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Mutirão no porto encontra 190 focos de dengue

Publicado: 17 de abril de 2003
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O mutirão contra a dengue no Porto realizado ontem (17), a partir das 9 horas, com organização conjunta da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), e Codesp e participação da Sucen, Anvisa e equipes dos terminais privativos, localizou dezenas de locais considerados criadouros do vetor da dengue, muitos com larvas do Aedes aegypti. Uma grande quantidade de materiais foi recolhida. Foram encontrados 190 focos de dengue ao longo do cais, mas o balanço completo da operação só estará concluído amanhã, segundo informações da Coordenadoria do Programa de Controle da Dengue da SMS. A operação, que fez uma varredura em 10 quilômetros de cais, envolveu um contingente de cerca de 600 pessoas, 250 na vistoria da área do porto público (sendo 120 da Codesp e 130 da SMS) e perto de 400 trabalhadores atuando nos terminais privativos, segundo cálculo da autoridade portuária. As equipes saíram de três pontos distintos, cobrindo desde o terminal do Saboó até a Ponta da Praia, com acompanhamento de trabalhadores com carrinhos de mão para recolher lixo miúdo e ainda caminhões e pá carregadeira para retirada de sucatas e materiais pesados, que acumulam água e se tornam criadouros em potencial do mosquito. Ontem à noite a Sucen realizou a nebulização (aplicação de inseticida com maquinário pesado) na faixa interna do porto,completando a tarefa do mutirão, devendo repetir a operação na terça-feira, desta vez na área externa e nos armazéns ao longo da avenida do Porto. E voltam a fazer o mesmo trabalho na semana seguinte, já que a eliminação de mosquitos é completada em dois ciclos . LARVAS NA MORTONA A equipe do Programa de Controle da Dengue, que saiu da altura do antigo prédio da Guarda Portuária, logo nos primeiros cem metros já constatou a presença de larvas do mosquito em equipamentos abandonados dentro do prédio da Mortona, antigo estaleiro da Codesp, hoje desativado. Havia larvas num fosso lateral do prédio, na caixa externa de fio terra e numa pia na garagem de barcos. Também foi constatado um grande número de possíveis criadouros, como uma velha embarcação cheia de água. Essa é a segunda vez que a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) estimula a realização de um mutirão no porto, área cujo controle da dengue cabe à Superintendência e Controle de Endemias – Sucen - enquanto a Anvisa cuida da fiscalização do cais. ARRENDATÁRIOS Uma das medidas que integram o projeto Dengue Zero, da Codesp, envolve o envolvimento das operadoras e arrendatários na limpeza do cais. De acordo com o check list disbribuído pela companhia, devem ser vistoriados, sucatas, pneus, poças d’águas, lixeiras, tambores, contêineres, calhas, cisternas, ralos externos e bocas de lobo, ralos internos de esgoto, caixas d’água, garrafas e recipientes descartáveis, lajes e marquises, entulhos de liso, capim, fosso do elevador. Embora tenham sido encontrados problemas na área sanitária, o responsável pela Anvisa em Santos, Aristides Gonçalves Jr. garante que a situação do Porto, no ano passado, era ¨bem pior¨, diminuindo o número de notificações feitas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária em 2002 às empresas privadas e à própria autoridade portuária, em razão de irregularidades que afetam a Saúde Pública. "A Codesp já retirou calhas dos armazéns e no momento, está lançando um programa que visa estimular todas as diretorias da empresa para uma ação saneadora e de melhoria do meio ambiente no Porto", garante o assessor da Presidência da Codesp, responsável pelos projetos técnicos institucionais, Aluísio de Souza Moreira. Ele garantiu que a partir do Prograna Dengue Zero, as ações serão permanentes. "Toda vez que o índice de larvas de mosquito subir, haverá mutirões", garantiu Aluísio. Em fevereiro, conforme relatório da Sucen enviado à SMS, 92% das armadilhas apresentaram positividade em larvas. Já nas visitas semanais, o cômputo geral deu 32% de positividade em larvas, nos imóveis existentes no Porto, explicou Fátima Domingues, da Sucen, considerando importante esse trabalho conjunto.