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Crianças transformam recicláveis em instrumentos em escola de Santos

13 de outubro de 2019
18h 06

Patricia Fagueiro

 

Latas de metal, minigarrafas PET, miçangas, canos de PVC, panelas. Estes e outros materiais que seriam levados para a coleta seletiva de lixo recebem novos usos e significados por crianças de três a seis anos de idade da escola municipal Cely de Moura Negrini (Rádio Clube). Transformados pelos próprios estudantes em instrumentos que produzem sons, são parte essencial do parque sonoro da unidade escolar, que foi construído ao longo deste ano ao ar livre, próximo à horta, e inaugurado no fim de setembro.

O parque sonoro é um espaço bastante colorido, destinado à exploração dos sons pelos alunos, mediada pelos professores. Os instrumentos podem ficar em painéis presos à parede ou pendurados em varais (caso dos chocalhos, por exemplo). O estímulo sonoro é uma ferramenta importante para o desenvolvimento da concentração e que facilita a compreensão dos conteúdos e o aprendizado.

Toda a comunidade escolar se engajou na doação dos materiais recicláveis, das famílias aos servidores que atuam na unidade. Até guidão de bicicleta foi encaminhado para se tornar uma peça do parque sonoro.

Na última terça-feira (8), uma turma do pré da unidade produziu chocalhos com minigarrafas PET, miçangas e canudos; beliscofones, colocando pedaços de bexigas de gás nas extremidades de canos de PVC – que, ao serem beliscadas, produzem sons; pompons em garrafas PET partidas ao meio (são feitos cortes paralelos com a tesoura na extremidade aberta de forma que ao friccionar duas peças iguais, elas produzam som) e pintaram latas de alumínio com tinta plástica.

O aluno Luiz Miguel dos Santos, 6 anos, fez quatro beliscofones – os canos de PVC já estavam pintados, mas faltava lixar as extremidades e colocar pedaços de bexiga nesses locais. “O instrumento que mais gosto de fazer é o beliscofone, mas no parque eu gosto mais de usar o chinelofone (tipo de xilofone feito com canos de PVC)”.

Todas as 550 crianças que estudam na ‘Cely’ ajudam a ampliar e usufruem do parque sonoro. As crianças do maternal exploram a diferença dos sons e das cores; para as do jardim, o foco é a vibração produzida pelos instrumentos; os alunos do pré têm atividades relacionadas a jogos. O resultado é que as crianças passam a se sentir acolhidas e identificadas com aquele espaço.

“Um aluno trouxe um relógio, que é um objeto com grande significado para ele. Colocamos no parque e ele sempre lembra desta contribuição. Todos se expressam, mesmo que de forma diferente. As do pré falam mais, as do maternal tocam o material que ajudaram a produzir. Importante também que eles são multiplicadores dessa iniciativa e também trazem ideias novas para nós”,  afirma a professora Juliana Bispo.

 

Conscientização

A conscientização musical também é outro viés trabalhado pelo parque sonoro: os alunos são apresentados a estilos musicais diversos e acompanham a batida das músicas a partir dos instrumentos produzidos.

“Eles tratam os materiais como instrumentos musicais e corrigem quando alguém fala que estão fazendo barulho. Eles dizem que estão produzindo som. Fizemos um trabalho sobre folclore e utilizamos os instrumentos para ampliar o repertório musical deles para além do que toca nas rádios”, destaca a professora Adriana Cincerre.

Para que fosse possível chegar a esse resultado, a escola trabalhou a conscientização dos familiares, crianças e funcionários entre os meses de fevereiro e abril. Foi quando explicaram o que é o parque sonoro, o objetivo do espaço e a necessidade das doações de material.

Aos poucos, o parque sonoro deve se tornar também sensorial. Afinal, o espaço colorido já é um convite ao estímulo a outras sensações, afora que os próprios alunos exploram o espaço de outras formas, como olhar o colega através do cano de PVC ou de uma placa de acrílico.