Fisiculturista santista projeta retorno forte em 2027
Fábio Maradei
Depois de oito anos competindo, sempre com foco na busca pelo próximo pódio, a santista Tatiana Soares Bernegozzi (Fupes) decidiu que era hora de uma pausa estratégica, planejada. Não para se afastar do fisiculturismo, mas para preparar o próximo passo.
Aos 34 anos, a atleta fez de 2026 um período de reestruturação, avaliações e evolução física, com a meta de voltar às disputas em 2027 ainda mais preparada e em busca de novas conquistas. A expectativa é competir no Muscle Contest São Paulo, em maio.

Referência regional na modalidade, Tati compete na categoria Women's Physique, na qual já coleciona títulos. Sua conquista mais recente foi no 1º Santos Super Show. Neste ano, o plano foi aproveitar a pausa para recuperar o corpo, cuidar da saúde e trabalhar pontos que podem fazer diferença no retorno aos palcos.
“Precisei ficar sem passar por preparação esse ano. Isso faz o físico evoluir também. Dar esse descanso e também, por questões de saúde. Fazer todos os exames, sangue, cardiológicos... e todo o resto”, explica.
No fisiculturismo esportivo, o objetivo é construir um físico com musculatura desenvolvida, definição e proporções harmônicas. No palco, a presença, a apresentação e a execução das poses ajudam a valorizar o trabalho realizado durante meses de treinamento, dentro de critérios rigorosos de avaliação.

Para chegar a esse nível, porém, a preparação vai muito além da musculação. “Uma preparação vai muito além da musculação. Tem a parte de quiropraxia, liberação miofascial, drenagens... e, é claro, alimentação!”, conta Tati.
MENTAL
A pausa de 2026 também teve um componente pessoal. Tati explica que uma preparação exige não apenas esforço físico, mas organização e equilíbrio mental. “Dei essa pausa por algumas questões pessoais. Uma preparação exige disciplina, organização, e a mente precisa estar alinhada com tudo isso”, revela.
“Então juntou isso com a necessidade mesmo de evoluir o físico, não levar ele ao limite mais uma vez”, acrescenta.
A rotina de atleta permanece mesmo sem uma competição marcada e Tati mantém exames de sangue a cada cinco meses e conta com acompanhamento médico e uma equipe multidisciplinar. “Exames de sangue a cada cinco meses!”, destaca.

Entre os profissionais que acompanham a atleta está o Instituto Allevo, onde Tati recebe suporte de fisioterapia e quiropraxia com Atef Yassin. A estrutura é complementada pelo trabalho do treinador Adam Abbas e da nutricionista Aline Grando.
“Sim, tem uma equipe comigo, com todo o suporte que preciso”, conta Tati, que também inclui na preparação o pilates. “Como complemento para melhorar aspectos importantes para a apresentação no palco”, ressalta.

A PRÓPRIA TREINADORA
O treinamento é feito sob responsabilidade da própria Tati, que utiliza sua experiência profissional e o conhecimento adquirido ao longo dos anos. O treinador entra com o olhar técnico sobre os pontos que precisam ser desenvolvidos.

ROTINA
Mesmo sem estar em preparação para uma competição, a atleta mantém uma rotina regrada. Para ela, essa disciplina é justamente o que diferencia quem vive o esporte de quem busca apenas a experiência de subir ao palco.
“A vida regrada segue. Isso que faz um atleta, 24 horas por dia! E o que diferencia esse pessoal novo que está chegando, que só quer o glamour do palco. Mas ser atleta é 24 horas, viver disso, independentemente de ter uma data ou não!”, fala.

Ela explica que o ‘cardio’ é uma das prioridades para a próxima preparação. “Todos os dias, uma hora, sem errar! Alimentação segue a mesma, com uma refeição livre por semana, porém com quantidades um pouco maiores.”
Personal trainer há 15 anos, ela considera que a experiência como atleta reforça sua atuação profissional e a maneira como orienta seus alunos. “É bom ser exemplo aos seus alunos. Isso indiscutível! Precisa passar na pele para ter prioridade na fala”, anuncia.
DO FUTEBOL AO FISICULTURISMO
A relação de Tati com o esporte começou muito antes dos palcos. Na infância e adolescência, praticou diferentes modalidades e chegou a jogar futebol em um nível próximo do profissional.

“Depois, fiz a faculdade e parei os esportes. Estava sentindo falta de alguma competição, já fazia musculação, conheci o fisiculturismo quando entrei em uma academia e tinham muitos atletas. Era dezembro, e ia acontecer o campeonato mais importante da Baixada, Mister Santos. Me encantei com os atletas e pensei: quero fazer isso”, recorda.
A decisão deu início a uma trajetória que já dura quase uma década. E os resultados vieram desde o começo. “Não esperava. São oito anos competindo e nunca fiquei fora do pódio. São alguns overalls para conta!! Graças a Deus”, comemora.
Entre tantas competições, uma ocupa lugar especial na memória. O Mister Santos de 2020 reuniu uma série de acontecimentos pessoais difíceis durante a preparação. “Foi na Pandemia, eu perdi meu cachorro que viveu comigo 18 anos, sofri uma queda de moto e tive que operar o ombro. Tudo no meio da preparação. E fui overall”, lembra, comemorando a conquista.

A história ajuda a explicar a relação da atleta com o fisiculturismo. Para Tati, competir não se resume ao dia do campeonato. O palco é apenas a consequência de uma rotina construída diariamente. É com essa mesma mentalidade que ela prepara o retorno em 2027.
A pausa foi planejada para permitir que o físico evoluísse, que a saúde fosse acompanhada de perto e que a preparação pudesse ser retomada no momento certo. “A meta é chegar ao Muscle Contest São Paulo bem-preparada e, novamente, pronta para disputar títulos”, completa Tati, que além da Fupes, conta com o apoio de Império Cerealista e Academia Life.
Esta iniciativa contempla o item 3 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU: Saúde e Bem-Estar. Conheça os outros artigos dos ODS.