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Museu Pelé recebe a arte naïf de Alemberg Quindins

8 de março de 2019
12h 40

O artista plástico cearense Alemberg Quindins inaugura neste sábado (9), às 11h, a exposição ‘A Bola’, no bloco expositivo do Museu Pelé (Largo Marquês de Monte Alegre, 1, Valongo, Centro Histórico). Ele recebe o público no auditório e depois segue para uma visita mediada, além de coordenar, depois, a Oficina de futebol de Vidrinho, indicada para crianças de 8 a 13 anos, por ordem de chegada.

Essa é a primeira vez que a mostra chega ao Estado de São Paulo – ela foi apresentada em 2016 em Nova Olinda e depois circulou por diversos estados. Composta por 20 obras em acrílico sobre tela, a exposição, que pode ser apreciada até 25 de abril, ressalta a importância da bola na infância e nos campo de futebol. É ela que, perpassando as telas, interliga cenas e conta histórias. O universo visual da mostra tem como ambiente os anos 1970, quando Alemberg acompanhava os jogos pelo rádio, lia os comentários da Revista Placar e assistia ao Canal 100, cinejornal veiculado nos cinemas.

O artista apresenta a bola em três dimensões: no modelo Telstar, da Adidas, a primeira bola oficial usada na Copa do Mundo FIFA, que estreou em 1970; em lances documentados por fotógrafos da época e em uma torcida naïf, presente nos desenhos do autor quando criança, época em que publicava revistinhas desportivas artesanais como repórter de campo de várzea.

TELSTAR - A Telstar foi a primeira bola a usar o formato de um icosaedro truncado, composto por 12 gomos pentagonais pretos e 20 gomos hexagonais brancos, que mais tarde tornaram-se um símbolo do futebol. As bolas usadas nas competições anteriores eram de cor escura e tinham costuras com 12 ou 18 gomos em formatos de listras, parecido com uma bola de vôlei atual.

A Placarzinha, cujos originais também fazem parte da mostra, era uma revista em miniatura, inspirada na revista Placar, criada  e produzida manualmente por Alemberg para documentar o cenário futebolístico da meninada. Aos domingos, ele circulava pelos campinhos da cidade e, na manhã do dia seguinte, estava pronta mais uma edição.

As crianças esforçavam-se em dribles e defesas para que seus feitos fossem registrados – com o tempo, o artista passou a ser solicitado até mesmo nos jogos dos adultos, pois todos queriam ser citados e ilustrados nas páginas e pôsteres da revistinha.

VIDRINHO

Alemberg construía seus próprios brinquedos, como cavalo de pau, carrinho de lata e pião, ou comprava-os na feira. Como seu pai era o farmacêutico da cidade, acabou criando um brinquedo com os tubos grandes de mercúrio cromo e mertiolate, que chamou de Futebol de Vidrinho.

“Escolhíamos dez vidrinhos de Penicilina e Benzetacil para serem os jogadores de linha e um vidrinho mais gordinho para ser o goleiro. Depois pegávamos papel, lápis de cor, tesoura e cola e pintávamos os uniformes dos times de futebol e colávamos nos vidrinhos, desenhando os emblemas na frente e os números nas costas. Riscávamos o campo de futebol no chão com um giz, fazíamos as traves de madeira e a bolinha retirávamos dos dosadores de litros de bebida”, relatou no artista.

A exposição é uma iniciativa da Fundação Casa Grande – Memorial do Homem Kariri, em parceria com a Associação Cultural de Apoio ao Museu Casa de Portinari e com o Sistema Estadual de Museus (Sisem-SP), da Secretaria de Cultura e Economia Criativa de São Paulo.

 

 

Galeria de Imagens

O artista Alemberg Quindins posa para foto diante de uma tela que pintou. Ele segura um pincel com a mão direita, de frente para a imagem, como se estivesse retocando o quadro. #Pracegover

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