A Cidade como vanguarda no movimento pela abolição

Santos foi protagonista no movimento abolicionista no Brasil, tornando-se local de refúgio e símbolo de resistência. Por ter um dos portos mais movimentados do País, a Cidade era um ponto estratégico tanto para a economia do café quanto para as ideias vanguardistas que circulavam entre trabalhadores, marinheiros e intelectuais. Como era uma região portuária, cosmopolita e com intensa circulação de concepções libertárias, o Município oferecia melhores condições para esconderijos, redes de apoio e fuga por mar. Foi neste contexto que os quilombos locais surgiram.
O Quilombo do Jabaquara, fundado em 1882, é o mais emblemático e um dos últimos grandes do Brasil antes da abolição. Foi criado com o apoio de abolicionistas santistas, como Quintino de Lacerda, Francisco Martins dos Santos, José Theodoro dos Santos (Garrafão) e outros líderes populares. A placa que indica a localização da suposta entrada do Quilombo Jabaquara, e consequentemente de seus resquícios arqueológicos, está situada na Rua Prof. Celso da Cunha Alves, 94, Jabaquara.

Figuras como Xavier da Silveira e Dona Francisca Amália auxiliaram em fugas, e a Sociedade Emancipadora 27 de Fevereiro promoveu, em 1886, um ato no Teatro Guarany que libertou cativos antes da Lei Áurea. Essa atuação inspirou a literatura e consolidou a Cidade como exemplo de liberdade e vanguarda no País. Após 1888, muitos ex-moradores do Jabaquara permaneceram na região, dando origem ao bairro que existe até hoje.
Em 2022, a Prefeitura reconheceu como patrimônios culturais e históricos do Município as áreas onde se formaram os quilombos do Pai Felipe (foto), no sopé do Monte Serrat, e do Jabaquara.
