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Profissionais de turismo aprendem língua de sinais

3 de agosto de 2009
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Interagir com a comunidade surda, conhecendo sua cultura, eliminar estereótipos sobre o tema e facilitar a comunicação entre profissionais do turismo, surdos e deficientes auditivos. Esses são alguns dos temas propostos no curso básico de Libras (Língua Brasileira de Sinais), por iniciativa da Setur (Secretaria de Turismo), que começou nesta segunda (3), com duas turmas, que assistiram a aulas inaugurais no Santuário de Santo Antônio do Valongo, no Centro Histórico, e no Aquário, na Ponta da Praia. Nesta terça (4), das 19h às 21h, a terceira turma inicia o curso na sede da CSS (Congregação Santista de Surdos), entidade coordenadora das aulas, localizada na Rua Tocantins, 4, no Gonzaga. Com 50 alunos inscritos, o curso é direcionado a recepcionistas bilíngues, monitoras do programa Vovô Sabe Tudo, da Seas (Secretaria de Assistência Social), e guias de turismo da Setur, além de profissionais autônomos. A carga horária é de quatro horas semanais, com encerramento previsto em dezembro. Weslei da Silva Rocha, instrutor de Libras e professor da Seduc (Secretaria de Educação), ressalta a importância de estabelecer melhor reciprocidade na comunicação. No caso dos profissionais do trade, que mantém contato com pessoas de diversos países, o contato é realizado por meio de expressões faciais, corporais e mímicas, incorporados à língua de sinais, facilitando a comunicação entre surdos de diferentes nações. "Cada país tem seu idioma, com variações linguísticas", afirma Rocha. Mônica Tintore de Araújo, instrutora da CSS, explica alguns conceitos que julga importante para melhor compreensão da sociedade sobre o tema: "Na comunidade surda, fazemos uma diferenciação entre deficientes auditivos e surdos. Normalmente os primeiros são os indivíduos que perderam a audição, que não participam da comunidade surda, rejeitando aspectos culturais. Eles, por exemplo, rejeitam o uso das Libras, sendo que ela é um idioma, com aspectos linguísticos como gramática e morfologia", disse. A responsável da Seform (Seção de Formação Técnica dos Profissionais de Turismo), Maria Leopoldina do Patrocínio e Silva, afirmou já ter notado um aumento da demanda por parte do público com deficiências: "Temos constatado maior presença dessas pessoas fazendo turismo. A Lei de Acessibilidade determina o acesso a vários benefícios, como, por exemplo, o direito ao lazer", afirmou. A guia de turismo da Setur, Carina Souza, considerou proveitosa a aula inaugural: "O curso é importante para estabelecer melhor comunicação com os surdos. Já aprendi a utilizar algumas expressões de cumprimento, assim como dizer meu nome", declarou. Já a recepcionista bilíngue Vanessa Almeida afirmou que estava realizando um antigo projeto: "Sempre tive interesse nesse curso, pois acredito que é uma boa maneira de fazer com que esse público se sinta incluído e bem-vindo à cidade".

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