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Ciclo de Poesia Falada divulga ganhadores

14 de agosto de 2019
17h 10

A edição 2019 do Ciclo de Poesia Falada, realizada no Centro de Atividades Integradas (Cais) Milton Teixeira, divulgou seus vencedores.

O primeiro lugar ficou com a poesia ‘s/ título’, de Joana Maria Pereira Roge. A obra ‘Tempo de chuva’, escrita por Natália Cavalcante Ribeiro Dias, foi a segunda melhor colocada. E ‘Destino e Desejo’, de Diego Fernandes da Cruz, a terceira. Os três terão suas obras publicadas na Revista Literária Mirante, em setembro. A próxima edição do concurso receberá inscrições de 1º de outubro a 1º de novembro.

Confira as poesias

Título: Destino e Desejo

Autor: Diego Fernandes da Cruz

 

Ao longe aquele olhar da lívida noite. O container prostrado furtivamente. Metal descalçado.

Pássaros enferrujados presos em alçapão de cimento. Pombas, mendigos crianças incinerados por tormentas reacionárias.

Os fascistas nada entendem da crueldade que floresce no jardim esquizofrênico.

 

Do desejo ou destino: o lavrado corpo em túnicas de esquecimento.

Da cidade: Rodovias de enxofre. O rilhar ácido dos automóveis. Tudo delira como lindos campos e arroios.

Tudo delira... como a mais linda dança desértica ... tudo se move.

Na boca desembarcado licor frugal. Língua panfletária. Paisagem solta. Homens navegam com sepulcros anjos.

Outros martelam o asfalto. Outros pulverizam couraça. Oníricas pegadas.

Rizomas. O destino é uma névoa consútil num céu asseado de passados. Todo destino é uma paisagem.

 

E as paisagens palpitam no teleférico de nossos órgãos. Os cotovelos vociferam. Alucinados.

Sociedade em Caos. Caos sociável. Do destino do desejo: o hospício de cabeceira ao ventre silencioso assistido de dor. Quartel-fábrica de fascistas. Do desejo do destino: o cortejos e lampejos vivem na parcimônia do cochicho. Piva, meu terapeuta das noites trêmulas, atropela meus sonhos em Ode.

 

Toda oralidade das estrelas desmancha-se. Trovões em frio sussurram – enquanto – barcos atravessam sorridentes tempestades. Meu corpo agoniza.

São esquecidas as lutas. Latentes uivos de outrora. Esboroam-se as madrugadas, ventania copula.

O tempo – aritmético profano. E o destino: o destino é um bilhete atado ao calcanhar com versos de uma vida. E desejo?

Desejo é fissura...

 

Título: Tempo de chuva

Autora: Natália Cavalcante Ribeiro Dias

 

Quando chove a Praça do Sapo se espalha de silêncio

E cada monumento segue a triste sinfonia do tempo

Em Santos, tudo acontece ...

Os pássaros proliferam-se em cada martírio

Os jovens confundem-se na bruma

E as ondas refletem os medos das Pedras

Em Santos, tudo amanhece...

Não como céu Veneza – num alvor de açafrão

Mas com os bosques de Ferro do Porto – estivadores: lassidão

O comércio do mar E as mãos do poder nos prédios afastados entre morros

- Universidades sem polir a excelência

Em Santos, tudo desaparece...

Mas Sua beleza perpetua ecoada pela arte e resistência meia quatro

Quando chove...

Toda cidade se torna sensata e seus olhos amordaçam o brio

Em Santos,

Tudo reaparece numa onda de heresia e esperança inerte

 

Título: s/ título

Autor: Joana Maria Pereira Roge

 

Não Te Prometo

Noites de lago

Oásis

Sanidade.

Mas

Bruma, Lua nua, Tempestade.

Não te prometo

Languidez de rede

Sargaços

Mormaços

Mas

Véus suados, Corpos rasgados, Palidez, Sede, Cansaço.

Não te prometo

Consolos reprimidos

Nem rios invadidos

Mas

Carícias e Gemidos, Gelos derretidos, Voragem.

Não te prometo

Nem céu

Nem riso

Madrigal

Mas

Escarcéu, Fogo, Vendaval.