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Iv fórum da dengue mostra avanços no estudo do vírus e no combate ao mosquito

Publicado: 30 de novembro de 2004
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Os resultados dos principais estudos que aconteceram no mundo nos últimos anos, envolvendo os quatro tipos de vírus e subgrupos que transmitem a dengue, foram apresentados durante o IV Simpósio de Controle da Dengue, que aconteceu no auditório da Unimonte (Campus da Senador Feijó), com participação de mais de 120 profissionais da Saúde de Santos e de municípios vizinhos. A iniciativa da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), por meio do Programa de Controle e Prevenção da Dengue, visou proporcionar ainda atualização sobre a doença e tratamento e sobre o comportamento do vetor, trazendo os resultados da pesquisa do Mosquitrap realizada em Santos. Esse equipamento, pesquisado pela Universidade Federal de Minas Gerais, com monitoramento inteligente, traz novas perspectivas para o controle do Aedes aegypti, segundo ressaltou o coordenador da pesquisa, o PhD Álvaro Eduardo Eiras. A supervisora do Programa da Dengue, Ana Maria Marcondes de Melo, ressaltou a importância das palestras e lembrou que a dengue é ainda uma doença nova e sempre há o que aprender. A experiência do Mosquitrap, que poderá ser um equipamento adotado pelo Programa Nacional da Dengue, também impressionou a supervisora. Santos teve o ônus de carregar uma grave epidemia, mas também tem a vantagem de oferecer novas informações para o mundo, resumiu. No simpósio também houve palestra abordando as alterações hematológicas no paciente com dengue e febre hemorrágica da dengue, a cargo da médica Ana Portella. O evento teve patrocínio da Aventis Pharma. A doutora Cecília Luiza Simões dos Santos, do Serviço de Virologia do Instituto Adolfo Lutz, uma das principais pesquisadoras do País, abordou o tema Atualização Viral – Biologia Molecular, assinalando que estudos já indicam que as cepas do vírus 2 e 3 têm potencial para causar casos mais graves de dengue. A possibilidade de aumento do risco para dengue hemorrágica em pessoas que sofrem nova infecção também foi assunto do encontro, assim como já há evidências claras de que portadores de algumas doenças crônicas, apresentam quadros mais graves, quando são atingidos pela dengue. Na área da virologia muita coisa ainda é desconhecida, segundo a pesquisadora Cecília Luiza, que considera fundamental mais estudos determinando a seqüência genômica completa dos vírus isolados, até para se saber onde figuram os marcadores mais virulentos de algumas cepas. A doutora Ana Angélica Portela, médica do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria do Estado da Saúde e do Hospital Emílio Ribas orientou a classe médica sobre várias doenças cujos sintomas se confundem com o da dengue, e a importância dos exames laboratoriais que avaliam as alterações hematológicas no paciente, assim como de diagnósticos diferenciais. Para a chefia do Departamento de Especialidades da SMS o simpósio realizado tradicionalmente em novembro procura chamar a atenção dos profissionais sobre os casos que começam a surgir a partir dessa época. Durante o fórum, foi colocado que este ano o Município registrou apenas 391 casos. Nesse verão a maior preocupação envolve a possibilidade de se registrar epidemia entre as crianças, causada por uma cepa do vírus 3, que na Tailândia atingiu fundamentalmente a população infantil. Em Santos, desde o início da epidemia, a maioria dos casos registrados foi pelos vírus 1 e 2, havendo ainda uma grande parcela da população susceptível ao vírus 3. Por essa razão, é fundamental que prossigam os cuidados com o vetor e a classe médica esteja atenta aos principais sintomas que caracterizam a dengue. Entre os fatores de risco no paciente figuram a questão da idade (crianças e idosos são mais susceptíveis), nutrição, se há infecção secundária e a resposta do hospedeiro já que a reação à doença é individual. Também deve ser levada em conta a virulência da cepa.