Conteúdo

Palestras em Santos dão orientações para evitar acidentes de trabalho

15 de julho de 2019
13h 38

Uma série de ações para enfrentar e contribuir para a redução de acidentes de trabalho são desenvolvidas com frequência pela Prefeitura em palestras, reuniões e atividades educativas realizadas em empresas.

Somente no primeiro semestre deste ano, a Seção de Vigilância e Referência em Saúde do Trabalhador (Sevrest), responsável por apurar os casos de acidentes na Cidade e dedicada à prevenção de ocorrências, realizou 18 atividades, atingindo 273 pessoas.

Nos encontros foram abordados temas como perda auditiva causada por ruído, ergonomia, estresse, assédio moral, álcool e drogas, saúde e segurança no trabalho, entre outros. O intuito das abordagens é o de se aproximar dos empresários como um parceiro educativo na prevenção de acidentes, e não um agente punitivo.

“Não basta apenas dar o equipamento de proteção individual (EPI). Geralmente, o funcionário está usando o EPI no momento do acidente e a falha está em outros aspectos: na organização do trabalho; falta de diálogo coletivo em preparação para aquela tarefa; uma falha de comunicação pode gerar acidente; a pressão sofrida para executar uma tarefa em menor tempo; a rotina exaustiva”, enumera Patrícia Torres Soares Bezerra, chefe da Sevrest. Ela acrescenta que  também é realizada aproximação junto aos profissionais das policlínicas para ampliar, discutir e facilitar o fluxo de pacientes com queixas recorrentes e que possam ter relação com tarefas laborais.

A preocupação da Sevrest, que é vinculada à Secretaria de Saúde, é permanente e ganha maior evidência no momento em que os números de acidentes de trabalho graves ou com vítima fatal aumentaram 13,6% em Santos: foram 66 casos em 2017 e 75 em 2018. Já em 2019, 18 acidentes entraram para as estatísticas.

Os números mostram ainda prevalência das ocorrências com homens: 94% em 2017 e 96% em 2018 – principalmente pelo fato de as funções com maior risco de acidente serem desempenhadas por pessoas do sexo masculino. Além disso, observa-se que as mulheres que fazem a mesma tarefa tendem a ser mais prudentes.

Os adultos jovens, na faixa dos 20 aos 39 anos, também engrossam as estatísticas por estarem em um período de grande produtividade laboral.

Engana-se quem pensa que pessoas com nível menor de escolaridade estão mais suscetíveis aos acidentes de trabalho: a quantidade de acidentados com ensino médio completo é superior.

“A população está tendo mais acesso à Educação e o mercado está mais exigente em relação à formação do funcionário, mas isso ainda não reflete em oportunidades na carreira e diminuição de riscos no ambiente de trabalho. Afora isso, há os profissionais que têm formação específica e desempenham funções com maior risco, que envolvem operação e manutenção de máquinas”, analisa Rosemeiry de Lima Nemetz, fiscal de saúde pública.

O aquecimento econômico de uma determinada atividade no Município pode refletir na prevalência de casos de acidentes. Anos atrás, os casos envolvendo trabalhadores da construção civil eram mais comuns, devido à quantidade maior de obras em andamento. Atualmente, as operações portuárias chamam mais atenção da equipe de vigilância em saúde do trabalhador por serem de um setor que, embora impactado pela crise econômica, emprega muitas pessoas em atividades que envolvem riscos.

 

 

APURAÇÃO

Conforme pactuado com o Ministério da Saúde, a Sevrest tem a obrigação de apurar, por ano, 100% dos registros de acidentes com mortes e no mínimo, 50% dos acidentes considerados graves, aqueles que geram afastamento das funções por um período superior a 15 dias ou uma lesão incapacitante para o trabalho (fratura, queimadura de grande extensão, entre outros).

Os registros chegam por meio de notificação dos hospitais e unidades de pronto atendimento que atendem as vítimas, além do Instituto Médico Legal (IML) e do Serviço de Verificação de Óbito (SVO). A partir das notificações, são feitas fiscalizações no ambiente de trabalho, voltadas à prevenção de novos acidentes.

“Realizamos uma análise detalhada do motivo do acidente, avaliamos a gestão de segurança, analisamos os atestados de saúde ocupacional dos funcionários, verificamos as condições do ambiente e intimamos a empresa a realizar medidas para corrigi-las. Também são adotadas ações voltadas à educação em saúde. O encerramento de todo o processo pode demorar, dependendo da agilidade da empresa em adotar as medidas. Há casos que levam até um ano”, explica Rosemeiry.

Denúncias via Ministério Público do Trabalho (MPT) e Ouvidoria municipal sobre as condições em determinados locais também são apuradas pela Sevrest. Vale lembrar que a intenção dos fiscais não é culpabilizar a empresa, até porque a apuração geralmente aponta que há um conjunto de fatores que influenciam na ocorrência do acidente.

Dentre eles estão gestão de produção em que as metas e prazos são apertados e essa situação se sobrepõe à segurança; as condições físicas e psicológicas do trabalhador para aquele tipo de trabalho; a devida sinalização do ambiente; a presença de dispositivos de segurança nas máquinas e o treinamento para desempenhar a função.

Curiosamente, muitos acidentes ocorrem no início ou no fim da jornada de trabalho, atrelados à ansiedade do funcionário em ter uma boa produtividade e alcançar metas.

Os dados relativos ao local do acidente de trabalho, a forma como ocorreu e o nome do funcionário que se acidentou são sigilosos. A Sevrest não divulga essas informações. As multas geralmente são lavradas após descumprimento de intimação anterior.


ASSISTÊNCIA E REABILITAÇÃO

Após passarem por internação, alguns trabalhadores podem apresentar sequelas do acidente de trabalho. A reabilitação de vários deles, com foco no retorno ao trabalho, é realizada no Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest), mesmo local onde funciona a Sevrest.

“O atendimento é feito por uma equipe formada por médico do trabalho, psicólogo, ortopedista, reumatologista, fisioterapeuta, assistente social, fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional. A unidade também oferece apoio psicológico para quem apresenta estresse pós-traumático, seja porque se acidentou no trabalho ou presenciou o caso de um colega, geralmente vítima fatal”, destaca Ana Paula Valeiras, chefe do Departamento de Vigilância em Saúde.

 

 

COMO FAZER CONTATO

As solicitações de palestras e orientações podem ser encaminhadas para sevrest@santos.sp.gov.br. 

Para os pacientes, agendamento de consultas e outros atendimentos, o contato é pelo número 3221-7381.
Qualquer munícipe também pode denunciar uma situação irregular no ambiente de trabalho por meio da Ouvidoria municipal, pelo telefone 162, pelo site  www.santos.sp.gov.br/ouvidoria, ou de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, no Paço Municipal (Praça Mauá). A identidade do denunciante não é divulgada.