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Dia das Mães: santistas compartilham trajetórias de amor, luta e parcerias

Publicado: 10 de maio de 2026 - 8h18
Atualizado: 10 de maio de 2026 - 8h20

Caterina Montone

Tornar-se mãe é viver encontros que mudam destinos. Alguns chegam de forma inesperada, outros se constroem todos os dias, na parceria e no cuidado que atravessam o tempo. Neste Dia das Mães (11), histórias em Santos - Cidade com rede de apoio integral para elas - revelam a força desses vínculos.

Um dos exemplos é o de Fabíola Faro, de 48 anos, que traduz na intensidade da maternidade atípica a conexão construída ao lado do filho Pedro, de 9 anos, definida por ela como um verdadeiro “encontro de almas”. Antes da maternidade, ela não imaginava que teria filhos.

Solteira e enfrentando um período de depressão profunda, viu a vida mudar completamente após conhecer Pedro durante uma ação voluntária em uma instituição que acolhia crianças com paralisia cerebral. Bastou vê-lo pela primeira vez para sentir que aquele vínculo já existia.

“Quando eu o vi, agarrei nele e nunca mais soltei. Estava sentadinho em um dos quartos, e percebi que era coisa do destino eu estar lá”, relembra.

Mãe de uma criança com múltipla deficiência, Fabíola afirma que nunca enxergou o filho pela limitação física, mas pela potência do amor que surgiu entre os dois. “Uma mãe atípica acorda pronta para lutar todos os dias. Mas o amor deles pela gente é algo indescritível”.

Hoje, Pedro tem uma rotina intensa de escola, fisioterapia, fonoaudiologia e terapias, além dos estímulos constantes dentro de casa. Segundo ela, cada pequena conquista do filho representa uma vitória construída diariamente com dedicação e afeto.

Emocionada, Fabíola diz que foi Pedro quem transformou sua vida. “As pessoas falam que eu fiz muito por ele, mas ninguém imagina o que ele fez por mim. O Pedro me tirou do fundo do poço. Ele acorda todos os dias sorrindo, dizendo ‘bom dia, mamãe’. Gostamos de fazer tudo juntos, até assistir programas de culinária e assar pães. Ele é luz”.

Com abraços, muitos beijos, sorrisos e o gesto que o menino faz com as mãos formando um coração para dizer “eu te amo”, mãe e filho traduzem uma relação marcada por cumplicidade, amor, força e uma conexão que, segundo ela, “nunca terá explicação, a não ser encontro de almas”.

PARCERIA

Desde o incentivo para prestar concurso público, os almoços em família e até os trajetos divididos para o trabalho, a parceria entre Cleide Ferreira, de 51 anos, e a filha Thamires da Silva, de 34, ultrapassa os laços familiares até a Prodesan.

Mãe e filha atuam como auxiliares de limpeza na instituição e compartilham uma rotina marcada por sentimentos expressados neste Dia das Mães. Há 11 anos na Prodesan, Cleide foi quem incentivou a filha a prestar concurso público.

Thamires, que está na empresa há um ano e cinco meses, conta que encontrou na mãe não apenas inspiração, mas também apoio diário para aprender a rotina do trabalho.

“No começo, eu perguntava tudo para ela, sobre limpeza, produtos, como funcionava cada coisa. Ela sempre me ajudou muito”, relembra.

Mesmo atuando em setores diferentes, as duas mantêm a proximidade dentro e fora do ambiente profissional. “Tudo o que a gente faz é junto”, resumem.

Mas nem sempre foi assim. A relação se fortaleceu após a morte do pai de Thamires, em 2014, e voltou a ganhar novos significados com o nascimento da pequena Eloá, neta de Cleide, que passou dois meses internada na UTI neonatal.

“Foram momentos que uniram ainda mais a nossa família. Não sei o que teria feito sem ela ao meu lado”, conta a filha. Protetoras uma com a outra, elas se definem com palavras parecidas: cuidado e união. “Ela é mais minha mãe do que eu dela”, brinca Cleide. Já Thamires resume a mãe em uma palavra: “amor”.

REDE DE APOIO

Da gestação aos desafios da maternidade atípica, Santos conta com uma rede de serviços públicos voltados ao cuidado, acolhimento e desenvolvimento de mães e filhos.

Na área da saúde, programas como o Mãe Santista já acompanhou mais de 19 mil gestantes desde o pré-natal até os primeiros anos de vida da criança, enquanto policlínicas e o Instituto da Mulher e Gestante oferecem atendimento multidisciplinar e acompanhamento especializado.

Para mães de crianças com deficiência, o Município também disponibiliza serviços como a Clínica-Escola do Autista (Cren), que realiza atendimentos terapêuticos e atividades voltadas ao neurodesenvolvimento, além da cinoterapia, terapia assistida por animais desenvolvida em parceria com o canil da Guarda Civil Municipal.

Na educação, a rede municipal investe na educação integral, inclusão de estudantes com deficiência em salas regulares e conta com profissionais de apoio escolar, professores especializados e intérpretes de Libras.

Já iniciativas como o projeto TamTam, referência nacional em inclusão por meio da arte e cultura, e as Vilas Criativas, com aulas acessíveis e atividades integrativas, desenvolvem a socialização e o bem-estar de mães e filhos.

A Casa da Mulher, dedicada à capacitação, orientação e proteção de mulheres, oferece cursos que vão da área da beleza à mecânica, promovendo geração de renda e inserção no mercado de trabalho.

Além disso, disponibiliza atendimento jurídico, psicossocial e do programa Guardiã Maria da Penha. Enquanto as mães participam das atividades, as crianças podem brincar em um espaço totalmente dedicado a elas, com acompanhamento.

O esporte também faz parte dessa rede de inclusão. Santos oferece modalidades gratuitas em centros esportivos espalhados pela Cidade, incluindo iniciativas como a Escola de Surfe Adaptado, que promove aulas voltadas a pessoas com deficiência e atende centenas de alunos todos os anos.

 

Esta iniciativa contempla os itens 4 e 16 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU: Saúde e Bem-Estar e Paz, Justiça e Instituições Eficazes. Conheça os outros artigos dos ODS.

Fotos: Carlos Nogueira e Arquivo/PMS