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Profissionais de hospital de Santos se emocionam com cartas de crianças

15 de maio de 2020
19h 19

Patrícia Fagueiro

A emoção tomou conta do Complexo Hospitalar dos Estivadores na tarde desta sexta-feira (15): o 13º Distrito Escoteiro Costa da Mata Atlântica entregou 129 cartinhas escritas por lobinhos (crianças de 6 anos e meio a 11) de agradecimento e incentivo aos profissionais que atuam na unidade de saúde por seu trabalho em meio à pandemia de covid-19, que já atingiu milhares de trabalhadores de instituições de saúde no Brasil, alguns de forma fatal.

Todas as cartas continham o nome do funcionário e as crianças que as confeccionaram também já sabiam o cargo do destinatário, de forma a tornar a comunicação ainda mais próxima. Além dos profissionais de saúde, foram agraciadas outras pessoas da equipe de apoio, das seguintes áreas: administrativa, copa, segurança, tecnologia da informação, manutenção e recepção.

A idealizadora da iniciativa foi a técnica de enfermagem Andressa Felisberto, mãe de dois lobinhos: Michael, de 9 anos, e Mayra, de 8. Como profissional da área da saúde, ela entende o quanto é importante esse tipo de incentivo na maior crise sanitária da atual geração. “Inicialmente, o projeto incluía apenas as 26 crianças do grupo Almirante Barroso, mas outros quatro grupos de lobinhos da Baixada Santista se sensibilizaram e chegamos a 129 cartas. As crianças têm entendimento do problema e traduziram em uma linguagem simples e pura na correspondência, com palavras de solidariedade e incentivo”, diz Andressa.

Quatro funcionários receberam a correspondência em nome dos demais colegas. Cada um foi tocado de uma forma. A enfermeira Joice Ferreira Cardoso lembrou dos filhos, que estão sob os cuidados da irmã desde o início dos atendimentos aos pacientes de covid-19 no Complexo Hospitalar dos Estivadores, para evitar contaminações. Ela e o marido falam com as crianças apenas por videochamadas.

Já a técnica de enfermagem Daiane Conceição continua próxima ao filho, de 2 anos, asmático, tomando todos os cuidados para evitar contaminação. “Eu me propus a seguir na linha de frente pela enfermagem”.

O farmacêutico Paulo Bueno voltou à infância ao recordar que já foi escoteiro. “Estamos sempre alertas aqui no cuidado com os pacientes”.

“Espero que estas crianças, a partir desta atitude, incentivem outras pessoas a se tornarem seres humanos cada vez melhores. É o que temos nos tornado nos últimos dias. Passamos a enxergar a importância que o outro profissional tem”, destaca a médica Isabela Polato de Assis Costa.

Paula Almeida, coordenadora do 13º Distrito Escoteiro Costa da Mata Altântica, destaca o desafio para angariar esse montante de cartas. “Foi uma força-tarefa e tanto, mas trabalhar em equipe é o que fazemos melhor. É isso que ensinamos no Movimento Escoteiro, assim como fazer o melhor possível (que é o lema do lobinho) e ajudar o próximo em toda e qualquer ocasião, como diz nossa promessa”.

Ocupação no complexo

Nesta sexta-feira (15), o Complexo Hospitalar dos Estivadores está com os 20 leitos de UTI exclusivos para pacientes com covid-19 inteiramente ocupados. Em média, cada um tem permanecido por dez dias neste tipo de leito, de forma que cada um tem uma rotatividade de três pacientes por mês.

Pelo protocolo de atendimento, o paciente que tem uma boa evolução e sai da UTI passa a ser acompanhado em leito de clínica médica. Ou seja, um único paciente pode vir a ocupar dois leitos. Além disso, há as pessoas que necessitam de internação, mas não apresentam quadros clínicos que necessitem de UTI.

A ocupação dos leitos de enfermaria do Complexo Hospitalar dos Estivadores estava em 35% nesta sexta-feira. “Ampliamos a estrutura hospitalar para atender aos casos de covid-19 e nossa UTI está com ocupação máxima. A preparação da Prefeitura está exercendo papel fundamental em resposta à pandemia e cabe à população o cumprimento das orientações dos órgãos de saúde competentes. Talvez estejamos vivendo neste momento o ápice da contaminação”, destaca Caio Medina, gerente médico do Complexo Hospitalar dos Estivadores.

O médico afirma ainda que situações novas como o enfrentamento ao novo coronavírus geram medo e o acolhimento aos profissionais que atuam na linha de frente é muito importante. “A atitude das crianças em ter esse cuidado de enviar as cartas, de forma nominal, é muito valiosa e importante. Percebemos a onda de carinho se disseminar pelo hospital”, finaliza.

Fotos: Isabela Carrari 

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