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Leishmaniose: Prefeitura de Santos distribui coleiras para cães do Morro do Marapé

13 de março de 2020
18h 34

A Seção de Vigilância e Controle de Zoonoses (Sevicoz), da Secretaria de Saúde (SMS), fará distribuição em residências, no domingo (15), de coleiras repelentes para os cães que vivem no Morro do Marapé.

A medida, ainda em fase de projeto-piloto, é realizada porque esta é a área da cidade com o maior índice de transmissão de leishmaniose visceral. Em 2019, foram identificados oito cães com a doença no Morro do Marapé e mais um em 2020. O repelente contido na coleira afugenta o mosquito-palha, transmissor da doença.

“Nosso objetivo é conhecer ainda mais a região, realizar um levantamento do número de cães e diminuir a transmissão da leishmaniose no Morro do Marapé”, afirma Alexandre Nunes Mendes, veterinário da Sevicoz.

O primeiro caso de leishmaniose em Santos foi identificado em 2015, no São Bento. Desde então, 85 cães foram diagnosticados com a doença e 50 já faleceram. Nenhum caso humano de leishmaniose foi registrado.

A leishmaniose visceral é uma doença crônica. Os sintomas demoram de dois a três anos para aparecer no animal e incluem pele e mucosas com feridas; queda de pelos da orelha e em volta do nariz; emagrecimento e crescimento exagerado da unha. Com seu avanço, os órgãos internos como fígado, baço e pulmão, são afetados. Não há cura, mas quanto mais cedo se detecta, mais fácil é o tratamento e o controle da doença. O animal tem que ser monitorado pelo resto da vida.

Munícipes cujos cães apresentem sintomas de leishmaniose devem procurar atendimento veterinário. Na rede pública, a opção é a Codevida (Av. Francisco Manoel s/nº - Jabaquara), de segunda a sexta, das 9h às 12h e das 12h às 17h. Telefones: 3203-5593 e 3203-5075.

Linha integral de cuidado

Santos realiza um trabalho integral contra a doença, que cobre investigação do vetor, notificações, investigação sorológica, ações de prevenção e tratamento aos cães infectados. A eutanásia ainda é uma medida de controle da doença na maioria das regiões do Brasil. A cidade de Santos é pioneira na abordagem humanitária e integral para a leishmaniose.

Saiba mais sobre as demais ações do Município para a prevenção e controle da doença

  • Investigação do vetor: embora existam casos positivos de leishmaniose em cães na Cidade, o mosquito-palha da espécie lutzomya longipalpis até hoje não foi encontrado no Município. Desde 2015, a Secretaria de Saúde atua em parceria com a Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), do governo estadual, em buscas nas matas, com armadilhas próprias para atrair e reter o inseto transmissor.
  • Notificações: clínicas veterinárias particulares e a Codevida notificam a Sevicoz sobre casos de leishmaniose. A Sevicoz inicia a investigação sorológica, com coleta de sangue no animal e envio da amostra para o laboratório Adolfo Lutz, referência para a confirmação dos casos
  • Investigação em outros animais: uma vez identificada a doença em algum animal, a Sevicoz faz uma busca ativa de outros cães que possam conviver no mesmo espaço do contaminado e também dos que estão a um raio de 100 metros de diâmetro de distância. É colhido o sangue e enviado ao Adolfo Lutz.
  • Tratamento: atualmente, 32 cães com leishmaniose recebem tratamento para controle da carga parasitária. O tratamento dura 28 dias, sendo realizado exame de sangue 3 a 4 meses depois do fim para verificar a resposta do organismo ao medicamento. Com a carga parasitária baixa, o risco de transmissão é menor. Todos foram microchipados, de forma que se houver fuga do animal, por exemplo, é possível identificar o seu paradeiro
  • Coleira com repelente: todos os cães identificados com leishmaniose recebem uma coleira com repelente de forma a prevenir que o inseto o pique e se torne transmissor da doença para outros animais e pessoas
  • Capacitação: Os agentes de controle de endemias e demais profissionais de saúde da rede municipal passam por capacitações periódicas, a fim de se tornarem multiplicadores de informação para a população
  • Orientação: os munícipes cujos animais passaram por investigação são orientados a manter os ambientes externos livres de material orgânico (fezes, folhas) que atraem o inseto; manter as janelas teladas e usar repelente, em especial no fim da tarde e de noite, períodos de mais atividade do mosquito-palha.