Seu navegador não possui suporte para JavaScript o que impede a página de funcionar de forma correta.
Conteúdo
Notícias

Mureta da Ponta da Praia: audiência debate tombamento de símbolo de Santos

Publicado: 14 de agosto de 2026 - 11h23
Atualizado: 14 de agosto de 2026 - 11h27

A importância histórica, cultural, paisagística e simbólica da Mureta da Ponta da Praia foi debatida, quinta-feira (13), em audiência pública na Associação Comercial de Santos.

O encontro integra o processo administrativo para o tombamento do trecho original da estrutura, localizado na Avenida Rei Pelé, entre a Rua Carlos de Campos e a Praça Almirante Gago Coutinho.

Promovida pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos (Condepasa), a audiência apresentou os estudos técnicos que fundamentam a proposta e abriu espaço para manifestações, sugestões e contribuições da sociedade. As participações serão incorporadas ao processo para análise antes da deliberação.

Para o secretário municipal de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade e presidente do Condepasa, Glaucus Farinello, a audiência é uma etapa importante para garantir a participação da sociedade no processo de reconhecimento do patrimônio. “É uma oportunidade de apresentar os estudos, ouvir as pessoas e garantir o contraditório”.

O eventual tombamento não significa o congelamento do bem ou da região. O objetivo é reconhecer e preservar um elemento que adquiriu relevância para Santos tanto por suas características materiais quanto pelo valor simbólico construído ao longo das décadas. “A mureta compõe a paisagem da praia, mas também está nas imagens, nas lembranças, nas propagandas e no imaginário de quem vive ou visita Santos. É um símbolo da identidade da Cidade”.

IDENTIDADE SANTISTA

Responsável pelo estudo que fundamentou a proposta, o gestor público Thales Veiga ressaltou que a mureta representa a relação histórica e cotidiana dos santistas com o mar. “A mureta representa a relação do santista com o mar. Esporte, turismo, cultura, pesca e até o simples caminhar pela praia passam por ali”, destacou.

O estudo foi estruturado em três partes e buscou compreender não apenas as características físicas da mureta, mas também o contexto histórico da região e a dimensão simbólica adquirida pelo elemento.

Ao longo do tempo, a mureta deixou de ser apenas uma estrutura de proteção e passou a ocupar diferentes espaços da cultura e da economia local. 

“É um símbolo do santista. O reconhecimento é uma forma de preservar esse patrimônio para as próximas gerações”, afirmou Veiga.

MARCO DA URBANIZAÇÃO

Na audiência, também foram apresentados aspectos da história e da urbanização da Ponta da Praia. O bairro foi uma das últimas regiões de Santos a passar por um processo mais intenso de urbanização e, ao longo do século 20, consolidou-se como uma área fortemente ligada ao mar.

As muretas foram inauguradas em 2 de julho de 1945, como parte das obras de urbanização da Ponta da Praia realizadas entre 1943 e 1945. A estrutura foi projetada em 1941 pelo engenheiro Carlos Lang.

O projeto original também incluía elementos que permanecem associados à paisagem da região, como as rampas e a Ponte Edgard Perdigão.

VALOR CULTURAL E SIMBÓLICO

O pedido de abertura do estudo de tombamento foi protocolado em 20 de fevereiro de 2026 pelo conselheiro Rafael dos Santos Oliva, representante do Gabinete do Prefeito no Condepasa. A proposta contempla a proteção do trecho original da Mureta da Ponta da Praia e a abertura de estudo para seu registro como patrimônio cultural imaterial.

PRÓXIMOS PASSOS

O processo seguirá para o Condepasa, que deverá analisar as contribuições apresentadas e deliberar sobre o prosseguimento do pedido de tombamento e da abertura do estudo para registro como patrimônio cultural imaterial.

 

 

Esta iniciativa contempla o item 11 dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU: Cidades e Comunidades Sustentáveis. Conheça todos os artigos do ODS 

Fotos: Carlos Nogueira e Marcelo Martins