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Primeiro Caps 24 Horas do Brasil, em Santos, completa 30 anos

27 de setembro de 2019
16h 17

A data é 27 de setembro de 1989. Pouco mais de quatro meses após a intervenção municipal na Casa de Saúde Anchieta, hospital psiquiátrico que funcionava em Santos e era conhecido como ‘casa dos horrores’, foi inaugurado o Núcleo de Atenção Psicossocial (Naps), o primeiro a funcionar 24 horas no País e que apresentou uma nova proposta de atendimento.

A partir dessa virada de página, que acompanhava o movimento de reforma psiquiátrica no Brasil, os usuários do Naps, que incluíam vindos do Anchieta, passaram a ser avaliados de acordo com a sua história e necessidades e perto da sua residência, com plano terapêutico individual.

Para celebrar os 30 anos da implantação do serviço na Cidade, foi realizada uma confraternização nesta quinta-feira (26) no atual Centro de Atenção Psicossocial da Zona Noroeste, que reuniu usuários, funcionários e também antigos colaboradores. Mesa de pingue-pongue, atividades terapêuticas e música – tudo ao ar livre – tornaram o encontro ainda mais alegre.

“Em Santos, o Naps já iniciou o atendimento em uma modalidade (24 horas) que somente tempos mais tarde foi reconhecida pelo Ministério da Saúde para fins de financiamento e foi o primeiro passo para a construção de uma rede de apoio para as pessoas que têm sofrimento ou transtorno mental, ou uso de álcool e outras drogas”, afirma Paulo Muniz, coordenador de Saúde Mental, da Prefeitura.

O sucesso da rede que substituiu os manicômios ajudou a ampliar a rede de saúde mental em Santos, que atualmente possui, entre outros serviços, cinco Caps 24 horas. Nestes equipamentos, há dois tipos de hospitalidade: diurna, na qual os usuários recebem alimentação na própria unidade e participam de atividades terapêuticas que melhoram o seu estado de saúde mental e a integral, voltada a quem necessita de um cuidado mais intensivo da equipe multiprofissional, que inclui enfermeiros, técnicos de enfermagem, médicos, terapeutas ocupacionais e psicólogos. Neste caso, os usuários dormem em leitos disponíveis nas unidades.

O acolhimento dos casos é diário e por livre demanda, isto é,  embora seja um serviço muito especializado, não há necessidade de encaminhamento por outra unidade de saúde. Todos os casos são acolhidos e avaliados, tornando o acesso mais humanizado.

 

HISTÓRIAS

 

Francisco Carlos Ferreira da Silva, de 52 anos, foi internado na Casa de Saúde Anchieta pela família devido ao uso abusivo de álcool. Por três anos permaneceu no local, onde recebia eletrochoques e banhos gelados. Ainda hoje é usuário da rede de saúde mental no Município.

“Quando acabou o Anchieta, vim para o Naps I. Tomo os remédios, gosto de capinar o mato, limpar o jardim, movimentar o corpo. Eu vi esse serviço crescer e dar vida a muitas pessoas”.

A psicóloga Maria Izabel Colmenero atuou na Casa de Saúde Anchieta após a intervenção (via Secretaria de Saúde de Santos) e, pouco depois, integrou uma das equipes mais antigas do então Naps. No dia 20 de dezembro de 1989, ela entrava na unidade pela primeira vez e, junto a outros profissionais, ajudou a construir o serviço.

“Hoje vemos que foram mudanças significativas, mas no dia a dia não sentíamos que estávamos construindo algo novo, mas sim o que a gente acreditava: as pessoas teriam que ser tratadas como seres humanos, respeitando as diferenças. Tínhamos uma equipe coesa e trabalhar aqui mudou nosso jeito de viver e de encarar a realidade”.

Para a primeira coordenadora do Naps (cargo hoje similar ao de chefe de seção), Maria Fernanda Nicacio, foi emocionante rever os colegas com os quais trabalhou e os usuários da unidade.

“Tínhamos amor por construir uma possibilidade com os usuários, para eles e que fosse deles. A experiência de Santos com a criação do serviço 24 horas foi um marco no processo da reforma psiquiátrica no Brasil e implantação da saúde mental no SUS como política universal, equânime e participativa”.

 

ONDE ENCONTRAR

Moradores de Santos que necessitem de atendimento em saúde mental podem procurar o Caps mais próximo de sua residência, sem necessidade de agendamento prévio.

O local oferece tratamento ambulatorial com atendimentos individuais e em grupo por equipe multiprofissional, grupos de orientação às famílias e oficinas terapêuticas. Também há atendimentos de referência, visitas domiciliares e consultas médicas.

 

Confira os endereços

 

Centro de Atenção Psicossocial da Zona Noroeste - Rua Bulcão Viana, 880 – Bom Retiro - Tel. 3299-4368

Centro de Atenção Psicossocial Centro - Avenida Conselheiro Rodrigues Alves, 236 – Macuco - 3222-1217

Centro de Apoio Psicossocial Praia - Av. Cel. Joaquim Montenegro, 329, Ponta da Praia - 3225-8137

Centro de Apoio Psicossocial da Vila - Av. Pinheiro Machado, 718 – Marapé - 3225-5796

Centro de Apoio Psicossocial Orquidário - avenida Francisco Glicério, 661 - 3251-2094

Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras drogas - Rua Silva Jardim, 354 – Macuco - 3237-2681

Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras drogas Infantojuvenil - Rua Campos Melo, 298 – Encruzilhada - 3221-8367

Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil da Zona Noroeste - Av. Praça Maria Coelho Lopes, 395 - Santa Maria - 3299-7901

Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil #tamojunto (reúne os antigos Caps Orla e Central) - Av. Pinheiro Machado, 769 - Campo Grande - 3271-8235 / 3221-4944

 

Galeria de Imagens

a fachada da unidade está decorada com bexigas verdes. #Pracegover
Fachada da unidade foi decorada para a festa
Confraternização entre pacientes em sala. Há uma mulher tocando violão ao fundo. Há muitas pessoas  na sala. #Pracegover
Confraternização entre pacientes e profissionais

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