Programa fortalece atendimento em saúde mental na Atenção Primária de Santos
A saúde mental já representa a sexta condição de saúde mais registrada na Atenção Primária à Saúde (APS) de Santos. O dado é da ImpulsoGov, ONG que apoia gestores e profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) no aprimoramento da gestão e das políticas públicas por meio do uso estratégico de dados e tecnologia.
A informação foi apresentada pela coordenadora de Saúde Mental na Atenção Primária da ImpulsoGov, Evelyn da Silva Bitencourt, durante a formatura de 49 profissionais da rede capacitados pelo Programa de Fortalecimento da Saúde Mental. A cerimônia foi realizada na Universidade São Judas, na Vila Mathias.
Concluíram a formação agentes comunitários de saúde, técnicos de enfermagem e outros profissionais que atuam nas unidades básicas.
RESULTADOS
Na cerimônia, foram destacados os primeiros resultados do programa: cerca de mil encontros com usuários, além de 623 acolhimentos estruturados. A identificação precoce de situações de maior risco levou ao encaminhamento de 86 pessoas para atendimento especializado.
Entre os usuários atendidos, 82,9% são mulheres, com média de idade de 52,7 anos, e 50,4% se autodeclaram negras. Os principais motivos identificados para o acolhimento foram conflitos interpessoais (33%), luto (18%), transição de papéis sociais (14%) e solidão ou isolamento (11%).
"Essa qualificação amplia nossa capacidade de atendimento e reforça o compromisso da Prefeitura em oferecer respostas às necessidades da população", declarou o secretário municipal de Saúde, Fábio Lopez.
Evelyn destacou a construção conjunta do projeto. "Fortalece o trabalho que vocês já realizam diariamente no atendimento à população. Foi ao lado de vocês que construímos estratégias para qualificar ainda mais o cuidado em saúde mental na Atenção Primária".
COMO FUNCIONA
Desenvolvido pela Secretaria de Saúde em parceria com a ImpulsoGov, o programa amplia a capacidade de acolhimento nas policlínicas para pessoas com sofrimento mental e emocional leve.
O programa foi implantado em Santos em agosto de 2025, com formação teórica e prática supervisionada. Os atendimentos estruturados tiveram início em novembro do mesmo ano.
A técnica de enfermagem Eliana Edington Santos Dias, da Policlínica do Campo Grande, já percebe os resultados da qualificação. "Três pacientes já me procuraram para agradecer pelo atendimento recebido, pois conseguiram enfrentar o luto. Sempre gostei dessa área e agora tenho mais ferramentas para trabalhar e oferecer um olhar ainda mais qualificado aos pacientes".
A agente comunitária de saúde Rosimeire de Jesus dos Santos, da Policlínica do Rádio Clube, também destacou os benefícios. "Era um tema pelo qual eu já tinha interesse. A capacitação me proporcionou um atendimento mais direcionado às pessoas em sofrimento".
Esta iniciativa contempla o item 3 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU: Saúde e Bem-Estar. Conheça os outros artigos dos ODS