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Capoeirista de Santos dá exemplo de inclusão pelo esporte em rede social 

22 de maio de 2020
18h 04

As chamadas lives, vídeos ao vivo nas mídias digitais, têm sido canais de comunicação e expressão muito utilizados nesse período de quarentena. Com temáticas para todos os públicos, uma transmissão especial na noite da última quinta-feira (21) mostrou que a arte da capoeira é universal, tendo como protagonista o capoeirista Clécio Vieira Vigo, 19 anos, conhecido como Vigão. Ele tem síndrome de Down e, por quatro anos, foi aluno do projeto Capoeira Inclusiva, da Seção de Esportes Adaptados da Secretaria de Esportes (Semes), onde descobriu o que deseja para sua vida.

Na live, Vigão, morador do Embaré, contou sua história nesse esporte, iniciada por vontade própria quando tinha sete anos, na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Santos, e que deu prosseguimento na Semes. Ali, ele passou a ter um sonho: ser mestre de capoeira e desenvolver projeto na modalidade em uma perspectiva inclusiva.

“Capoeira é alegria, felicidade, inspiração e muito amor. É tudo para mim”, conta Vigão, que atualmente é estagiário na Academia Aruanda de Capoeira, onde auxilia o mestre Everton Taboada. Seu primeiro professor nesta representação cultural que mistura esporte, luta, dança e música foi Cícero Tatu, responsável pela capoeira inclusiva da Semes, onde atua há 20 alunos.

“É uma atividade adaptável às pessoas e ela impulsionou a socialização do Clécio. Ele se tornou uma pessoa mais integrada no mundo, tem o espaço dele para se expressar em um canal no Youtube e tem boa verbalização”, disse Cícero, que acompanhou a evolução de Vigão. “A capoeira é muito atrativa por causa da musicalidade, e consegue, de alguma maneira, fazer com que as pessoas se sintam bem naquele ambiente”, acrescenta o professor.

VERSATILIDADE

Vigão é versátil durante a roda, momento mais esperado para todo capoeirista: além de gostar dos movimentos denominados macaco, parafuso e relógio, ele toca berimbau, atabaque, reco-reco e agogô, e adora cantar as músicas, entre as quais a ‘Santo Antônio, quero água’.

“Ele gosta muito da musicalidade. Já sabemos que ele quer seguir na área de capoeira”, diz o pai Clécio Vigo Noya, 50, contando que o filho estudou na escola municipal Cidade de Santos, lê e escreve e tem bom discernimento. “A capoeira desenvolveu bastante a oralidade, a coordenação motora e o físico dele. Ele gosta muito”, completa a mãe, a professora Elizete Aparecida Vigo Noya, 55.

A live de Vigão, mediada pelo professor de capoeira Everton Taboada, pode ser conferida no Instagram da Academia Aruanda (@capoeiraaruanda).

INCLUSÃO NA QUARENTENA

Atualmente, na Semes, são cerca de 200 alunos matriculados no projeto de inclusão em modalidades como natação, ciclismo, futsal, basquete, surfe e musculação, além da capoeira. As aulas contam com intérprete de Libras para auxiliar os professores quando há alunos deficientes auditivos.

Nessa pandemia, os professores enviam vídeos curtos sugerindo movimentos e mensagens de áudio individuais. “Também pedimos vídeos e áudios a eles, que ficam radiantes quando escutam a voz dos professores”, conta Cícero.  

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