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Escolas de Santos aprendem a salvar vidas com Samu ao ritmo de sucesso dos anos 80

24 de outubro de 2019
16h 36

Você sabia que 'Staying Alive', hit dos anos 1980 nas discotecas, ajuda a dar o ritmo certo nas compressões do tórax que devem ser feitas no caso de uma parada cardíaca? A música é recomendada pela American Heart Association (AHA), protocolo seguido mundialmente, para ensinar a população a tentar salvar vidas enquanto aguarda o serviço de emergência.

Este foi um dos ensinamentos do Samu nas Escolas, formação em primeiros socorros que vem sendo realizada desde março nas 83 unidades municipais e 59 entidades subvencionadas.

Nesta quinta-feira (24), a ação ocorreu no Centro de Formação Darcy Ribeiro, de manhã e à tarde para as unidades Cidade de Santos, Cláudia Helena dos Santos Oliveira Corrêa, Gemma Rebelo, Hilda D'Onófrio Papa, Hilda Rabaça, Irmã Maria Dolores, João Walter Sampaio Smolka, Leonor Mendes de Barros, Maria Luiza Simões Ribeiro, Maria Patrícia, Olavo Bilac, Porchat de Assis, Cely de Moura Negrini e Samuel Augusto Leão de Moura.

O professor Glauco Zacharias Ferreira, 39, técnico de enfermagem do Samu há oito anos, falou, de forma divertida e, ao mesmo tempo, comprometida e responsável, sobre como socorrer criança ou adulto em situação de parada cardiorrespiratória.

A iniciativa é da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes - Cipa Setorial Educação, em parceria com o Programa Saúde na Escola (PSE) e a Secretaria de Saúde (SMS), ministrada pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Confira o procedimento descrito por Ferreira em caso de parada cardiorrespiratória

“Primeiramente, um estímulo sonoro e tátil: bata com as mãos no peito da pessoa e chame ao mesmo tempo, algo como “senhor”, bem alto, três vezes. Se não reagir, mão espalmada na testa e dois dedos no queixo e coloque cabeça para trás, abrindo as vias aéreas. Conte até dez lentamente, como se fosse 1.001, 1.002, 1.003 e veja se o tórax se movimenta, se a pessoa tosse ou apresenta algum sinal de vida.

Se não, chame o Samu pelo 192 e faça a manobra RCP (ressuscitação cardiopulmonar) para garantir a circulação sanguínea do coração e órgãos vitais.

Ajoelhe-se ao lado da vítima, na altura dos ombros dela, e localize o centro do tórax (entre os mamilos), posicione os braços estendidos com os dedos entrelaçados, colocando uma mão sobre a outra, apoiando-se no centro do peito. Mantenha os braços esticados e use o peso do corpo para fazer compressões rápidas, fortes e contínuas. Média de cinco compressões a cada três segundos, lembrando do ritmo de Staying Alive, comprimindo na profundidade de 1/3 do tórax. Caso esteja com outra pessoa, revezar a cada dois minutos.

Em crianças de 2 a 11 anos, a manobra é igual, porém com apenas uma mão. Se for bebê, verificar se está respirando, batendo dois dedos nos pés. Não demonstrando sinais, colocar uma almofadinha ou pano enrolado, tipo coxim, embaixo do pescoço, para posicioná-lo melhor em superfície rígida e fazer as manobras.”

OUTRAS OCORRÊNCIAS

Ferreira também mostrou como fazer em casos de febre, hemorragias, queimaduras, convulsões, afogamentos, além da “manobra de Heimlich” para desengasgar.

Professora na escola Irmã Maria Dolores e mediadora de inclusão na unidade Lobo Viana, ambas de educação infantil, Keila Torres de Abreu, 44, considera fundamental esse tipo de formação. Ela destaca que às vezes desconhecemos o procedimento correto até com coisas simples como febre. “Febre costuma dar frio e a tendência é agasalharmos a criança. E não pode”.

Para o fisioterapeuta Guilherme Garrido Álvaro de Azevedo, 25, que atua na Escola Especial Eduardo Ballerini, entidade subvencionada da Prefeitura, o treinamento é muito importante porque trata de situações que podem ocorrer a qualquer momento, com alunos e funcionários. “O que mais vivencio é a criança se engasgar. Precisamos saber o que fazer.”

Fotos: Susan Hortas

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