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Consciência Negra: Oficina de turbantes encanta crianças em escolas municipais de Santos

Publicado: 20 de novembro de 2021 - 10h39

“Eu sou a princesa Dara. No meu reino, a minha coroa é diferente, é feita de tecido e representa a história de um povo forte e guerreiro”. Foi com essas palavras que a professora e formadora da rede municipal Joice Mendes se apresentou para os alunos da UME Elsa Virtuoso (Estuário), na manhã desta sexta-feira (19), no início da oficina de turbantes. A atividade faz parte da programação da Semana da Consciência Negra, organizada pela Secretaria de Educação de Santos (Seduc).

O trabalho busca fortalecer a questão da identidade e da cultura do povo negro, explicou Joice. “Trazemos o turbante e fazemos essa relação com a coroa de príncipes, princesas, rainhas e reis negros, discutindo a diferença entre as coroas europeias, que eles estão acostumados a ver. As crianças se encantam com as cores e estampas”.

Durante a oficina, ela, vestida de ‘princesa Dara’, contou aos alunos que o turbante pertence a vários povos e não se sabe exatamente onde surgiu. “Não é um acessório, mas um símbolo de resistência”, completou a professora, que, na noite de quinta-feira (18), recebeu o prêmio Zumbi dos Palmares 2021, representando a educação e o trabalho de promoção da igualdade racial.

A aluna Liz Brasil, 5 anos, se divertiu fazendo o próprio turbante e ainda ficou impressionada com a roupa da princesa. “Eu gostei do colar dela”. Arthur Abreu dos Santos, 5, também ficou empolgado. “Muito legal”. Para a diretora da escola, Ana Maria Lourenço Poggiani, experiências como estas são essenciais. “É importante este contato com a nossa cultura”.   

SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Além da UME Elsa Virtuoso, as unidades Iveta Mesquita Nogueira e Pedro Crescenti também receberam a oficina de turbantes nesta semana.

No dia 16, teve uma live no horário da reunião de aperfeiçoamento pedagógico das escolas, com o tema ‘Racismo estrutural e educação antirracista’.

Já na quarta-feira (17), foi realizado, de forma remota, o 4º Seminário das Escolas Públicas pela Diferença, com apresentação de trabalhos de professores de escolas municipais e estaduais.

Nesta quinta-feira (18) a programação contemplou a unidade Padre Francisco Leite com uma roda de conversa, que envolveu profissionais da educação e responsáveis pelos alunos, sobre o racismo estrutural.  

Na próxima terça-feira (23), a atividade será dentro do encontro do Fórum Municipal de Acompanhamento da Aplicação da Lei 11.645/08, em formato remoto.

Além disso, desde setembro, dez escolas municipais estão recebendo a Exposição itinerante ‘Enciclopédia Negra em Sala de Aula’, um desdobramento do livro ‘Enciclopédia Negra’, dos autores Flávio dos Santos Gomes, Jaime Lauriano e Lilia Moritz Schwarcz, da Companhia das Letras. 

A obra literária é composta de 550 personagens negros, vividos entre o período da escravidão até a atualidade, que construíram a história do Brasil e tiveram suas memórias apagadas. A Mostra que está percorrendo as unidades foi uma parceria com a editora, que disponibilizou pôsteres de 12 personagens e o material para conhecer suas trajetórias.

A  exposição completa, pode ser visitada na Pinacoteca de São Paulo de forma presencial ou virtual (https://www.portal.iteleport.com.br/tour3d/pinacoteca-enciclopedia-negra/fullscreen/).

“Toda esta programação coroa um trabalho que é permanente, com formações e diversas atividades realizadas durante todo o ano letivo, que estão inseridas no Currículo Santista, na perspectiva da lei 11.645/08”, afirmou a chefe da seção de formação da Seduc, Ana Cláudia Sierra. As ações sobre a diversidade étnica racial são desenvolvidas pelos profissionais Adriana Negreiros, Sandra Pereira, Joice Mendes, Caio Guerra e Luiz Antônio Canuto.

RECONHECIMENTO

Em razão das ações realizadas na rede municipal de Santos desde 2004, com relação à diversidade étnica-racial, Santos recebeu o Prêmio Cidades Educadoras 2020, feito pela Aice (Associação Internacional das Cidades Educadoras), com o trabalho das formadoras Adriana Negreiros e Sandra Pereira.

Todas as iniciativas seguem a lei 11.645/08 (que alterou a 10.639/03), que torna obrigatório o ensino da História da África, dos africanos, afrodescendentes e indígenas em todos os currículos de escolas públicas e privadas do País.

 

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