Santos celebra o Dia do Artesão com oficina sobre boneca Abayomi
Em celebração ao Dia do Artesão, comemorado na quinta (19), a Secretaria de Comunicação e Economia Criativa de Santos (Secom) promoveu uma atividade especial na Casa do Artesão (Rua Tiro Onze 11, Centro Histórico). A programação contou com a oficina “Boneca Abayomi e o perigo de uma história única”, conduzida pela historiadora e artesã Janete Santos, ao lado do seu marido, o artesão Milton Santos.

A atividade teve início com uma palestra que apresentou ao público a origem da Boneca Abayomi, seu significado histórico e sua importância cultural. Durante o encontro, os palestrantes também compartilharam experiências vividas em outras oficinas e promoveram um bate-papo com os participantes, incentivando reflexões sobre identidade, cultura e representatividade.
“A ideia é passar a história verdadeira da boneca, porque existem muitos mitos. A Abayomi carrega um significado de resistência, fortalecimento e empoderamento da mulher negra, e a gente traz esse contexto histórico e cultural nas oficinas”, destacou Janete Santos.

Na sequência, o público participou da parte prática da oficina, acompanhando o passo a passo da confecção da boneca. Os participantes colocaram a mão na massa e confeccionaram suas próprias bonecas, vivenciando o simbolismo e a tradição da Abayomi, de forma acessível e significativa.
“A própria palavra Abayomi significa ‘meu presente’, em iorubá. A boneca foi criada em 1987 pela artesã Lena Martins, também como uma forma de gerar renda e fortalecer o empreendedorismo, além de combater o racismo. Nosso objetivo é contar essa história e levar esse conhecimento ao público”, explicou Milton Santos.
Entre os participantes, a experiência foi marcada por conexão pessoal e descoberta. Cecilia Silva, de 69 anos, é artesã, e estava presente na oficina por questões sentimentais. “Eu tive pouco contato com as minhas origens africanas. A boneca Abayomi traz essa referência e uma forte ligação afetiva. É algo que atravessa gerações, e eu gostaria até de ter aprendido antes, para poder passar isso para minha família. Estou empolgada para aprender e acho importantíssimo que mais pessoas tenham acesso a essa arte, para mim é uma questão de ancestralidade”.

Além da técnica, os palestrantes ressaltaram a importância de ampliar o debate sobre a cultura afro-brasileira ao longo de todo o ano, e não apenas em datas específicas. Janete reforçou que a consciência não deve ser lembrada só em novembro, o trabalho é contínuo, que precisa acontecer o ano inteiro pois faz parte da história brasileira.
Esta iniciativa contempla o item 8 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável ONU: Trabalho Decente e Crescimento Econômico. Conheça os outros artigos dos ODS.