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Redução de danos pode ser aplicada em ações para usuários de álcool e tabaco, diz especialista santista

Publicado: 25 de novembro de 2021
13h 46

A política de redução de danos, historicamente ligada ao uso de entorpecentes, também pode ser aplicada para ações que envolvem o consumo de drogas lícitas, tais como álcool e tabaco. A avaliação é do cofundador e primeiro vice-presidente da Associação Internacional de Redução de Danos, entidade com sede em Liverpool (Inglaterra), Fabio Mesquita. O especialista, que é santista, participou virtualmente, nesta quarta-feira (24), das ações do Dia Municipal de Redução de Danos, promovido pelo Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas (Comad) de Santos.

Partindo da Vila Criativa, na Vila Nova, foi feita uma videoconferência com especialistas para traçar o quadro atual das políticas de redução de danos. A data celebra o aniversário de 32 anos da prática no País, tendo Santos como referência pelo ineditismo das ações no setor na América Latina.

Falando por videoconferência de Mianmar (no Sul da Ásia), Fabio Mesquita, médico e doutor em Saúde Pública, e que trabalha com HIV e hepatites virais desde 1989, destacou que a principal estratégia usada tem de ser trabalhar com as pessoas sem julgamento, discriminação ou exigir que a pessoa pare de usar droga como pré-condição para apoiá-la. "Hoje essa visão vale para prevenção não só de HIV e de hepatites, mas também para quem usa drogas lícitas como álcool e tabaco. Não se deve forçar ninguém a nada". 

Mesquita fez um retrospecto histórico, lembrando que o uso de drogas data de 5.000 anos, "embora as pessoas ainda se impressionem com o assunto". Por volta de 1920, começaram as ações de proibicionismo, buscando controlar o uso de entorpecentes. "A história mundial da redução de danos também começou na década de 20". Já na década de 60, citou o especialista, começaram os tratamentos com medicação.

A redução de danos passa a tomar força na década de 1980, com a troca de seringas na Holanda, Reino Unido, Austrália, Canadá e Estados Unidos, visando diminuir casos de doenças como HIV e hepatites. A primeira conferência internacional sobre o assunto veio somente na década de 1990.

DIRETO DO CANADÁ

Também por videoconferência, falando direto de Quebec, no Canadá, a psicóloga Ana Cecília Vilela Guilhon citou que o pioneirismo de Santos nas ações de redução de danos inspiraram muitas cidades do País e também do exterior. "O apoio governamental foi fundamental, embora as ações tivessem muita resistência, que pode ser percebida ainda hoje".

Ana Cecília espera que os avanços obtidos por associações do Quebec, que lutam contra a estigmatização dos usuários e que participam de comitês e ações públicas no Canadá, possam inspirar iniciativas de outros grupos em várias partes do mundo.

COMAD

Presidente há cinco meses do Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas (Comad) de Santos, Laureci Elias Dias afirma que o órgão segue acompanhando, de perto, as ações desenvolvidas na questão da redução de danos que são desenvolvidas não somente na área da Saúde, mas também nas áreas da Assistência Social e Segurança.