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Revitalização de áreas portuárias prioriza desenvolvimento sustentável

25 de abril de 2012
18h 00

A recuperação de áreas portuárias como alavanca para o desenvolvimento econômico, social e sustentável de cidades no mundo foi o destaque do Seminário Internacional 'Revitalização de Áreas Portuárias e Integração Urbana', iniciado nesta quinta (26), no Teatro Guarany, no Centro Histórico, reunindo autoridades, empresários, arquitetos, representantes de universidades e de instituições portuárias e sociais.

Na abertura do evento, o prefeito João Paulo Tavares Papa afirmou que ao longo dos últimos anos a administração municipal e a sociedade estabeleceram um ambiente favorável aos projetos de revitalização da área central e do cais histórico. “Salvamos o Centro e vamos dar início a um novo capítulo na história da relação da cidade com o porto”, disse, referindo-se ao estudo de viabilidade econômica do projeto de revitalização 'Porto Santos Valongo', que será apresentado sexta (27), às 10h, na prefeitura.

Para o secretário municipal de Assuntos Portuários e Marítimos, Sérgio Aquino, Santos traçou o caminho certo para elaborar o projeto de revitalização portuária ao estudar os exemplos bem-sucedidos em vários países. “Com o seminário, a cidade está conhecendo os ícones mundiais e nacionais da revitalização portuária. Desta forma, a comunidade poderá valorizar e defender o projeto santista de recuperação”.

O presidente do CAP (Conselho de Autoridade Portuária) e secretário de Planejamento, Bechara Abdalla, destacou o potencial da área portuária do Valongo, ressaltando que sua reestruturação passa pela integração com o Centro Histórico.

Também fizeram parte da abertura do seminário o secretário de Desenvolvimento e Assuntos Estratégicos, Márcio Lara; capitão dos Portos de São Paulo, Gerson Luiz Rodrigues Silva; diretor de planejamento da Codesp, Renato Barco, e o promotor de Justiça do Meio Ambiente de Santos, Daury de Paula Júnior.

O seminário é organizado pela prefeitura, por meio da Secretaria de Assuntos Portuários, Secretaria Especial de Portos, governo federal, Banco Mundial e Codesp, com patrocínio da Ove Arup & Partners e MSC.

Desafios das cidades
Os desafios das cidades portuárias contemporâneas foram abordados por José Ramón Ruiz Manso, secretário da Junta de Governo de Santander (Espanha) e membro do comitê científico da RETE (Associação Internacional para a Colaboração entre Portos e Cidades), com sede em Veneza (Itália). “Os desafios variam de acordo com as características locais, porém são grandes e complexos. Os municípios portuários devem aliar competição global e sustentabilidade”.

Para Manso, os projetos de revitalização precisam considerar o desenvolvimento econômico, sustentável e social. Ele ainda defendeu a construção da relação porto-cidade, para o bem de ambas as partes.

A francesa Chantal Guillet, diretora-geral da Adéfrance e membro da AIVP, rede mundial de cidades portuárias com sede em Le Havre (França), apresentou o projeto de revitalização de Marselha, que culminou com o desenvolvimento econômico e social da população.

Na década de 90, a cidade apresentava mais de 20% de desemprego, pobreza e violência. A partir da renovação de espaços públicos, ruas e avenidas degradadas e da criação de polos culturais e escritórios, Marselha reverteu a crise, ostentando 20 mil empregos gerados e investimentos públicos e privados. “Essas conquistas vieram de consenso político, adesão, marketing e participação da sociedade, entre outros fatores”.

A recuperação está na segunda etapa com obras em andamento na região de porto e projetos para construção de museu e shopping com vista para o mar.