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Esperança. Uma chama no Dia de Luta da População em Situação de Rua

29 de agosto de 2019
17h 17

CAMILLA COSTA

“Hoje é um dia muito especial porque estou com minha família de rua e vejo que sou capaz de vencer e voltar a conviver em sociedade”. A fala é um pequeno recorte do entusiasmo de Gustavo Machado, 32 anos, abrigado na Seção de Acolhimento e Abrigo Provisório de Adultos, Idosos e Famílias em Situação de Rua (Seacolhe-Aif) há cerca de 70 dias. Ele foi um dos participantes das comemorações na Praça Nagasaki (Vila Nova), nesta quinta (29), em alusão ao Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua, celebrado dia 19.

A organização do evento aconteceu a partir dos próprios assistidos pelos serviços públicos, dos servidores municipais e das instituições Unifesp e Unisanta. Na praça, foram concentradas diversas atividades: cortes de cabelo, aferição de pressão arterial, vacinação de cães e gatos cuidados pelas pessoas em situação de rua, atendimento odontológico, avaliação postural, oficinas de malabares, sobre chás e plantas medicinais, espaço para jogos, roda de música e cinema.

Das ações, chamaram atenção diversas geladeiras velhas que foram grafitadas por profissionais da área com ajuda dos usuários. Transformadas em ‘gelotecas’, serão doadas para equipamentos públicos como uma estante para guardar livros. Um dos participantes foi Machado, em fase de ‘limpeza’ das substâncias químicas do crack e acolhido há cerca de 70 dias, que já consegue vislumbrar uma nova situação de vida.

"Passei um ano e quatro meses perdido e foi pelo abrigo que as oportunidades apareceram. Então, espero que hoje as outras pessoas possam se espelhar em mim e progredir pelo sistema de albergues. Eu tinha esquecido como é fazer parte da sociedade, quero voltar a trabalhar como cozinheiro e terminar estudos”, conta o usuário que foi parar nas ruas devido à dependência química e à rejeição da família por assumir a homossexualidade.

As ações concentradas num só lugar, também foram uma maneira de despertar a atenção dessa camada da população, que muitas vezes não tem acesso por desconhecimento ou por não se achar digna de receber, como explica Miriam Araújo, coordenadora de Atenção Social à População em Situação de Rua, da Prefeitura.

“Queremos conscientizar, orientar e mostrar a essas pessoas os serviços que existem na Prefeitura e na Cidade para que eles possam construir um processo de, quem sabe, sair dessa condição de viver nas ruas, se for desejo deles”.

Propostas sugeridas

Durante o evento, as pessoas em situação de rua participaram da pré-conferência de Assistência Social, com apresentação de diversas propostas, entre elas mais programas voltados à geração de trabalho e renda como o Fênix. As sugestões serão discutidas na 13ª Conferência Municipal de Assistência Social, que será realizada em 27 e 28 de setembro, onde participarão 22 delegados escolhidos no encontro desta manhã (29).

HISTÓRIA

Em 19 de agosto de 2004, sete pessoas em situação de rua foram assassinadas enquanto dormiam na região da Praça da Sé, em São Paulo, e o crime ficou conhecido como ‘Massacre da Sé’, com repercussão internacional. A partir disso, a data ficou marcada como o Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua.

A Prefeitura possui vários trabalhos voltados a este segmento. São eles: Serviço Especializado em Abordagem Social; Centro Pop; Seção de Acolhimento e Abrigo Provisório de Adultos, Idosos e Famílias em Situação de Rua - Seacolhe-Aif (R. Bittencourt, 309/311, Vila Nova); Seção Abrigo para Adultos, Idosos e Famílias em Situação de Rua - Seabrigo-Aif (R. Manoel Tourinho, 352 – Macuco).

Há ainda o quinto abrigo de emergência disponibilizado em dias de frio – Casa de Inverno (R. General Câmara, 249, Centro). Além de duas instituições conveniadas: o Albergue Noturno (Rua Conselheiro Saraiva, 13) e a Casa das Anas (Vila Belmiro) e o trabalho do Consultório de Rua. A ação teve apoio de universitários da Unisanta, Unifesp, do Salão Autoestima, de profissionais do Graffiti, e das Secretarias de Meio Ambiente e de Saúde.

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