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Teatro ajuda no tratamento da saúde mental em Santos

Publicado: 19 de outubro de 2026 - 11h04
Atualizado: 19 de outubro de 2026 - 12h23

A arte como tratamento e liberdade. O conceito vem sendo adotado no Centro de Atenção Psicossocial da Zona Noroeste - Caps ZNO (Rua Bulcão Viana, 853, Castelo), que passou a desenvolver uma oficina de teatro com os usuários. O objetivo é tornar o acesso à arte uma manutenção da saúde mental. A ação é realizada às sextas-feiras, às 10h, e a adesão é voluntária. Atualmente, a Unidade conta com mais de quatro mil usuários.

A proposta utiliza o método do “teatro do oprimido”, que torna os usuários espectadores e também os próprios atores das cenas. A iniciativa permite que eles participem ativamente, ensaiando soluções para problemas reais da vida social, diretamente ligados a casos do dia a dia.

São apresentadas situações simples, como encenações de consultas médicas, até casos de opressão e preconceito. Dentro da ação, os usuários praticam o desenvolvimento físico e mental, com interação e humanização, com os profissionais que os acompanham no equipamento.

O responsável pela oficina é o acompanhante terapêutico da Caps ZNO, e também ator, Pedro Libâneo. Ele destaca a importância da atividade que traz aos usuários vivências e experiências.

“Acredito que o teatro é uma ferramenta muito importante para nos expressarmos de maneiras não convencionais. É sobre entendermos que o corpo tem muito conhecimento, e a memória também”, comenta.

Ele conta sobre o desafio de acolher e manejar os problemas de cada usuário, como uma tarefa constante e pontua que muitos problemas que estão fora do Caps, acabam parando dentro da Unidade, como questões socioeconômicas e vulnerabilidade social.

Segundo ele, a proposta nasce  para que os usuários sejam desafiados a participarem e exercitarem a mente. “O teatro é uma das principais ferramentas que a gente tem pra fazer isso”, enfatiza.

“Não estamos preocupados em formar grandes atores ou fazer grandes espetáculos, mas fazer com que as pessoas reflitam sobre a sua realidade, de modo que consigam trazer para a cena as questões que estão internalizadas, ocultas e reprimidas. O teatro e a saúde mental são aliados fortíssimos, é essa união que conseguimos expressar nossos sentimentos e criar interação, criar diálogo, além de fortalecer os vínculos entre os funcionários e os pacientes”, explica.

A residente de psicologia do Centro, Clara Neves acompanha as atividades e fala da proatividade dos usuários nas atividades e a importância para o desenvolvimento deles onde os próprios usuários montam a cena. Ela acrescenta que se trata de um exercício para aprimorar a forma de se relacionar com o outro.

“É um lugar para dar vazão para o que você vive no mundo real. E você traz tudo isso pra cá (Caps), mas só que de um jeito mais elaborado. Ou seja, você já vivenciou aquilo, elabora, constrói e compreende de uma melhor forma aqui, com o teatro”.

Um dos usuários do Caps, que precisa ter a identidade preservada, reforça a importância do teatro. “É muito importante essa ação para que possamos nos expressar, pois o teatro pode ser basicamente o espelho da vida e da sociedade”, contou.

Todos os Centros de Atenção Psicossocial da rede municipal são administrados pela Secretaria de Saúde de Santos, por meio do Departamento de Saúde Mental. Cada unidade conta, individualmente, com atividades artísticas voltadas à terapia dos usuários como acessórios estratégicos para a saúde mental, que vão além do tratamento medicamentoso.

 

Esta iniciativa contempla o item 3 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU: Saúde e Bem-Estar. Conheça os outros artigos dos ODS.