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Cultura indígena é tema de palestra na 31ª Semana da Educação de Santos

16 de agosto de 2019
12h 12

“Vim trazer aos professores as vozes ancestrais dos indígenas, como pensam, se organizam, buscam manter as tradições e como respondem às dificuldades do mundo, desconstruindo o senso comum e apresentando algo novo para as pessoas”, disse o professor e escritor Daniel Munduruku, que deu palestra pela manhã e na tarde desta quinta-feira (15), no Teatro Municipal. A atividade fez parte da programação da 31ª Semana da Educação Professor Paulo Freire - “Direitos de Aprendizagem: as dimensões dos saberes éticos, estéticos e políticos”.

Segundo o especialista, que faz parte do povo Munduruku, do Pará, e já publicou 52 livros, fomos educados com a ideia de que o indígena é preguiçoso, vive na floresta, não usa roupas, colocando-o fora do contexto da história e à margem da sociedade. “A palavra índio, por exemplo, é uma palavra vazia de significado e não é o termo correto. Já indígena vem de originário, traz um sentido. O próprio Dia do Índio é uma data discutível, que não representa os povos”. Ele destaca que, no Brasil, existem 305 povos indígenas, com 274 línguas diferentes.

“As pessoas sempre saem da palestra refletindo sobre o que foi dito, com uma nova visão. Aprendemos e reproduzimos a narrativa dos vencedores, dos colonizadores e isso passou a fazer parte do nosso universo, mas podemos aprender de uma outra forma”, falou Munduruku. Ele é escritor indígena, graduado em Filosofia e licenciado em História e Psicologia, doutor em Educação pela USP, pós-doutor em Linguística pela UFSCar e diretor presidente do Instituto UKA - Casa dos Saberes Ancestrais.

A professora da escola Maria Luiza Alonso Silva, Marileide Alencar, ficou muito feliz de participar da atividade. “Já o assisti em outra ocasião e sou apaixonada pelo tema. Gosto da maneira como ele coloca as coisas, prende a nossa atenção. Ele mudou a minha forma de enxergar e de ensinar para os meus alunos”.

PROGRAMAÇÃO

Entre diversas atividades, nesta sexta-feira (16), o público poderá assistir à palestra da mestra em Educação, Maria Helena Pelizon, sobre os benefícios do movimento livre e autônomo no desenvolvimento e aprendizagem das crianças, no Teatro Municipal. No Sesc, Walter Pinheiro Barbosa Júnior traz a reflexão de que educar pode ser um ato de ousadia e paixão. Na Unisantos, Lucelmo Lacerda Brito discorrerá sobre o papel do professor no contexto da educação inclusiva.

Dentro da Semana da Educação ocorrem também a IX Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho – Educação (Unilus – Campus III), a VI Onda Literária (São Judas – Campus Unimonte), a V Exposição do Projeto “Santos à Luz da Leitura” (Teatro Municipal), o V Fórum da Justiça Restaurativa (Unisanta) e o III Colóquio Linguagens na Educação – 1ª Edição Santos (São Judas – Campus Unimonte). O evento soma 180 atividades. A relação completa das ações pode ser conferida aqui.