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Encontro reúne mais de 250 fazedores culturais no Centro Histórico de Santos

Publicado: 28 de agosto de 2026 - 16h14
Atualizado: 28 de agosto de 2026 - 16h34

Com o tema “Políticas Públicas de Proteção ao Patrimônio Cultural”, a 2° semana do Patrimônio de Santos terá como atração, neste sábado (29), o 8º Encontro de Culturas Populares e Tradicionais. Realizada pela Associação Zabelê, a iniciativa reunirá mais de 250 fazedores culturais no Centro Histórico.

Com programação gratuita, o evento contará com grupos e comunidades de, pelo menos, 12 municípios do Estado, representando regiões como Baixada Santista, Vale do Ribeira, Vale do Paraíba, São Paulo e Grande ABC.

A programação começa às 14h, em frente à Casa do Patrimônio (Rua Tiro 11, 11), representação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) na Baixada Santista, com roda de conversa e concentração para o cortejo. Na sequência, os participantes seguirão em direção ao Valongo, em percurso conduzido pelo Maracatu de Baque Virado e integrado por diferentes manifestações da cultura popular.

EXPRESSÕES CULTURAIS

As atividades prosseguem até 23h30, proporcionando ao público contato com diferentes expressões culturais e tradições de povos originários, culturas de matriz africana e manifestações de origem nordestina.

A programação reúne sete grupos de capoeira, dois corais indígenas, oito grupos de maracatu, oito comunidades de jongo e duas quadrilhas juninas, além de samba de roda e escola de samba. O encontro também contará com feira solidária de produtos tradicionais, incluindo artesanato dos povos originários e vestimentas confeccionadas com tecidos de inspiração africana.

O evento conta com apoio da Prefeitura.


Evento debate a preservação da cultura imaterial

A preservação de saberes, fazeres, celebrações e modos de vida que integram a identidade de Santos ganhou espaço na programação do evento. Pela primeira vez, o evento promoveu uma discussão específica sobre patrimônio cultural imaterial, nesta sexta-feira (28), na Associação Comercial.

De acordo com Marina Guimarães Destro, arquiteta da Prefeitura e chefe da Seção de Patrimônio Histórico e Cultural (Cepasa), a discussão representa um primeiro passo para estruturar procedimentos de proteção ainda não previstos. “A percepção de patrimônio em Santos ainda está muito vinculada aos edifícios e à materialidade. Esta é a primeira vez que incluímos na Semana do Patrimônio uma discussão sobre a importância da dimensão imaterial, destacando modos de vida que também fazem parte da nossa identidade”, afirma.

O encontro contou, ainda, com o historiador Marcos Monteiro Rabelo, técnico do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que abordou os processos de registro e salvaguarda do patrimônio imaterial; da arquiteta Selma, da Fundação Cultural de Jacarehy, que compartilhou experiências adotadas no município; e de Juliana Clabondi, presidente do Conselho Municipal de Cultura (Concult), que apresentou manifestações artísticas e culturais de Santos com potencial para reconhecimento como patrimônio imaterial.

RECONHECIMENTO VIVO

Para Juliana Clabondi, reconhecer o patrimônio imaterial também significa valorizar as pessoas responsáveis por manter conhecimentos e tradições vivos. “Enquanto cuidamos das edificações no patrimônio material, no imaterial precisamos cuidar das pessoas, porque são elas que guardam esses saberes e fazeres”, afirma.

Entre os exemplos, ela cita os catraieiros do Mercado, os saberes de mestres e mestras, benzedeiras e outras manifestações tradicionais presentes em diferentes regiões da Cidade, inclusive na Zona Noroeste. “É uma identidade que molda a nossa maneira de viver, de ser e de fazer”, destaca.

DISSEMINAÇÃO

Rabelo apresentou a perspectiva do Iphan sobre os processos de proteção do patrimônio cultural imaterial. Para ele, promover esse debate diretamente nos municípios é fundamental, uma vez que é nas cidades que as políticas de preservação são colocadas em prática.

A aproximação entre especialistas, poder público e sociedade, segundo Rabelo, contribui para disseminar boas práticas e fortalecer as políticas de preservação. “Quanto mais pudermos disseminar boas práticas relacionadas à preservação desse patrimônio, mais conseguiremos avançar com essa política”, afirma.

 

 

Esta iniciativa contempla o item 11 dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU: Cidades e Comunidades Sustentáveis. Conheça os outros itens do ODS

Fotos: divulgação e Raimundo Rosa