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No sobe e desce do elevador, Marlene coleciona histórias

30 de outubro de 2019
12h 34

“Sobe” e “desce” foram palavras muito proferidas por Marlene Aparecida Batista de Matos ao longo de sua trajetória de 23 anos como ascensorista dos elevadores do Paço Municipal, lugar que ela considera ‘sua casa’. Com 26 de Prefeitura de Santos, há quase dois ela trabalha no administrativo da Secretaria de Governo (Segov), no 5º andar do prédio da Rua Dom Pedro, no Centro Histórico, onde descreve ir “para lá e para cá” levando processos da Pasta.

Movimento sempre fez parte de sua rotina, seja para cima, para baixo, para um lado ou para outro. “Meu trabalho no elevador não parava. Lá é um sobe e desce, um entra e sai de gente muito legal. Você vê muita coisa e ajuda bastante as pessoas. Ainda peguei a época da maçaneta. Agora colocaram botões, mas antigamente era só na maçaneta e no berro”, conta ela, que precisava elevar a voz para avisar as pessoas que o elevador estava subindo ou descendo.

Já na Segov, ela também não para: vai ao banco e a vários equipamentos levar processos. “A primeira coisa que faço é dar bom dia para todos. Ligo o computador e pergunto para cada um o que tem para fazer, se alguém está precisando de alguma coisa, se tem algo urgente. Assim é a rotina, vou para lá e para cá”.

Conhecida na Prefeitura pelo seu talento em fazer doces como palha italiana, cookies e panetone trufado, além de artesanato, a funcionária de 54 anos entrou no serviço público como ajudante geral no Paço, sofreu um acidente – teve alergia a uma tinta utilizada em serviços de pintura executados na época no seu local de trabalho -, e precisou ser readaptada. No caso, como ascensorista. “Gostei muito. O elevador é a minha casa”, diz ela, lembrando que tinha um jeito carinhoso de chamar as pessoas que entravam no equipamento. “Como é muita gente, não guardava nome. Então, chamava todos de Bela e Belo”.

PERSONALIDADES

Como ascensorista, Marlene coleciona histórias de elevador e já viu de perto muitas personalidades como o artista e empresário Beto Carrero. “Ele estava de chapéu, entrou no elevador com um monte de seguranças, falou bom dia para todo mundo e subiu para falar com o prefeito”.

Certa vez, Pelé era aguardado em todo o Paço para uma visita ao chefe do Executivo na época, o ex-prefeito Beto Mansur. “Eu estava com o elevador parado esperando ele chegar para subir e nada do Pelé. Daqui a pouco, ele desceu as escadarias, já tinha falado com o prefeito. Pensei que ele fosse grande, mas não, tem estatura baixa e estava de chapeuzinho. Passou assim despercebido e só depois foi reconhecido”.

Prefeitos de toda a região e outros políticos como Aécio Neves e Geraldo Alckmin, também foram personalidades vistas de perto por Marlene. “Outro que conheci foi o cantor Frank Aguiar”.

Presa por duas horas

Muito tempo na função, Marlene já perdeu as contas de quantas vezes já ficou presa no elevador. Mas sabe que o tempo máximo que ficou nessa situação foram duas horas. “Eu estava com um menino do Camps (Centro de Aprendizagem e Mobilização Profissional e Social), que descia o elevador com uma caixa de panetone para a secretária de Finanças. Ele estava morrendo de fome e ligou pelo celular para alguém da Secretaria para perguntar se podia comê-lo”.

Situações como essa, Marlene diz levar ‘de boa’. “O ruim é quando faltava luz, porque quando o elevador parava na parede, não tinha como te darem água. Mas eu ficava no escuro numa boa, ficava cantando. Tem gente que faz escândalo ou só sobe quando o ascensorista está presente”.

Como ascensorista ou no administrativo da Segov, ela tem satisfação no que faz e lembra exatamente do dia em que se inscreveu para prestar concurso público. “Estava uma fila imensa no Teatro Municipal. Mas meu marido e eu estávamos desempregados e fui tentar. Fiz a prova e passei, até achei que fosse brincadeira. Depois, esperei dois anos para ser chamada. Foi muito bom para mim. Gosto de trabalhar aqui na Segov porque aprendo bastante e gosto dessa rotina boa”.

Para o secretário de Governo, Rogério Santos, Marlene é cativante. “Conheço seu trabalho desde que comecei aqui na Prefeitura, há sete anos. Uma mulher sempre gentil, de bem com a vida e com um grande coração. Neste ano, ela veio trabalhar diretamente na Secretaria de Governo, trazendo a mesma alegria, simpatia e determinação para cumprir as tarefas do dia a dia com muito zelo. Um prazer ter sua parceria na rotina do serviço público, trabalhando juntos por Santos”.

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