Capacitação orienta profissionais da saúde de Santos sobre intoxicação por metanol
A Secretaria de Saúde de Santos realizou, durante toda a semana que antecedeu o Carnaval, capacitações voltada aos profissionais das três Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e dos hospitais que pertencem município.
A atividade faz parte da Ação Integrada de Vigilância, Prevenção e Capacitação sobre o Metanol, iniciada em 9 de fevereiro, com o objetivo de reduzir os riscos à saúde relacionados ao consumo e à comercialização irregular de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol, especialmente no período da festa mais popular do Brasil.
Durante a capacitação, foram abordados conceitos básicos sobre o metanol, sinais e sintomas da intoxicação, fluxos de atendimento e manejo clínico, além da importância da notificação imediata e da articulação com a Vigilância em Saúde e o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS). Na última sexta-feira, a ação foi realizada no Hospital de Pequeno Porte e também no Complexo Hospitalar Dr. David Capistrano Filho, na Zona Noroeste.
O médico da Seção de Controle e Orientação em Intoxicações de Santos, Marcelo Simões, contextualizou o tema a partir de episódios anteriores e reforçou a importância do diagnóstico precoce. Segundo ele, a principal preocupação é diferenciar corretamente a intoxicação por metanol da causada por etanol. O metanol pode estar misturado às bebidas alcoólicas à base de etanol e, inicialmente, os sintomas podem se assemelhar aos de uma ingestão excessiva de álcool comum.
“Entre os sinais de alerta estão visão borrada, que costuma surgir entre 6 e 12 horas após a ingestão, mal-estar prolongado e evolução dos sintomas por até 72 horas — diferente do etanol, cuja recuperação geralmente ocorre entre 12 e 24 horas. A ocorrência de sintomas semelhantes em outras pessoas que consumiram a mesma bebida também é um indicativo importante”, explica.
Nos hospitais, diante da suspeita, o paciente recebe suporte inicial imediato, com hidratação e realização de exames específicos para diferenciar a intoxicação por etanol da causada por metanol. Confirmada a suspeita, é iniciado o tratamento com antídoto — dois tipos já disponibilizados à Secretaria de Saúde — além das demais medidas de suporte. O encaminhamento pode variar entre observação, internação em enfermaria ou UTI, conforme a gravidade do caso.
CONHECIMENTO
A auxiliar de enfermagem Nilza Célia da Silva, que atua há 35 anos na rede municipal de saúde, destacou a importância da capacitação.
“Eu acho importantíssimo, ainda mais depois de toda a repercussão que o tema teve e das mortes registradas no Brasil. É fundamental que a gente esteja preparado e bem informado. Quanto mais conhecimento a gente tiver, melhor será para atender e para prevenir”, afirmou.
FISCALIZAÇÃO
Na noite da última quinta-feira (12), a Seção de Vigilância Sanitária de Santos realizou uma força-tarefa em adegas e distribuidoras de bebidas no município. Foram vistoriadas sete adegas: duas estavam fechadas, uma encontrava-se interditada pela Secretaria de Finanças (SEFIN), uma foi intimada para regularização e três estavam em situação regular.
Além disso, três distribuidoras foram fiscalizadas, sendo duas intimadas para regularização e uma fechada, com informação de encerramento das atividades. Das intimações lavradas, apenas uma esteve relacionada especificamente à verificação de metanol, referente à comprovação da procedência do produto por meio da apresentação de nota fiscal.
As ações de capacitação e fiscalização são complementares e visam proteger a população, prevenindo casos de intoxicação e garantindo maior segurança na comercialização de bebidas alcoólicas em Santos.
Esta iniciativa contempla o item 3 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU: Saúde e Bem-Estar. Conheça os outros artigos dos ODS