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Santos preserva e celebra cultura do café, grande motor de desenvolvimento da Cidade

Publicado: 6 de janeiro de 2026 - 14h40
Atualizado: 6 de janeiro de 2026 - 14h50

Festival, Santos e café. Três palavras que chamam a atenção. Sinônimos de atrações em ótima localização e com uma das mais populares bebidas. Explicar a importância do café para Santos e para o Brasil (e vice-versa) é fácil. Há mais de 150 anos, o País é o maior produtor da segunda bebida mais consumida no mundo (atrás apenas da água), tanto para exportação, quanto para consumo interno (segundo no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos).

E o café é o mote de um dos principais eventos realizados há 10 anos pela Prefeitura no Centro Histórico: o Festival Santos Café, símbolo de uma relação histórica, com degustações, oficinas e passeios, que atrai milhares de santistas e turistas interessados em experimentar os vários tipos da bebida e curtir atrações relacionadas a esse produto tão especial.

A importância histórica e econômica de Santos para o ciclo do café fez a Cidade ficar conhecida como  capital do “ouro verde”, em uma era de prosperidade que a transformou em um centro comercial de renome internacional. Casarões luxuosos, edifícios comerciais importantes, armazéns cheios representavam a nova configuração do que hoje é o Centro Histórico.

As vias mais movimentadas eram a XV de Novembro e a do Comércio. A XV chegou a ser conhecida como a Wall Street brasileira, por ser reduto das casas exportadoras de café, agências marítimas, bancos e da Bolsa Oficial de Café. O complexo portuário reunia mais de 30 armazéns para embarque do produto. 

DESENVOLVIMENTO

Inaugurada em 1867, a Estação do Valongo é considerada um dos pontos mais importantes do desenvolvimento de Santos. Nela chegavam as mercadorias transportadas pela Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, a primeira ferrovia paulista, que fazia a ligação entre o Porto de Santos e o interior paulista, grande produtor do café para exportação na época. A estrada pertencia ao empresário Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá. Ele a construiu para modernizar e agilizar naquela época o transporte de cargas ao cais santista.

A tradicional Praça Mauá ganhou esse nome em sua homenagem em 1887. Em 1910, um monumento com uma estátua do Visconde de Mauá foi inaugurado no centro da praça como forma de reconhecimento à sua figura. A estátua, com 8,5 metros de altura, é obra do escultor Rodolfo Bernadelli. 

BOLSA E MUSEU DO CAFÉ

Neste contexto, foi inaugurada a Bolsa Oficial do Café, em 1922, a sede da elite cafeeira paulista.  A sala dos pregões públicos, majestosa e imponente, conta com um conjunto de obras idealizadas e pintadas por Benedicto Calixto. Um lugar que reúne tradição, arquitetura, história, sabores e aromas.

O edifício foi erguido em Santos porque, na época, a Cidade era a maior praça de café do mundo e muitos países só aceitavam comprar o produto se ele fosse negociado e chancelado na Bolsa.

Instalado em um prédio de estilo eclético, com 6 mil m² e mais de 200 portas e janelas, se transformou no Museu do Café, inaugurado em 1998, local turístico que exalta o produto e a experiência de variadas sensações, que vão do início do cultivo do grão até a consolidação do café como um dos símbolos nacionais.

O museu integra tradicionalmente a programação do festival, mas tem exposições permanentes e temporárias, obras de arte, mobiliário de época, loja temática e cafeteria que serve os melhores grãos – e até o mais caro e raro do País.

RUA XV – WALL STREET BRASILEIRA

Queridinha de santistas, turistas e produtores de audiovisual na atualidade, a Rua XV, desde a Praça dos Andradas até a Praça Barão do Rio Branco, era por onde passava o bonde, e as figuras mais abastadas de Santos faziam as negociações internacionais do café.

Inicialmente batizada como Rua Direita, no período colonial, foi ali que nasceu um dos heróis santistas, José Bonifácio de Andrada da Silva, e também onde ficavam os mais importantes escritórios, bancos e casas comerciais da Cidade.

As instituições financeiras que tiveram sede na XV: City Bank, Banco Holandês Unidos, Banco Ítalo-Belga, Banco do Minho, Bank of London & South America Limited, Banco da América S/A, Banco Nacional Transatlântico, Banco Português do Brasil, Banco Commercial do Porto, Banco do Distrito Federal, Banco do Comércio e Indústria de Minas Gerais, Banco Nacional da Cidade de São Paulo. Sem falar na Bolsa do Café e na sede da Associação Comercial de Santos, a quinta mais antiga do País.

Em 2023, a Prefeitura entregou a revitalização do bulevar da Rua XV de Novembro. O projeto revigorou o trecho entre as ruas Riachuelo e Frei Gaspar, buscando valorizar os patrimônios histórico e arquitetônico, priorizar a circulação de pedestres e dotar a região de mais um espaço para eventos.

No processo de reocupação do Centro, uma série de equipamentos públicos municipais foi transferida para a via, como o Departamento de Gestão de Pessoas e Ambiente de Trabalho (Degepat), a Secretaria Municipal da Mulher, Cidadania, Diversidade e dos Direitos Humanos (Semulher), o InvestCentro e a Escola Livre de Dança.

Na via também fica a estátua do Corretor de Café, uma homenagem aos profissionais do setor cafeeiro. A obra, criada pelo artista santista Daniel Gonzalez, foi inaugurada em 2012, e está situada em frente ao Museu do Café.

PIONEIRISMO EM CAFETEIRA

Como não poderia deixar de ser, as empresas santistas aproveitaram o período, dando origem a várias cafeterias. É caso do Café Floresta, cuja primeira cafeteria do País foi criada em Santos, em 1972, no Gonzaga. Conhecida como "Casa do Cafézinho", funciona até os dias de hoje. Chegou a ter 21 cafeterias espalhadas por várias cidades do Estado.

A marca é resultado da fusão de sete companhias cafeeiras brasileiras e foi fundada em 1940. A fábrica - que está aberta até hoje - foi inaugurada em 1987, no bairro do Valongo. Em 1970, a empresa inaugurou a Casa do Café, na área primária do Porto de Santos.

ACERVO ARQUITETÔNICO

Santos dispõe de um dos mais importantes acervos arquitetônicos de São Paulo com exemplares característicos do ciclo do café. O período áureo tem na Casa da Frontaria Azulejada, Estação do Valongo e nos casarões do Valongo os principais representantes do estilo neoclássico, surgindo depois a arquitetura eclética, como a Bolsa de Café.

TRADIÇÃO E OTIMISMO

O aroma exalado na esquina das ruas Gonçalves Dias e Visconde de Vergueiro é bem conhecido dos santistas. A história do Rei do Café começou com o avô, Joaquim Augusto Alves, em 1928, como funcionário da torrefação. Na década de 1980, o filho de Joaquim, José Reinaldo Rema Alves, assume os negócios e, desde 2015, os netos Vitor e Guilherme Rema estão à frente do local. 

Quando os irmãos assumiram, decidiram, aos poucos, transformar o negócio também em uma cafeteria e produzir outros cafés. O modo artesanal de preparar o café de todo dia continua lá, torrado em lenha de eucalipto e resfriado a ar. Quem gosta da bebida conhece bem a diferença que o grão escolhido faz na qualidade. O Rei do Café trabalha somente com os melhores grãos da espécie arábica (Coffea arabica).

A casa mantém as instalações originais e está situada há mais de um século no mesmo endereço.  Desde abril de 2022, os irmãos também tocam a cafeteria do Museu do Café, ali pertinho. Agora, com a ampliação do negócio, o Rei do Café produz localmente para as duas unidades.

CAFETERIA NO PALÁCIO

No histórico Palácio José Bonifácio, sede da Prefeitura, os visitantes podem desfrutar de uma cafeteria no 5º andar. Da varanda é possível ter vista privilegiada da Praça Mauá, porto e o Monte Serrat, o que garante um charme todo especial para o cafezinho. A bebida servida tem torra artesanal, uma seleção especial, tipo exportação, da Santos Best Coffee, empresa criada há mais de 70 anos pela família Wolthers, do ramo de classificação e corretagem do produto.

TRADICIONAL CAFÉ CARIOCA

O Café Carioca surgiu na década de 1930, situado à Rua Dom Pedro II, sendo logo depois transferido para a Praça Mauá, 1, onde se encontra até hoje. Mesmo levando o nome da bebida, a preferência da clientela ainda é pelos pasteizinhos.  Acompanhou de perto a história polí­tica e cultural, tendo clientes como Getúlio Vargas, Jânio Quadros, Eurico Gaspar Dutra, João Goulart, Lula e o santista Mário Covas.

PINACOTECA BENEDITO CALIXTO

Último casarão remanescente na orla de Santos, construído no início do século 19, foi residência de um rico exportador de café. Depois de um período turbulento na sua história, o casarão foi restaurado para funcionar a Fundação Pinacoteca Benedito Calixto e posteriormente tombado pelo Condepasa. Dentro tem o Bistrô Calixto Café, um lugarzinho charmoso, nos moldes europeus e em meio ao jardim da Pinacoteca.

BONDE CAFÉ

Há 10 anos, circula pelo Centro Histórico o Bonde Café, em homenagem à bebida. Durante o festival, ele fica estacionado para que os visitantes façam degustação de cafés especiais e ouçam dicas de um barista sobre preparo, origem e sabor.

CAFÉ VIRA ARTE URBANA

O Centro Histórico ganhou, em uma das edições do Festival Santos Café, um colorido especial. Sete artistas da Cidade produziram um mural de arte urbana que decora a área da garagem dos bondes, no Valongo (Largo Marquês de Monte Alegre).

Com 17 painéis e aproximadamente 170 metros quadrados, o mural é uma realização do Coletivo La Santista, com obras de Ramon Arzerra, Adriano Dicart, Bomfim, Camila Perez, Letícia Passareli, Ponciano e Prëo. Além destes, outras artes sobre o tema estão espalhadas pela região.