iniciada.

 

Estudo

Nas nove cidades, o estudo abrange quatro etapas, com 10 mil pessoas pesquisadas, sendo 2,5 mil por etapa. As próximas três etapas seguem o mesmo protocolo, com intervalo de 15 dias entre si. Assim, em dois meses, a pesquisa estará finalizada. A compra dos testes rápidos foi financiada pelo Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb).

Denominada “Epidemiologia da Covid-19 na Região Metropolitana da Baixada Santista (Epicobs)”, a pesquisa é realizada pela Fundação Parque Tecnológico de Santos (FPTS), reunindo mais de 40 pesquisadores de todas as universidades da Região, com apoio da Associação Comercial de Santos (ACS). Além disso, foi aprovada pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa, do Conselho Nacional de Saúde.

“É um estudo inédito na região. Só há outro semelhante em Porto Alegre (RS). Tem por base o censo do IBGE, por faixa de idade e sexo. São três faixas: menor de 19 anos, entre 20 e 60 anos e mais de 60 anos. Cerca de dez dias após o contato com o vírus, o organismo passa a gerar anticorpos. Ou seja, cada etapa do estudo refletirá a infecção dez dias antes da coleta, no mínimo. Caso haja amostragem baixa de pessoas que já têm anticorpos (positivo para coronavírus), é temeroso flexibilizar as medidas de combate”, afirma o infectologista Marcos Caseiro, um dos coordenadores do Epicobs. Ele destacou que o sistema de sorteio aleatório vai contemplar todos os bairros da Cidade.

O médico explica que este exame é diferente do realizado na fase de sintomas, feito a partir da coleta de secreção das mucosas nasal e oral, cujo objetivo é identificar a presença do novo coronavírus.

Presidente do Conselho da FPTS e também coordenador da pesquisa, o secretário municipal de Governo, Rogério Santos, ressaltou a importância do estudo. “Saberemos, por exemplo, se será necessária a abertura de mais leitos, se é possível flexibilizar algumas medidas de isolamento social e de que forma os governos devem atuar na questão social”.

 

Questionário

Além da testagem, os que aceitem participar da pesquisa respondem um questionário com dados gerais, como sexo, idade, profissão e questões socioeconômicas como, por exemplo, se perdeu emprego durante a pandemia.

Também são perguntados sobre contato com alguém suspeito ou confirmado para o coronavírus, se dependem do SUS ou têm plano de saúde, com que intensidade saíram de casa e se já foram testados antes.  Imediatamente, as informações alimentarão um banco de dados, que também será considerado nas decisões futuras dos governos municipais no enfrentamento da pandemia.

 

Quantidade de amostras em cada etapa

Bertioga – 83
Cubatão – 174
Guarujá – 426
Itanhaém – 135
Mongaguá – 75
Peruíbe – 91
Praia Grande – 428
São Vicente - 487
Santos – 581
Baixada Santista: 2.478

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