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Censo já registrou metade das árvores do Boqueirão

12 de dezembro de 2019
17h 07

Depois de passar pelos bairros Pompeia e Gonzaga, o censo conduzido pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semam) realiza atualmente o levantamento das árvores do Boqueirão. Metade do trabalho no bairro já foi executado, com mais de 800 contabilizadas, e a equipe agora está voltada para as ruas localizadas entre as avenidas Conselheiro Nébias e Siqueira Campos.

A expectativa é de que a contagem em todo o Boqueirão seja finalizada até fevereiro. A saboneteira (Sapindus saponaria) é a espécie que têm apresentado predominância no Boqueirão até o momento e já havia sido a recordista de aparições no Gonzaga (veja abaixo).

ROTINA

Pela manhã, a bióloga responsável pelo trabalho, Sandra Pivelli, percorre as ruas acompanhada pelos estagiários da secretaria destacados para a realização do censo. Além da contagem das árvores e identificação das espécies, eles medem a espessura do tronco da árvore e assim estimam a sua idade; verificam a projeção da árvore na calçada (o quanto de sombra que ela produz) e observam outras características do vegetal e do berço em que se encontra. Também são anotadas a presença de flores, insetos, parasitas e epífitas (bromélias, orquídeas, samambaias etc.), além de possíveis interferências com a rede elétrica ou hidráulica.

A ocorrência de berços vazios é uma das situações encontradas que recebe prioridade da Prefeitura. A Semam aciona a Secretaria de Serviços Públicos para que providencie o plantio de uma nova árvore – geralmente ipês e guanandis, espécies nativas da Mata Atlântica que têm raízes menos agressivas, são priorizadas. “Detalhamos também a situação do local, pois às vezes é necessário realizar algum tipo de manejo. Há berços em que encontramos tocos de árvores. Ou seja, ele está disponível para abrigar uma nova, mas precisa passar por uma intervenção”, explica Sandra.

A estudante de Engenharia Ambiental Mônica Duarte atuou no censo do Gonzaga e agora segue na equipe do Boqueirão. Para ela, a experiência é uma oportunidade de complemento à sua formação. “O conteúdo de Botânica não tem tanto destaque no meu curso e esta é uma oportunidade que tenho para conhecer mais sobre as árvores e aprender a identificar se estão saudáveis, por exemplo”, afirma.

Universitários de Biologia, Mateus Frati e Arthur Aguiar destacam que a experiência em campo permite ampliar ainda mais o conhecimento adquirido na universidade, mais focado no comportamento das espécies no ambiente de floresta. “Por ser um trabalho realizado em uma área urbanizada, além do foco paisagístico, relacionamos o papel ecológico das espécies nos locais em que estão plantadas e a relação que as pessoas que vivem nas cidades têm com as árvores”, diz Mateus.

HISTÓRICO

De março a setembro, o trabalho de campo esteve concentrado no bairro do Gonzaga, um dos mais arborizados da Cidade. Foram contabilizadas 941 árvores, pertencentes a 51 espécies, sendo saboneteiras, ingás, guanandis, chapéus-de-sol e ipês as mais comuns.

Foram identificadas ruas sem a presença de árvores. Anteriormente, a equipe do censo arbóreo já havia contabilizado 373 árvores de 41 espécies no bairro da Pompeia, com predominância de ingás, saboneteiras, ipês, quaresmeiras e oitis.

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