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Alunos de Santos mostram sensibilidade para questões de refugiados

5 de setembro de 2019
14h 52

“E se você tivesse que fugir deixando o que você mais ama? Sua casa, família, amigos, seu país? Assim começa a cena teatral apresentada nesta quinta-feira (5) pelos 31 alunos do 4ºA da escola municipal Therezinha de Jesus Siqueira Pimentel (Morro São Bento), que fala dos refugiados, tema do projeto 'O tear de nossas histórias na construção do mundo', desenvolvido há dois anos na unidade.

 

Um varal de poesias, escritas com a comunidade, em abril último, também foi exposto. A intenção é trabalhar a empatia, a valorização do outro, segundo a professora Renatta Burgos, idealizadora do projeto.

 

“Antes de participar do projeto, achei que eram pessoas que saíam de seus países e pronto. Agora, me coloco no lugar deles, sei como sofrem”, afirmou Raquel de Almeida, 9. A colega Yasmin dos Santos, 9, disse que o mais importante é aprender a respeitar e ajudar o próximo. As duas contaram que ensaiaram a cena teatral por um mês. “Mostramos a fome, o frio, a solidão e o preconceito”, declarou Yasmin.

 

Duas músicas encerraram o evento: Última Oração, de A Banda Mais Bonita, e Valeu Amigo, versão de Pikeno e Menor, embaladas pelo teclado da professora de Arte, Fátima Gonçalves Tanaka. “Coração não é tão simples quanto pensa, nele cabe o que não cabe na despensa, cabe o meu amor...”, dizia uma delas.

 

HISTÓRICO

 

O projeto iniciou em 2018 com os estudantes de uma turma de 3º ano da unidade, na qual a professora lecionava. Neste ano, continua com a sua classe do 4º ano. É explicado em sala de aula sobre guerras, refugiados e toda a problemática envolvida.

 

Além das poesias, os alunos têm, semanalmente, oficinas de costura de bolas e bonecas, utilizando retalhos, que já somam 300 unidades. “A ideia é enviar para a ONU (Organização das Nações Unidas) a fim de que repassem a campos de refugiados”, informou Renatta.

 

Em novembro de 2018, os estudantes visitaram o Instituto Base Gênesis, de São Paulo, que atende e acolhe refugiados de diversos países, levando mais de 200 brinquedos, roupas e produtos de higiene pessoal.

 

A diretora da escola, Maria Luísa Del Rosso, destacou a cooperação e respeito com que os alunos realizam as oficinas de costura. “O objetivo é ser solidário com todos, não só refugiados, mas com todos os que têm menos que a gente”.