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Maternidade pública em Santos prepara gestantes e pais para o parto

20 de agosto de 2019
17h 26

Esclarecer todas as dúvidas sobre o momento do parto e as primeiras horas após o nascimento do bebê e ainda conhecer as dependências da Maternidade Silvério Fontes. Tudo isso acontece uma vez por mês no curso de preparação para o parto e paternidade responsável, oferecido pela unidade, que funciona no Complexo Hospitalar da Zona Noroeste (Rua Ministro Agamenon Magalhães s/nº, Castelo).

 

Além das orientações transmitidas em uma apresentação, também são realizadas atividades práticas que tornam o encontro mais descontraído e o conhecimento mais fácil de ser adquirido. Um exemplo é o uso de bexigas, representando o útero, contendo uma bolinha de tênis de mesa, que representa o bebê. A diferença no movimento das contrações de treinamento e as típicas do momento do parto são mostradas a partir do movimento realizado na bexiga. As gestantes são convidadas a expulsarem a bolinha de dentro da bexiga fazendo apenas o movimento de contração do útero no nascimento do bebê.

 

O programa é capitaneado pela obstetriz Laura Mafra e pela enfermeira Jacyra Teles Silveira. Métodos que auxiliam a gestante durante o trabalho de parto também são apresentados: exercícios, massagem, bola de pilates e banqueta de parto. Todos os equipamentos necessários para essas atividades estão à disposição na Maternidade Silvério Fontes.

 

Embora tenha um roteiro mínimo, cada encontro do curso toma um tom diferente, norteado pelas dúvidas e discussões trazidas pelos participantes. “Nossa intenção é criar um vínculo inicial da equipe da maternidade com essas gestantes e tirar o medo delas do momento do parto. Elas voltam para o nascimento do bebê já nos conhecendo”, afirma Laura.

 

A estudante Amanda Belchior, 22 anos, é uma mãe de primeira viagem que já se certificou de várias informações para se sentir segura na hora da chegada do seu bebê, previsto para 12 de setembro. Episiotomia (procedimento para ampliar o canal do parto), contrações, amamentação exclusiva e outros assuntos passaram a fazer parte de seu repertório nos últimos meses.

 

“Essa iniciativa da maternidade é muito importante porque há várias pessoas que precisam dessas informações – não sabem o que é plano de parto, chegam na maternidade sem referência. E, no período em que vivemos, com tantas fake news, ter alguém da saúde que fala o que é verdade, é muito esclarecedor”, diz ela, que só quer saber o sexo do bebê após o nascimento.

 

Já Érica Harwalis do Nascimento, 34 anos, é técnica de enfermagem e está prestes a conhecer o rostinho do seu terceiro filho, previsto para nascer até o fim de setembro. A experiência acumulada em dois partos (o primeiro normal e o segundo cesariana) e o dia a dia na saúde só mostraram para ela que cada experiência é diferente.

 

“A gente aprende a conhecer um pouco mais os sinais do corpo durante o início do trabalho de parto e a experiência na área da saúde fez com que, na última gestação, eu fosse mais tranquila em direção ao hospital, após estourar a minha bolsa. O parto humanizado apresentado no Silvério Fontes, com a atenção voltada à gestante e ao bebê é muito importante. Não se trata apenas de um procedimento em um centro cirúrgico: o parto não deve ser traumático nem para a mãe e nem para o bebê”, destaca.

 

 

AMIGO DA CRIANÇA

 

A Maternidade Silvério Fontes possui infraestrutura voltada ao parto humanizado e equipe formada por enfermeiras obstétricas e obstetrizes para assistência ao parto de risco habitual (aquele que não é de alto risco). O hospital tem o título de 'Amigo da Criança' e faz parte da Rede Cegonha, do Ministério da Saúde.

 

Independentemente do tipo de parto (normal ou cesariana) e se não houver nenhum impedimento clínico, o bebê é levado imediatamente para a mãe: o contato, o cheiro, e o calor rendem inúmeros benefícios para estes primeiros instantes de vida, além do aleitamento materno que também é iniciado na primeira hora.

 

O cordão umbilical é cortado somente após três minutos, até que pare de pulsar, de forma a aproveitar melhor o sangue que estava na placenta, diminuindo os riscos de hemorragia cerebral e, a longo prazo, promovendo melhora no desenvolvimento neurológico e nos níveis de ferro da criança.

 

Antes, durante e até duas horas depois do trabalho de parto, a mãe permanece em suíte privativa ao lado do acompanhante, antes de seguir para o alojamento conjunto, ao lado do bebê. Para as mamães cujos filhos tiveram que ir para a UTI neonatal, é dada a oportunidade de permanecerem internadas por quanto tempo quiserem, caso prefiram permanecer mais próximo da criança.

 

Foto: Francisco Arrais