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Aquário de Santos abre exposição com fotos de brinquedos retirados das praias

9 de janeiro de 2020
15h 31

Tudo começou como um trabalho acadêmico na disciplina de Processos Experimentais da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP) e que agora torna-se um importante meio de educação ambiental. Propondo algo diferente, o fotógrafo e arquiteto Marcos Piffer decidiu coletar e fotografar centenas de brinquedos encontrados na beira d’água. O ensaio é o cenário da exposição ‘Perdidos na Infância – uma arqueologia praiana do plástico’, que será aberta às 10h deste sábado (11), no Aquário, estendendo-se até o final da temporada.

Nascido em Santos e frequentador das praias santistas, Piffer, ao contrário da maioria das pessoas, sempre observou de forma diferente a quantidade e os tipos de objetos que via à beira-mar durante suas corridas e caminhadas. Trazidos pela maré, acabaram despertando a ideia de elaborar uma espécie de inventário reunindo tudo que encontrava pelo caminho, desde que envolvesse a preocupação com o meio ambiente. Até que decidiu retirar apenas objetos relacionados à infância.

Idas e mais idas à praia resultaram, até agora, na coleta de cerca de 500 peças. Sem sequer lavá-los para preservar toda a areia, limo e outras marcas do tempo e das águas do mar, rios ou mangues, Piffer os levou para casa e fotografou um a um.

Bonecas, bolas, baldes de areia, carrinhos, bichinhos de plástico e vários outros objetos que antes fizeram parte da infância de muitas crianças agora estamparão os 14 painéis da exposição, que servirá como instrumento educativo e meio de reflexão sobre a importância da preservação do meio ambiente.

Os painéis serão afixados do lado de fora, tomando todo o entorno do Aquário. Serão 11 estruturas de um metro de altura por 2 de comprimento, com oito imagens cada, e mais três painéis menores. Ao todo, exibirão 94 imagens dos brinquedos coletados por Piffer.

“A exposição é mais um esforço da Prefeitura, por meio da Secretaria de Meio Ambiente (Semam), para conscientizar o público sobre a necessidade do consumo consciente, do descarte correto e reciclagem. Será no ponto turístico mais visitado da Cidade, reforçando essa mensagem tanto para moradores como para turistas”, afirmou o secretário de Meio Ambiente, Marcos Libório.

 

BONECA

 

Empolgado com a iniciativa, Piffer contou que, de tantos brinquedos removidos da praia, um chama mais a atenção. “Encontrei o tronco de uma boneca que tinha no cabelo vários propágulos, que são sementes encontradas em árvores de mangue. Sinal de que ela ficou muito tempo naquele ambiente e comprova que a maior parte dos brinquedos vem de regiões de palafitas”.

O fotógrafo contou que, desde o início do trabalho, enxergou no projeto um enorme potencial educativo para crianças e jovens, já que o ensaio aborda questões ambientais como o descarte inadequado do lixo e a presença do plástico em todo o mundo, desigualdades sociais, consumismo e ações da natureza, que acabam transportando todo esse lixo. Sem falar na memória afetiva que cada imagem é capaz de despertar. “E também aborda o poder da fotografia como elemento de comunicação e propagação de uma ideia. Nesse sentido, a exposição externa no Aquário, em um formato grande, permitirá que todos que passarem por ali se sensibilizem com a mensagem”.

 

DOAÇÕES

Todos os objetos fotografados estão catalogados e Piffer pretende lavá-los, recuperá-los e doá-los para crianças carentes. “Questões como essa, que remetem à infância, têm um apelo muito forte. E o estado em que os objetos estavam causa uma certa desolação, tristeza”, frisou o fotógrafo, que criou, com as imagens, dois jogos, sendo um deles de memória. Formado por 40 peças (ou 20 pares), será doado ao Aquário para que seja utilizado em ações educativas.

 

Fotos: Marcos Piffer

 

Galeria de Imagens

Bola murcha e suja. #Pracegover
Pé de sapato de criança sujo de areia. #Pracegover
Pino de boliche amassado e sujo de areia. #Pracegover
Cavalinho de plástico. #Pracegover
Braço esquerdo de boneca. #Pracegover