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Adolescente acolhido em Santos ganha apoio para talentos artísticos

25 de dezembro de 2019
16h 40

O Natal é uma época mágica, onde tudo se transforma e passa a ser algo melhor, inclusive a vida de algumas pessoas em situação de vulnerabilidade. A advogada Simone Caetano Fernandes, 55 anos, tratou de fazer a sua parte: recebeu um jovem de 16 anos em sua casa através do programa Família Acolhedora. O Natal deste ano terá um gostinho especial para os dois.

 

Há 62 dias Simone vem conhecendo um novo integrante de seu núcleo familiar. Ela, que tem dois filhos, conviveu 30 anos com outras crianças na escola, enquanto dava aulas de matemática, mas não imaginava que, após tanto tempo, seria agraciada com outra presença tão jovial. “Ele não mudou só a minha rotina, mudou a minha vida”.

 

A advogada, que participou de uma mobilização (https://www.santos.sp.gov.br/?q=noticia/mobilizacao-em-santos-esclarece-sobre-diferentes-tipos-de-familia) em torno do assunto na Praça Mauá, sentiu-se frustrada ao não conseguir nenhum voluntário para o programa, o que a fez se dispor a participar. “Todas as pessoas que se sentem vazias e que possam ajudar o próximo, deveriam fazê-lo”.

 

O Família Acolhedora é um programa de acolhimento temporário de crianças e adolescentes cujas famílias originais estejam em fase de desajuste (veja regras abaixo).

 

O jovem, agora na casa de Simone, aparenta certa timidez, mas ama o palco. Em 2013, quando fazia teatro, foi convidado para participar de um videoclipe. O contato com o estúdio e todos os elementos que complementam o cenário artístico encantaram o garoto. Desde então, ele compõe, canta, produz, cria coreografias e edita seus próprios videoclipes.

 

Simone apoia os sonhos do menino. O presente de Natal deste ano foi um pequeno estúdio em casa, nada muito sofisticado, mas tudo o que o adolescente precisa. O jovem sonha em cursar cinema e, quem sabe, se tornar ator um dia. “Ele não demonstra nenhum tipo de rancor ou rebeldia, pelo contrário, se mostra grato por tudo o que tem”.

 

“Quando eu a vi pela primeira vez, soube que tudo ia mudar”, disse o garoto, que conta ter ficado tenso nos primeiros dias com a nova experiência”, mas que, em pouquíssimo tempo, conseguiu se soltar. Quem os vê hoje, nem imagina que se conheceram há apenas dois meses. “Ela é maravilhosa, eu a admiro por tomar decisões tão boas e tão raras”.

 

“Para mim, a família acolhedora é sinônimo de amor e empatia, e é isso que o Natal transborda”, finaliza o coordenador de Proteção Social de Alta Complexidade da Secretaria de Desenvolvimento Social, Gustavo Prado.

 

 

CADASTRO

O Programa Família Acolhedora tem, atualmente, 10 núcleos familiares cadastrados e, até hoje, já acolheu mais de 175 crianças.



O acolhimento dura, em média, seis meses e, no máximo, dois anos. Criada em 2004, a iniciativa beneficia bebês, crianças e adolescentes. É importante não só para proteger as crianças, como para os pais ficarem tranquilos enquanto tentam superar a crise que motivou a separação familiar.



A família que acolhe recebe R$ 524,63 ao mês por criança acolhida. A ajuda de custo é financiada pelo Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. O serviço, que é oferecido pela Secretaria de Desenvolvimento Social, funciona na Rua Miguel Presgrave, 26, Boqueirão, de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h. O telefone para contato é 3251-9333.

 

O que é preciso para se cadastrar

 

  • Morar em Santos
  • Ter mais de 18 anos
  • Não ter interesse em adoção
  • Não ser dependente de álcool e outras drogas
  • Não passar por dificuldades financeiras
  • Não ter doença incapacitante
  • Apresentar condições favoráveis de moradia
  • Todos os integrantes da família aceitem o acolhimento

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